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Anistia de imigrantes ilegais traria ₤ 3 bilhões ao Reino Unido, afirmam especialistas

“Nossa regulamentação sobre anistia para trabalhadores ilegais continua a mesma e é bastante clara. Não haverá anistia e os imigrantes ilegais devem deixar o país imediatamente”, reforça representante da Agência de Imigração do Reino Unido

A Agência de Imigração do Reino Unido (UK Border Agency -UKBA) continua contraria a anistia dos milhares de imigrantes ilegais que trabalham no país apesar de um estudo, publicado na semana passada pela London School of Economics, afirmar que esta medida iria beneficiar a economia nacional em três bilhões de libras. Estima-se que há cerca de 750 mil trabalhadores ilegais, sendo que metade deles se concentra na grande Londres.

Sem muito embasamento teórico sobre suas últimas ações, a resposta oficial da Agência governamental foi que a política atual da instituição será mantida e o tratamento dado aos trabalhadores ilegais é único: eles devem deixar o Reino Unido. “Nós temos orgulho de sermos uma nação que abre suas portas aos que realmente necessitam de nossa ajuda, mas não podemos nos comprometer com uma anistia em massa que causaria problemas ao nosso sistema de imigração como um todo”, afirmou o representante da Agência Nacional, sem revelar, no entanto, quais seriam os problemas a que se refere e o que exatamente os causaria.

“Apesar da UKBA ainda não falar em anistia, outros setores do governo já estudam a possibilidade há algum tempo. Eu acredito que esta regulamentação pode mudar a qualquer momento”, revela a Diretora Executiva da Agência de Imigração e Intercâmbio LondonHelp4U, Francine Mendonça.

Um exemplo disso é a atual prefeitura de Londres. Desde que assumiu o cargo de prefeito, o conservador Boris Johnson, incentiva sua equipe a estudar uma eventual anistia para os imigrantes irregulares, por considerar que isso poderia repercutir positivamente na arrecadação de impostos. Boris não esconde sua simpatia pelo assunto e já declarou em várias entrevistas que “a anistia destes estrangeiros que levam muitos anos trabalhando neste país sem pagar impostos significaria um enorme aumento da arrecadação tributária”.

A idéia defendida por diversas organizações não-governamentais, igrejas e grupos políticos é que uma eventual anistia possa abranger as pessoas que demonstrem que moram em Londres há mais de cinco anos e que tenham um compromisso com a sociedade e a economia do Reino Unido.

Há pouco mais de um mês a ONG ‘London Citizen’ realizou sua terceira edição da Marcha pela Liberdade, reunindo 30 mil participantes entre políticos, ativistas, estudantes e profissionais liberais, que todo ano revitaliza a discussão sobre a anistia dos ilegais da Grã-Bretanha.

Números governamentais

O órgão governamental que cuida das fronteiras do país, denominado Home Office, admite que é impossível remover os 750 mil imigrantes ilegais – número que se acredita existir hoje na Grã-Bretanha.

Atualmente são deportados 30 mil ilegais por ano. Apesar dos dados, a Agência de Imigração e o Home Office vêm, cada vez mais, dificultando a entrada de imigrantes não-europeus no Reino Unido.

Milhares de imigrantes e ingleses marcharam neste feriado em prol da anistia para ilegais

Marcha 2009

Marcha 2009

No feriado desta segunda-feira, 4, cerca de 30 mil pessoas se reuniram na Praça Trafalgar, no centro de Londres, vindos de diferentes pontos de encontro da capital, para defender a anistia de imigrantes que permanecem vivendo e trabalhando no país ilegalmente. Em sua terceira edição, a marcha contou com a participação de políticos, ativistas, estudantes e profissionais liberais, ingleses, latinos, ibero-americanos, europeus, pretos, brancos, índios, mestiços, etc. A marcha é um evento promovido pela organização não-governamental ‘London Citizen’, sendo que outras 120 entidades também apóiam e auxiliaram na organização.

Um dos principais pontos de saída da passeata foi na catedral de Westminster, onde o Arcebispo de Southwark, Patrick Lynch, defendeu os direitos dos imigrantes argumentando que a igreja católica da Inglaterra e do país de Gales sempre apoiou e foi solidária com esses trabalhadores. O arcebispo também declarou que eles não devem ser ‘bodes expiatórios’ da crise mundial.

“Minhas preces de hoje vão para os trabalhadores imigrantes que não devem pagar pelos tempos de recessão e não devem ser alvos da frustração de outras pessoas sobre a economia atual”, completou Lynch durante a missa.

Durante seu sermão, o arcebispo Lynch avaliou que se trata de uma questão moral que trabalhadores ilegais, que estejam vivendo no país por cinco anos ou mais, deveriam ter a oportunidade de construir seu futuro com mais garantias e que possam continuar contribuindo com a sociedade inglesa com igualdade.

“Vocês trabalham aqui, seus filhos nasceram aqui e vão a escola aqui, vocês são parte de nossa comunidade e sociedade, então uma maneira deve ser encontrada para que vocês aqui permaneçam” , defendeu Lynch a uma congregação de diferentes nacionalidades.

A missa foi realizada junto com outros serviços religiosos pela cidade, como parte das ações da campanha ‘Strangers into Citizen’, da ONG ‘LondonCitizen’.

Na Igreja Santa Margarete, que teve um serviço anglicano com o Bispo de Southwark, Tom Butler, a causa também foi debatida e defendida pelo religioso. “O que está sendo pedido é um simples reconhecimento daqueles que estão neste país há anos e devem ser dado a oportunidade de serem mais produtivos e melhores cidadãos”, enfatizou Butler em seu sermão.

Defensores da regulamentação acreditam que após um período de quatro anos sendo ilegal, mais um período probatório de dois, considerando outros itens como fluência na Língua Inglesa, ficha criminal limpa, referências, etc, devem ser aferidas na decisão de anistiar o indivíduo.

Desde 2007, que a campanha ‘Strange into Citizens’, da qual a marcha é resultado, ganhou força junto ao Partido Liberal-Democrata e, também, com o atual prefeito de Londres, Boris Johnson, para desenvolver planos de regulamentação para estes imigrantes. Acredita-se que 450 mil devem conseguir asilo, caso o governo prossiga com o apoio a causa.

O órgão governamental que cuida das fronteiras do país, denominado Home Office, admite que é impossível remover 750 mil imigrantes ilegais que é acreditado existir hoje na Grã-Bretanha. Atualmente são deportados 30 mil ilegais por ano. Apesar dos dados, o ministério de imigração britânico e o Home Office vêm, cada vez mais, dificultando a entrada de imigrantes não-europeus no Reino Unido.