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Ídolo de Portugal, Deco revela que deseja voltar a morar no Brasil

(Reportagem publicada na revista Brasileiros em Julho 2009)

divulgacao

O jogador brasileiro Anderson Luis de Souza, ídolo de Portugal e atual meia do time inglês Chelsea, abriu as portas de sua casa no bairro de Fulham para um papo descontraído com a Brasileiros. Vestindo jeans e camiseta, após sua sessão diária de fisioterapia, Deco – como é internacionalmente conhecido – contou passagens marcantes de sua vida e carreira, como sua vinda para Europa, seu recém inaugurado Instituto Deco20, amigos, família e, é claro, futebol, inclusive sobre a controversa demissão do técnico Luis Felipe Scolari!

Com a maturidade de seus 31 anos, sua voz mansa e suave revela que, por detrás de um jogador considerado ‘nervosinho’, é uma pessoa simples e que planeja um futuro não muito distante de sua terra natal, que sempre cita com olhos mareados. Craque desde a adolescência, ele deixou muito cedo o Brasil e conquistou seu espaço da constelação do futebol jogando pelo time do Porto, em Portugal, onde morou por oito anos. Passou também pela Espanha e Inglaterra e, como milhares de imigrantes que deixam sua pátria por uma oportunidade melhor, Deco admite que o desejo de voltar a viver perto da família e amigos está mais presente do que nunca.

De onde vem o apelido Deco?

Deco: Na realidade eu nem sei exatamente. Um tio meu começou a me chamar assim porque minha mãe não gostava. Eu era bem pequeno, tinha meses, era um apelido para irritar a minha mãe e acabou ficando.

Por que você tomou a decisão de sair do Brasil e vir morar na Europa?

Deco: Eu estava com 17 anos quando vim para a Europa, eu estava no Corinthians. Na época, a empresa que era dona do meu passe veio com essa proposta de me trazer para Portugal e eu até não queria muito… Eu achava que era muito novo ainda, mas eles pressionaram um pouco e eu acabei tento que vir. O primeiro ano, logo que cheguei, foi complicado, mas depois foi tranqüilo, fui me adaptando.

Qual foi o maior obstáculo quando veio morar em Portugal?

Deco: Acho que o maior obstáculo foi porque eu era muito novo. Vim sozinho, sem meus pais, pois meu pai tinha que trabalhar também. Depois as dificuldades de adaptação. Primeiro porque eu vim achando que vinha para um clube e acabei indo para outro. Mas eu considero que a idade foi o que mais pesou para mim nessa mudança de país.

Você passou por alguma situação engraçada de imigrante chegando num país novo?

Deco: Têm várias! Assim que eu cheguei em Portugal, até foi a primeira vez que eu sai do Brasil. O mais engraçado foi que, na época, eu achava que eu ia para o clube Benfica. Tinha um jogador que era conhecido no Brasil, o Paulo Nunes, que veio para o Benfica e ele foi a contratação do ano.

A vinda dele coincidiu com a minha e a de um amigo meu, que viajamos juntos, no mesmo vôo que o Paulo Nunes. Até mesmo o empresário também tinha nos dito que nós iríamos para o Benfica. Então, quando a gente chegou no aeroporto estava toda a imprensa esperando, fãs e tudo o mais. Mas era para esperar o Paulo Nunes e não para a gente!

Nós fomos apresentados a um dos Diretores do Alverca, o clube que então jogaríamos, da segunda divisão, fora de Lisboa. Aí quando começamos a jornada para o clube, comecei a ver as placas passando, eu não acreditava! A gente achava que ia para o Benfica e no final não foi nada disso.

Na época foi complicado, mas agora é um episodio engraçado de lembrar!

O que você sente mais falta do tempo que morou em Portugal?

Deco: Eu sai faz cinco anos já. Cheguei a ficar um ano nessa cidade próxima a Lisboa. Mas eu tenho saudades mesmo da época do Porto. Morei sete anos no Porto, sendo que seis anos e meio joguei pelo Porto e os outros seis meses foram num time pequeno chamado Salgueiro. Destes anos todos que eu passei no Porto eu fiz muitos amigos, que eu visito ainda hoje.

Eu sempre gostei de sair para comer e lá há restaurantes bem pequenos, de amigos mesmo, que nem turistas chegam. Então, sempre volto! De uma maneira geral foi um tempo muito feliz, jogando no Porto, pois o clube tem um jeito diferente. Os jogadores que passaram por lá se tornam membros de uma grande família, a relação com a diretoria, o próprio presidente esta lá há 30 anos. Essa amizade é muito difícil ter nos clubes grandes. Fui muito feliz lá e só sai porque queria conquistar outras coisas, alcançar outros objetivos.

Foi em Portugal que você realmente conseguiu brilhar como profissional. Primeiro no Benfica, depois Porto.

Deco: Eu sai do Brasil muito cedo e, normalmente, com 17 anos os jogadores estão começando. A maioria dos jogadores faz sucesso no Brasil e depois vem para a Europa, eu fiz o contrário. Eu vim desconhecido e acabei tendo sucesso aqui e acabei sendo reconhecido no Brasil pelo o que eu fiz na Europa.

Desde os primeiros anos no Porto eu já comecei a me destacar e as coisas começaram e ir bem, tive várias propostas de outros times grandes, mas eu nunca quis sair do Porto sem tem feito alguma coisa importante, sem ter conquistado algo para o clube. O Porto é um time grande em Portugal, mas na Europa é considerado um time de médio porte, sem muito poder financeiro o que impede a contratação de jogadores famosos. Então acho que teve ainda mais mérito da equipe vencer uma Liga dos Campeões, como nós fizemos.

Vários clubes da Itália e Inglaterra estavam de olho para comprar seu ‘passe’, mas sua opção foi pelo Barcelona. O que influenciou essa decisão de ir para a Espanha?

Deco: Na verdade, o Barcelona sempre foi o time que eu quis jogar, meu time dos sonhos que desde pequeno eu assistia aos jogos. Eu até deixei de aceitar outras propostas, pois eu esperava que o Barça me chamasse, como aconteceu. Aliás, eles até propuseram um ano antes da minha eventual saída, mas o Porto quis que eu ficasse e acabei adiando por mais um ano até mudar para o Barcelona. E foi legal, foi realizar o meu sonho, jogando no clube que eu queria e ainda conquistar todos os títulos e vitórias foi realmente fantástico!

No ano passado o Brasil venceu a seleção Portuguesa num amistoso. Como é jogar contra o Brasil para você?

Deco: Nós já havíamos jogado outras duas vezes e Portugal havia ganhado. Os dois jogos foram amistosos, nunca houve jogo oficial. Nesse último acabou que perdemos de 6 a 2.

Como das outras vezes que joguei contra o Brasil e a sensação sempre é um pouco estranha.

Desta vez, jogando no Brasil, foi ainda mais estranho. Por ser brasileiro, é o país onde eu nasci e cresci, onde está a minha família e amigos, aonde vou sempre, onde desenvolvo vários projetos; mas, por outro lado, Portugal é o país onde eu conquistei tudo, o país que me acolheu e que serei eternamente grato por tudo que aconteceu em minha vida que Portugal proporcionou. Óbvio que quando começa o jogo você acaba esquecendo um pouco isso, mas é difícil ignorar por se tratar de um jogo contra o Brasil. Foram jogos muito especiais para mim, apesar da estranheza.

Qual a relação entre você e os jogadores brasileiros, como por exemplo, o Ronaldinho Gaúcho, que foi seu companheiro de equipe?

Deco: Nós somos amigos. Eu e o Gaúcho jogamos quatro anos juntos, até hoje nos falamos, tenho um carinho grande por ele. E não só com ele, já joguei com muitos outros brasileiros como Beletti, Delei, Carlos Alberto, Jardel… E todos são meus amigos. É normal também a gente acabar se relacionando mais quando estamos num clube no exterior.

A conquista de um passaporte europeu é um sonho para qualquer imigrante. Para um atleta como se processa a dicotomia de defender a seleção do país que te acolheu, e não a pátria?

Deco: A questão do passaporte é bem mais simples, pois eu teria direito em função do tempo que vivi em Portugal e por descendência de família. Então isso eu já teria direito independente ou não de jogar pela seleção.

Entrar na seleção foi um evento que aconteceu a parte. Desde os primeiros anos que eu estava no país já me pediam para jogar, inclusive o presidente da federação. Algum tempo depois houve uma campanha muito grande das pessoas, dos jornais, para que eu jogasse pela seleção Portuguesa. E foi isso que acabou me comovendo de um jeito que pesou para tomar essa decisão, além do tempo que eu já estava no país e por me identificar e gostar do país. Então, a decisão de jogar pela seleção, foi diferente da questão do passaporte. Não foi fácil decidir, pois não foi o sonho de jogar pela seleção brasileira que deixou de existir. O que aconteceu foi que a minha vida tomou rumos diferentes daqueles que eu imaginava. Vim para um país que me sentia em casa, feliz, e onde as pessoas pediam para eu defender o país deles – o que foi muito forte.

E o processo de naturalização? Você detém duas nacionalidades?

Deco: Sim, eu não deixei de ser brasileiro por me naturalizar português. Uma coisa não tem nada haver com a outra. E é algo normal, tanta gente tem uma segunda nacionalidade no Brasil. Para mim, é o que acabei de falar, foi ótimo que muita gente em Portugal me apoiou, mas no final foi uma decisão pessoal que eu mesmo tive que tomar.

Esta é a sua primeira temporada na Inglaterra. O que foi mais difícil para se adaptar aqui: língua, comida, clima, etc? O que mais mexeu com você?

Deco: Eu considero que o clima é mais complicado. Em Portugal e na Espanha eu não tive esse problema. Aqui o inverno foi bastante difícil para mim, mas dá para levar, dá para encarar! Mas acho que o que mais está me afetando este ano está sendo os problemas com minhas lesões. Eu comecei muito bem o campeonato e de repente tive um problema que não consegui me recuperar tão bem. Tirando os dois primeiros meses da temporada, estou praticamente todo este ano entre recuperações e não jogando cem por cento. Eu ainda estou machucado e isso está sendo muito difícil de enfrentar, o que não tem nada haver com o país em que estou. É uma etapa em minha carreira que, infelizmente, coincidiu com a vinda para o Chelsea.

Como faz para administrar esses problemas das lesões?

Deco: Eu tenho mais dois anos de contrato aqui. Não tem como prever o que irá acontecer, mas se seguir o que está previsto eu estarei com o Chelsea por mais duas temporadas. Neste momento, minha maior preocupação é conseguir recuperar fisicamente e me preparar para a próxima temporada. Não adianta falar em muitos detalhes, mas eu tive três vezes um problema na parte posterior da perna esquerda e, mais recentemente, uma lesão no quadril. Nada muito grave, porém me fez parar 20 dias, depois mais um mês, e assim vai. Mas pretendo me recuperar bem e não começar a próxima temporada lesionado. Esse é o meu principal objetivo: voltar a jogar sem problemas.

A sua posição é bastante concorrida no Chelsea, com Ballack, Lampard e Essien. Você avalia que em outra equipe talvez você conseguisse jogar mais e fosse melhor para sua carreira?

Deco: Apesar dessa competição eu sempre joguei aqui. Essa concorrência nunca foi um problema para mim, até porque eu já sabia antes de vir para cá. No Barcelona também havia essa disputa e eu sempre estava jogando. Então, desde que eu me sinta bem, eu sei que tenho condições de jogar aqui ou em qualquer outro lugar. O que prejudicou foram as lesões que me colocaram fora de campo. Isso também acaba por mexer no meu psicológico, pois além de não estar bem fisicamente acabo ficando desconfiado, pensando se terei outro problema, joguei muitas vezes com dor. Na fase final da temporada foi realmente quase impossível jogar tanto quanto eu gostaria.

Apesar de ter mais dois anos de contrato com o Chelsea. Você já comentou que desejaria voltar a jogar no Brasil, talvez até no Corinthians. São estes seus planos para futuro?

Deco: Acredito que ficarei na Europa nesse período que cobre meu contrato, o que dificulta voltar antes de 2012. O que eu posso dizer é que eu só voltaria para o Brasil se eu pudesse fazer alguma coisa, se continuar jogando bem, não só jogar para acabar a carreira lá. Eu gostaria de ainda estar em condições físicas de ainda conquistar algo, se esse for o caso de eu decidir voltar mesmo. Se eu me sentir assim, com certeza gostaria de voltar a jogar no Brasil. E, uma escolha, seria o Corinthians por ser o time que eu sempre sonhei jogar quando era pequeno. Por ter saído cedo do país nunca tive a oportunidade de passar pelo time. Então, caso esses fatores estejam em harmonia e o Corinthians estiver com um projeto sério e que me permita contribuir, seria ideal. Mas não penso nisso agora, vamos ver, não sei… Com certeza é uma vontade, um desejo!

Com qual idade você pensa em parar de jogar?

Deco: Eu pretendo continuar jogando até quando eu me sentir bem, pois quero deixar o futebol com essa imagem boa que construí durante minha carreira, sem ter que me arrastar em campo e não me sentir mais em condições de jogar. Nesse momento, em que eu não tiver mais condições físicas, eu penduro as chuteiras. Deixo que outros mais novos virão.

Você acha que vai sentir falta da Inglaterra? Se sim, do que exatamente?

Deco: Todo lugar que você vai sempre tem muita coisa para aprender. A Inglaterra é um país excelente, Londres é uma cidade fantástica! Para nós é uma cultura diferente, que nós devemos aproveitar o que é bom. Eu acho que a organização deles é impressionante, sobre tudo, até no futebol. Um reflexo disso é o sucesso dos times ingleses nos campeonatos europeus. A maneira de trabalhar, os métodos bem mais precisos, então eu acho que essa qualidade dos ingleses nós devemos tentar incorporar ao máximo. As coisas aqui realmente funcionam, as leis são cumpridas, e nós não estamos acostumados a essa rigidez. Eu admiro muito isso.

A seleção Portuguesa está enfrentando problemas para a classificação para Copa do Mundo de 2010. Os portugueses e jogadores estão sentindo a falta do Felipão no comando do time?

Deco: O Felipão deixou uma história muito positiva na seleção. Ele conseguiu que Portugal alcançasse bons resultados formando uma seleção forte. Mas a saída dele coincidiu também com uma nova geração, com novos jogadores. Por si só essa mudança já é difícil e, é claro que, com a saída ficou aquela lembrança boa dele. Por tudo aquilo que ele fez. Mas não acho que esse seja o motivo das dificuldades da seleção. Eu acho que o treinador atual, Carlo Queiroz, é muito bom. Trabalhar com uma seleção tem suas dificuldades, pois é comum que com apenas quatro dias de treino já temos que jogar e quando entram jogadores novos, que ainda não estão adaptados ao ritmo do time, os resultados acabam não sendo os melhores. A classificação não está sendo fácil, ainda temos quatro jogos e, praticamente, temos que ganhar todos – o que não é impossível – e eu acredito que com a qualidade e vontade de todos os jogadores nós vamos alcançar a classificação.

Em sua opinião, o que não deu certo para o Felipão no Chelsea?

Deco: Eu não diria que não deu certo. O Chelsea é um clube um pouco especial, não tão tradicional quanto outros times ingleses onde o treinador tem mais tempo, onde desenvolvem um trabalho independente dos resultados. No Chelsea, a diretoria é obcecada pela Liga dos Campeões e tem um dono que quer ganhar a Liga. Já gastaram muito dinheiro e até hoje ainda não conseguiram o título. Como o time não estava indo muito bem, com perigo de não passar nas fases iniciais, havia uma pressão muito grande, maior ainda sob o técnico, do que os jogadores. Somando boatos sobre mau relacionamento entre o Felipão e jogadores, coisa que eu nunca vi e nem que isso existisse, mas acabou por criar uma situação desconfortável. Mas acho que a decisão mesmo foi em função dos resultados. Ao contrário do que acontece em outros times na Inglaterra, o Chelsea, pressionado pelos resultados, acabou tomando a decisão de mudar de treinador.

Você sente essa pressão como jogador do Chelsea?

Deco: Para quem jogou no Barcelona, acho que é algo semelhante, ou até tem muito mais pressão na Espanha. Lá tem uma pressão diária da imprensa, pois existem três jornais que só falam do Barcelona, televisões e dezenas de programas de rádio. É uma cidade que vive o clube. Tudo que acontece no time, as conversar são sobre o time, os jogadores, etc, e em Londres o Chelsea não é o único time. Não existe aqui uma imprensa só de esportes como existe na Espanha. Então, acho que a pressão sob os jogadores é maior na Espanha do que aqui.

A pressão no Chelsea é mais interna mesmo, a diretoria e o dono que tem esse desejo de conquistar a Liga dos Campões, pois quando os resultados não são bons o técnico que sofre mais e arca com a responsabilidade.

Você acha isso justo?

Deco: No futebol não tem justiça. No futebol o que conta são resultados. Você vale hoje o que você está fazendo. Acho que é a única profissão do mundo que o que hoje é verdade amanha não é mais. Tudo acontece muito mais depressa do qualquer outra profissão. Por exemplo, um jogador que tem dez anos de carreira, ele conheceu muito mais gente do que passar dez anos numa empresa. No futebol é tudo muito rápido, as mudanças são mais rápidas. Quatro anos num clube parecem dez anos em qualquer outro lugar pela quantidade de mudanças.

Este último ano que passei no Chelsea mesmo, passou muito rápido! Entre momentos em que esta jogando, não estava jogando, estava no melhor momento e em seguida estava sendo criticado… Isso num espaço muito curto de tempo. De um jogo para outro você não muda, mas a opinião sobre você pode mudar.

Então, é muito complicado dizer o que é justiça no futebol, ainda mais hoje com o mundo todo assistindo o jogo ao vivo. Pressão da imprensa, dos jogadores, é uma roda viva onde nada é justo. Se funciona ótimo, se não funciona troca por outro.

O que você pensa sobre essas últimas contratações milionárias que os times europeus têm feito, como aconteceu com o Kaká e o Cristiano Ronaldo?

Deco: Eu acho que faz parte do desenvolvimento do próprio esporte. Cada vez tem mais dinheiro no futebol. Daí, os jogadores acabam valendo aquilo que os times tem para investir. Então, os jogadores que tem contrato assinado por muitos anos, jogadores importantes como eles, que garantem o retorno do investimento, acabam sendo comprados por esses valores… Acho que futebol é isso mesmo e não tem como controlar. O normal é que continue assim. Não sei se esse valor será ultrapassado nos próximos anos ou não, mas é o mercado do futebol. Com certeza vai ficar mais e mais concorrido.

Qual jogador que você mais admira no futebol mundial?

Deco: Quando eu era pequeno eu era fã de alguns, admirava e queria ser igual. Depois quando comecei a ter mais noção do que realmente era o futebol, tem jogadores que eu me identificava, mas o que marcou mais para mim e até hoje somos amigos foi o Djalminha. Eu tinha 14 anos e ia vê-lo jogar no Palmeiras, mesmo sendo corintianos, porque eu o admirava. Acabei jogando contra ele várias vezes quando eu estava no Porto. Ele foi o jogador que eu me inspirou e eu adorava vê-lo jogar. Hoje em dia, quem eu gosto de ver é o Messi, que é fantástico. Acho que depois do Gaúcho, foi o jogador que mais me deu prazer jogar junto, que é bonito de assistir.

E técnicos?

Deco: Têm vários. Alguns que eu aprendi mais com o técnico que eu tive no Porto, Fernando Santos, que me ajudou bastante. Mas eu tive a sorte de ter trabalhado com dois dos maiores treinadores do mundo que são o Felipão e o Mourinho. Cada um em seu estilo, mas ambos uma experiência ótima! E continuo admirando o trabalho deles independente de não estar mais trabalhando com eles.

Com o Mourinho conquistamos títulos importantes no Porto e foi considerado o melhor treinador do mundo por um bom tempo. Mas também foi o que eu disse, isso é relativo e sendo melhor ou não, eu respeito e admiro muito ele. E o Felipão também, da mesma maneira!

Há anos fora do Brasil, como você lida com a distância e saudade da família e amigos?

Deco: A minha vontade de voltar para o Brasil é por duas razões. A primeira é realmente a família e amigos que eu tenho. Mesmo depois de tanto tempo longe, lá é o local onde eu me sinto em casa e não me sinto estranho, sinto bem. E isso é difícil, pois eu já morei em vários lugares e nem sempre conseguimos nos sentir bem no local onde moramos.

No Porto, eu consigo me sentir em casa também, mas não é como no Brasil. Apesar de já estar 17 anos fora, entre todos os países que já passei, as cidades onde já vive, o Brasil é onde está minha família e amigos mais próximos. Parece lógico que quanto mais anos fora, mais adaptado você está em morar fora, mas nem sempre é assim. Eu continuo sentindo saudades.

O final do ano passado, você inaugurou o Instituto Deco 20, em Indaiatuba, SP. De onde surgiu a idéia de montar um instituto para ajudar na formação de crianças, como este?

Deco: Há muitos anos, desde que comecei a ter mais recursos, sempre tive esta vontade de retribuir de alguma forma ajudando outras pessoas. E eu vinha ajudando algumas instituições que realizavam trabalhos fantásticos com crianças de baixa renda. No Brasil, infelizmente, o horário escolar é complicado, só de manhã ou só a tarde. Então, essas entidades auxiliavam para deixar as crianças mais ocupadas, com reforços e outros cursos, principalmente em bairros complicados onde há tráfico de droga. Mas nem sempre eles conseguiam continuar o trabalho e tinham ainda certas dificuldades em manter as crianças no programa. Daí, eu comecei a ajudar contratando professores, procurando mais espaços e foi quando surgiu a idéia de um local maior que abrangesse mais crianças e tivesse outras opções também. Começamos contatando as prefeituras, porém os locais cedidos nunca eram suficientes.

Como eu tinha um terreno, decidi, com meu pai, construir o instituto. Isso foi há cinco anos. Até a idéia avançar, encontrar as pessoas para trabalhar no projeto levou um tempo. Hoje já estamos funcionando e ajudamos cerca de 300 crianças desenvolvendo um trabalho fantástico com esportes, música, dança, teatro, além do reforço escolar.

Era um sonho meu, retribuir o que a vida me deu, e optei por começar na minha cidade mesmo, no local onde eu convivo e que eu vejo que tem muito problemas sociais. Nossa idéia é trabalhar não só as crianças, mas ajudar na estrutura das famílias, buscando a participação dos pais. Está sendo fantástico mesmo ver o desenvolvimento dessas crianças! Quando eu estou no Brasil eu passou muito tempo no Instituto. Eu gosto de ver o quanto eles aprenderam e estão crescendo. E eles ficam muito alegres quando eu chego também. É muito gostoso, ver a alegria deles é o mais gratificante!

Poucas semanas atrás você celebrou seu terceiro casamento, em Indaiatuba, SP. Você e a Ana Paula Shiavetti (30 anos) estão esperando seu primeiro filho juntos, certo?

Deco: Sim, eu e a Ana Paula estamos esperando nosso primeiro filho que vai se chamar Sofia. De outros dois casamentos anteriores eu tenho mais quatro filhos, o Pedro e o João, e a Yasmin e o David Luiz. Eu e a Ana nos conhecemos em Barcelona e estamos juntos há dois anos. Então, no último dia 28, nos casamos numa cerimônia simples reunindo amigos mais próximos e familiares.

Para encerrar, a última pergunta está sempre na última página da Brasileiros. Você acredita no Brasil?

Deco: Acredito, óbvio! O Brasil tem demonstrado nos últimos anos uma estabilidade que há 15, 20 anos atrás ninguém nem imaginava. Ninguém queria investir no Brasil, o pessoal até queria tirar o dinheiro dos bancos com medo, por insegurança. A inflação era algo assustador, absurdo, os preços mudavam todos os dias.

Hoje, as pessoas já podem se programar. Vejo amigos meus com uma situação financeira bem melhor, comprando casa, conseguindo crédito – algo impensável antes. Mas existem outras coisas que o Brasil tem que melhorar. Eu acho que a Educação ainda é muito falha, e boa Educação ainda está acessível a pouca gente e enquanto continuar assim outras melhorias serão impossíveis.

Mas eu acho que tem muita gente querendo mudar, pessoas querendo fazer algo realmente. Sempre vai ter quem contraria, mas o importante é que nós temos mais gente bem intencionada, gente com qualidade, com imaginação, que tem idéias novas. O Brasil é um país rico com gente que tem essa capacidade de mudança e eu acredito, sim!

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Cildo Meireles: artista popstar

“O malabarista encontra espaço para três objetos, onde originalmente só cabem dois”

– Cildo Meireles

“Meus trabalhos não são feitos apenas para olhar e admirar. São táteis, sonoros, físicos”

– Cildo Meireles

“Para mim o objeto de arte deve ser, sobretudo e independente de qualquer outra coisa, instantaneamente sedutivo”

– Cildo Meireles

Por Paula Medeiros, de Londres para revista Brasileiros.

by Daniella Duarte

“Estou me sentindo o Eric Clapton aos 20 anos”, segredou Cildo Meireles, com intimidade para a câmera, após ser abordado na rua por uma fã inglesa que o cumprimentava pela exposição na Tate Modern e solicitava uma foto com o artista plástico brasileiro.

Com a mesma intimidade, revelou episódios inusitados que marcaram sua infância e adolescência, como a vez em que encontrou um trabalho, feito de gravetos, construído por um mendigo durante a noite. Ou sua singular identificação com o astronauta Michael Collins – um dos três tripulantes da espaçonave Apollo 11, juntamente com Neil Armstrong e Edwin Aldrin –, que assistiu aos colegas caminharem pela Lua, há alguns metros de distância, mas nunca chegou a pisar no solo lunar. “Quando um repórter perguntou a Collins como ele se sentiu por fazer parte dessa experiência incrível, ele respondeu ‘Eu me sinto como aquele cara que cruzou o Atlântico num avião antes do Lindemberg, mas que agora não lembro o nome’”, explica Meireles ao finalizar a estória.

Com mais de 65 exposições individuais, em 45 anos de carreira, um dos mais respeitados artistas plásticos contemporâneo, especialista em instalações, foi vencedor de dois prêmios internacionais, Velázquez e Ordway, em 2008, e é o único brasileiro vivo a ter uma exposição individual, na Tate Modern – um dos templos das artes pláticas do mundo –, dedicada inteiramente a sua obra.

“Não é uma retrospectiva no sentido técnico da palavra. É mais uma antologia cobrindo um período que vai de 1967 até 2004. Eu sempre tentei fugir um pouco desse chauvinismo, desse nacionalismo que eu acho que não tem muito sentido, sobretudo porque a arte é um território que não tem nação. Acredito que a arte tem que ser um território de liberdade mesmo, para todas as pessoas que estão envolvidas, desde criadores ou produtores, até o público que é a parte mais importante de todo o processo, as pessoas para quem os trabalhos são feitos. Desde muito novo, adolescente eu sempre fui contra essa idéia de nação, de país. Agora, sobretudo em arte, acho que tem que ser um território onde essa discussão é terciária. É claro que eu nunca conseguiria deixar de ser brasileiro. Não é uma questão de querer ou não, de intenção ou não, de atitude ou não; eu sou brasileiro. No final, eu sempre vou escolher uma boa farofa, porque é uma coisa genética. Mas não é algo para ficar enfatizando quando estamos falando de escolhas e opções artísticas.”

Meireles é descrito pela imprensa britânica como intrigante, politizado, sedutor, filosófico. Assume que não gosta de dar entrevistas, mas apesar da aversão inata a lentes e microfones é sempre receptivo com jornalistas seja da grande imprensa, seja de jornaizinhos de bairro. No documentário, é possível conhecer aspectos ainda mais íntimos de sua personalidade, o que amplia e exterioriza o entendimento de suas obras. “Eu sou um artista direto, sintético e objetivo. Alguns críticos até não gostam muito, pois eu não complico em nada. O que quero expressar vai estar na minha obra claramente, sem grandes invenções. Por isso eu faço e defendo a arte conceitual. Eu acho que a arte conceitual democratizou a aparente sofisticação intelectual, pois a partir de qualquer material você pode desenvolver uma obra. Um amigo que passou um tempo preso me contou que, às vezes, quando ele estava na cela, lembrava de mim. Pegava uma caixinha de fósforo e um papel de bala e ficava pensando o que um artista conceitual como eu faria com aquele material”, relembra em uma das cenas do documentário.

Documentário

“Ele não gosta de estar à frente das câmeras, em evidência. Prefere que seu trabalho fale por si, ao invés de ele ficar falando”, anunciou o diretor Gustavo Moura, minutos antes de iniciar a primeira exibição do documentário Cildo, que estreou no último dia 9 de janeiro, na sala de exibição da Tate, em Londres, e ainda não tem data prevista para ser lançado no Brasil. Produzido pela Matizar Filmes, com consultoria de Vanda Klabin, Cildo faz parte da série Retratos Contemporâneos da Arte, que tem dois outros filmes, um sobre o artista Fernando Lemos, realizado em 2004, e outro, em produção, sobre Carlos Vergara, companheiro de geração de Meireles, que completou 60 anos no ano passado.
Os atrasos e problemas rotineiros de verbas para o documentário, que começou a ser produzido em 2005, acabou por auxiliar na qualidade da descrição da personalidade e entendimento da obra de Meireles.

“É um documentário que traduz a maneira como eu me vejo, não sei se sou eu, mas é a maneira como eu gostaria de me ver. A velocidade, eu gosto do ritmo. Eu gosto da maneira como o Gustavo [diretor] mostra os trabalhos. Quase como uma imersão, uma simulação, o que é raro em documentários em função do tempo de produção, mas ele conseguiu atingir este patamar com uma velocidade que eu gostei muito, quase que ideal, demonstrando muito respeito”, elogia satisfeito Meireles.

“Rodar desde 2005 deu outra característica ao filme. Foi uma sorte nossa! Se fosse apenas sobre a mostra na Tate, poderia parecer oportunismo. Pude gravar horas de entrevista com o Cildo, ir a outras exposições dele, como no Museu da Vale, explorar seu pavilhão em Inhotim e conseguir filmar cenas em Londres”, explica Moura.

O áudio é um dos pontos fortes do documentário, que resgata obras sonoras de Meireles pouco conhecida como a “Liverbeatlespool”, de 2004, produzida especialmente para a Bienal de Liverpool. Ou a “Sal sem Carne”, de 1975, que trata-se de um dos trabalhos mais políticos do artista e, merecidamente, ganha destaque na produção, revelando fatos históricos importantíssimo sobre um dos primeiros massacres indígenas a ser denunciado e averiguado como criminoso no Brasil.

De uma maneira geral, o som é algo intrínseco às obras de Meireles. “Até em instalações minhas o som está presente, dando mais dramaticidade e mais impacto à obra, como o barulho do vidro quebrando em ‘Através’ e a sobreposição das diversas emissoras de rádio em ‘Babel’”, analisa.

A propósito, o rádio é uma de suas maiores influências, ressaltando no documentário a transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, feita em 1938 por Orson Welles. “Nessa obras de arte, Welles alcança o limite entre a ficção e a realidade – que é a plenitude de qualquer objeto de arte”, filosofa Meireles.

Antologia

Mil visitas diárias – o dobro das previsões dos curadores do museu –, sucesso absoluto de público e crítica. Assim encerrou a antologia sobre a obra de Cildo Meireles, que esteve três meses dividindo o quarto andar da Tate Modern com Rothko, ocupando uma das duas salas especiais para exposições temporárias.

“O pessoal do museu é muito profissional e trabalhou desde 2003 para que esta exposição acontecesse. Quando recebi a visita deles em meu ateliê [em Botafogo, Rio de Janeiro], parecia que eles conheciam mais minha obra do que eu mesmo”, recorda o artista.

O espanhol Vicente Todoli, diretor do museu, assina a curadoria da mostra, junto com o crítico britânico Guy Brett, co-curador e um dos grandes especialistas em arte brasileira no mundo, e Amy Dickson, curadora-assistente. De Londres, a mostra segue viagem para Barcelona, Houston, Los Angeles e Toronto. “O Brasil ficou fora, pois é uma exposição muito cara”, lamenta.

– Eureka (1970-75)

Exclamação feita pelo grego Arquimedes quando percebeu a possibilidade de medir o volume de um objeto utilizando o volume de água em sua banheira.

Na “Eureka” de Meireles, este instiga o visitante a experimentar 201 bolas de tamanhos idênticos e pesos diversos, levantando o questionamento sobre o domínio da percepção visual. No centro, encontra-se uma balança com uma cruz e dois blocos de madeira, dois objetos opostos mas que revelam ter o mesmo peso.

“Nos anos 70, eu trabalhei com a série Blindhotland, na qual o domínio do visual concede espaço para uma percepção ‘cega’ da realidade através de sensores auditivos, olfativos e de paladar, com a consciência da densidade, calor, e assim vai.”

– Através (1983-89)

Belo, transparente, vasto. O labirinto de “Através” compele o visitante a adentrar seu chão de cacos de vidros e, simultaneamente, o confronta com suas barreiras e dificuldades. Cada objeto é uma proibição ao movimento através do espaço, mas os olhos enxergam além das cortinas plásticas, aquários, cercas e barricadas. Com som dos vidros quebrando a cada passo, o visitante deve reconhece as barreiras e continuar o percurso se quiser chegar ao centro, ao coração da obra, a grande esfera de celofane que resplandece única e imponente. Como uma estrutura celular, com a bola brilhante fazendo o papel de núcleo, esta expansiva instalação também evoca o microscópico, alusão a osmose celular.

– Missões: como construir catedrais (1987)

“Eu queria construir algo que representasse uma equação matemática, muito simples e direta, conectando três elementos: poder material, poder espiritual e – um tipo de inevitável repetição histórica conseqüente a esta conjunção – a tragédia”.

O resultado é um teto com dois mil ossos pendurados, com o chão forrado por seis mil moedas, sendo que os dois estão ligados por uma coluna central composta por 800 hóstias. O trabalho denuncia criticamente a morte dos milhares de índios nas Missões Jesuítas, no sul do país.

– Glovetrotter (1991)

Uma malha de aço cobre esferas de vários tamanhos e cores, feitas de diferentes materiais e com diferentes proposições – desde bolas de futebol e bolas de ferro a pérolas. A combinação destes elementos, o metal utilizado em armaduras medievais num ambiente futurístico, semelhante visualmente ao solo lunar, faz alusão à ligação histórica entre viagens e conquistas da Humanidade, desde as grandes navegações a viagens especiais. “O material se relaciona através da imposição. A malha, apesar de sua capacidade de molde, cobre e retém as bolas por imposição”.

– Cruzeiro do Sul (1969-70)

Uma escultura minimalista, denominado por Meireles como ‘humiliminimalismo’. Trata-se de uma peça de 9 milímetros cúbicos, metade de carvalho, metade de pinho, em contraste a ampla sala vazia. “Os brancos reduziram os deuses indígenas a um único Deus, o do Trovão, quando na realidade as suas crenças faziam parte de um sistema muito mais complexo, poético e concreto. Emergindo através da meditação de suas árvores sagradas, o carvalho e o pinheiro”.

O questionamento sobre escala também está presente no título do trabalho. O Cruzeiro do Sul é a menor constelação de estrelas, mas também é um sistema de navegação e está presente na bandeira nacional.

– Desvio para o Vermelho: Impregnação, Entorno e Desvio (1967-84)

Simplicidade, objetividade de linguagem e interação, com rastros do neoconcretismo do final dos anos 50. Esta instalação coloca em questão a estrutura do espaço tridimensional monocromático. É um espaço com uma impregnação acentuada em vermelho que se torna extremamente saturada causando grande excitação sensorial, daí o título da primeira parte da obra, “Impregnação”. A continuação é “Entorno”, uma garrafinha derrubada no chão, de onde escorre uma quantidade abundante de tinta vermelha em direção a uma sala escura. Na sala escura, o “Desvio”, ouve-se um barulho de água corrente, ao fundo, sobressai uma pia torta, com a torneira aberta de onde escorre um líquido avermelhado.

– Fontes (1992-2008)

Com seis mil réguas, um mil relógios de parede e 500 mil números de plástico, “Fontes” denota a estética da acumulação, algo presente em diversas obras do artista. A definição e aplicação primárias das réguas e dos relógios são sabotados pela própria ilógica ordem numeral e espaços mensurados, subvertendo os conceitos de tempo e espaço destes objetos tão simples e usuais. A estrutura em que as réguas são dispostas segue uma forma espiral, baseada na Via Láctea. A trilha musical desta galáxia de números é o tic-tac constante e sobreposto em diferentes ritmos.

– Babel (2001)

800 rádios de diferentes tamanhos, cores e épocas encontram-se empilhados ordenadamente formam uma torre de luzes, freqüências, sensores, música, canais. O título refere-se à história bíblica da Torre de Babel que era alta o suficiente para chegar ao paraíso. Afrontado pela estrutura, Deus faz com que seus construtores falem cada um uma língua diferente, dificultando a comunicação entre eles. De acordo com o mito, a inabilidade de comunicação transformou-se na causa de todos os conflitos da Humanidade.

– Volátil (1980-94)

“Tire os sapatos e arregace as calças. Quatro pessoas de cada vez, por favor.” Estas são as instruções para entrar em “Volátil”. Nesta instalação o espectador pisa em uma espessa camada de talco industrial ao se aproximar progressivamente da chama de uma vela, no fundo da sala escura. Sente-se um forte cheiro de gás, ou melhor, do enxofre contido nos botijões para sinalizar vazamentos. Percepções táteis, visuais, e olfativas enlaçam esta que é uma das obras mais fortes e impactantes de toda a exposição – caso isso seja possível.

ENTREVISTA CILDO MEIRELES

O que representa para você, como artista, expor na Tate Modern?

Meireles: Se você joga futebol, é o equivalente a vencer a Copa do Mundo. Por Londres ter se transformado em um dos três centros mais importantes de artes plásticas do mundo, a minha escolha aconteceu num contexto de muita competição. Havia muita pressão sobre números, valores, etc, mas ao final fiquei bastante contente, pois tivemos uma resposta extraordinária do público, numa temporada em que também estava na casa exposições de peso como Rothko.

Como artista conceitual, o público é um dos componentes básicos de seu trabalho e você frisa bastante isso. Como você se sente ao passear pela sua exposição e ver filas de mais de uma hora de espera para entrar nas instalações como o “Desvio para o Vermelho” e “Volátil”?

Meireles: Por um lado é ótimo inclusive para a própria produção da exposição que significa uma boa arrecadação, pois trata-se de uma exposição paga. O público está sendo o dobro do esperado, de acordo com a previsão dos organizadores. Mas também isso é a Tate, eles têm uma visitação monstro!

A ironia é que trabalhos muito pequenos fisicamente, como o “Inserções”, lidam com um público muito grande. E as peças muito grandes sempre foram pensadas por mim para uma pessoa de cada vez, pelo tempo que quisesse. Algo bem oposto ao que está acontecendo. Nesse sentido, acho que há uma perda. Porém as pessoas estão tento contato com meu trabalho nessa exposição e, numa próxima ocasião, em outra situação elas possam ter essa experiência mais íntima com as peças. Eu tenho consciência de que é uma situação utópica, mas para mim, cada pessoa deveria ficar o tempo que quisesse e sozinha. Essa seria a verdadeira experiência!

Você comentou que expor na Tate é o sonho de qualquer artista plástico, comparável a vencer a Copa do Mundo para quem é jogador de futebol. Como artista, qual o próximo passo que você gostaria de alcançar?

Meireles: Na verdade eu nunca tracei objetivos dessa maneira. Os meus objetivos estão mais dentro do próprio universo do trabalho. Eu penso mais em projetos, alguns estão parados e eu gostaria de retomá-los. “Desvios para o Vermelho”, por exemplo, a primeira anotação minha sobre o trabalho é de 1967, mas a primeira vez que eu montei como instalação foi em 1984, ou seja, 17 anos depois da primeira anotação. Sendo que outros trabalhos foram aparecendo e foram sendo pensados nesse intervalo. Outro trabalho que eu fiz há quatro anos, na França, a idéia era uma tela única, ocupando toda a galeria, o nome é “Ocupações”. Este projeto é original de 68 e eu fui desenvolver somente em 2004.

Mas também tem o “Missões” que eu tive um mês. Desde o momento em que o curador do projeto Frederico Morais levou um grupo de artista para o Rio Grande do Sul, onde ficamos dez dias visitando as Missões Jesuítas. Ao retornar, nós tínhamos exatamente um mês para pensar num projeto e fazer a produção.

Então há estas discrepâncias. Tem trabalhos que ficam anos. Eu gosto quando faço uma anotação, começo de um projeto, deixo na gaveta, de vez em quando volto para dar uma olhada. É uma espécie de decantação. Isso também para dar uma oportunidade para alguém fazer aquele projeto antes, daí você não precisa fazer. Economiza.

Eu gosto, quando tenho possibilidade, de deixar dormindo os projetos. Num segundo momento você já esta pensando outras soluções, encara de outra maneira o conceito desenvolvido inicialmente.

Eu trabalho sempre com meu bloquinho de anotações. Quando aparece alguma coisa eu anoto, pode ser um pequeno desenho, uma palavra, enfim. Eu tive a possibilidade quando morei e Nova Iorque, de retomar o ritmo de trabalho de quando eu estava começando. Na época eu estava vivendo uma fase de desilusão ‘rambaudiana’, achava que o sistema era muito viciado e que não me interessava. Mas eu anotei quatro projetos e desenvolvi dois. Como eu não dependia daquilo para pagar aluguel, desenvolvia outra atividade, eu recuperei um ambiente de trabalho, um ritmo de trabalho semelhante ao que eu tinha na adolescência. Ou seja, eu não tinha que trabalhar contra o relógio. Tinha tempo para trabalhar cada detalhe no desenvolvimento dos projetos, curtir cada etapa sem aquela pressão.

Mas às vezes temos que trabalhar contra o relógio, o que também pode se tornar estimulante.

Você diria que este é seu método de produção? Como você desenvolve e amadurece seus trabalhos?

Meireles: Eu não tenho um método de trabalho, cada peça tem uma espécie de biografia. Eu sempre pretendi fazer cada projeto totalmente diferente do antecedente. Eu acho que isso é um aspecto que as artes plásticas permitem. É o contrário, por exemplo, da música que você tem liberdade, mas é escravo do tempo. As pessoas têm que ouvir a música para saber se gostou ou não. Um livro é a mesma coisa. Você tem que começar na primeira palavra e ir até o fim. Se você parar na metade ou faltando dez páginas, você não terá lido o livro. Assim como outras expressões artísticas, mas com as artes plásticas não. Ela possibilita que cada idéia, cada relâmpago que corta a mente do artista, aquela primeira visão que não tem definição, não tem cor, nem forma, nem volume – e que na verdade é o melhor momento de cada obra. Após, eu tento perceber todos os ângulos desse primeiro relâmpago para materializar numa obra que pode ser apreciada visualmente, sensorialmente, fisicamente; mas esta já é uma parte mais chata. Depois mostrar, conversar, vender; mas a coisa mais prazerosa sempre é o primeiro momento quando a idéia surge.

Quantos anos de carreira?

Meireles: Eu comecei a trabalhar seriamente, quer dizer, sistemática e metodicamente, a partir de 1963. Eu tinha 15 anos. A primeira exposição que eu participei foi em 65, durante o 2º Salão Nacional de Arte Moderna do Distrito Federal, em Brasília, onde eu morava com uns desenhos que eu chamo de “Meus Desenhos Africanos”.

Um ano e meio depois eu fiz minha primeira exposição individual, no Museu de Arte Moderna da Bahia, a convite do artista e escultor Mário Cravo Júnior, que na época era diretor do museu. Eu completei 19 anos durante esta exposição.

Mas nessa época, 1966 e 67, eu estava mais interessado em cinema de animação. Até cheguei a fazer um filme, de cinco ou seis minutos, desenhado na película que assisti uma única vez. Era o aniversário de um sobrinho de um amigo meu, cujo pai tinha alugado um projetor para passar filmes do Walt Disney. E a gente conseguiu convencê-los de que se tratava de algo muito interessante que nós queríamos assistir. Depois de um minuto de exibição, o filme era algo meio abstrato, as crianças não estavam muito satisfeitas e já começaram a reclamar que não queriam assistir ao filme, que queriam ver o Pato Donald. Mas nós conseguimos assistir até o final.

Quais cidades você já morou?

Meireles: Eu nasci no Rio, mas com menos de quatro anos minha família se mudou para Goiânia. Onde ficamos uns cinco anos, antes de irmos para Belém, que eu adoro, se não fosse tão longe era onde eu moraria.

De Belém, voltamos alguns meses para Goiânia antes de mudar para Brasília, em 1958, dois anos antes da inauguração. Em 67, com a exposição, fiquei um pouco na Bahia, e, na volta, passei uns seis meses no Rio. Embora eu seja carioca, acho que sou meio dissidente. Primeiro porque sai muito pequeno e, depois, me dava angústia ficar muito tempo no Rio.

Cheguei a entrar para a Escola Nacional de Belas Artes, em 68, mas freqüentei menos de dois meses, pois eu já estudava, desde 1963, com o professor e artista peruano, Félix Alejandro Barrenechea, que foi uma pessoa maravilhosa na minha vida, super importante. Então, as aulas não estavam acrescentando muito para mim.

Ademais, a Escola funcionava no Museu Nacional de Belas Artes, na Cinelândia, que sempre foi o centro cultural e político do Rio, onde aconteciam manifestações e passeatas. Então, em 1968, o cenário não era muito propício para continuar na faculdade.

Em junho, eu decidi ir para Parati, onde era muito mais barato que o Rio, e me estabeleci numa casa enorme e tal. O que foi perfeito, pois e estava trabalhando com os “Espaços Virtuais – os Cantos”, que são peças de três metros.

Em 1969, fui indicado para fazer parte de uma exposição que escolheria a representação brasileira para a Bienal de Paris, mas a feira foi fechada horas antes da inauguração pelo DOPS. O fato foi um escândalo internacional, gerou um boicote a Bienal de São Paulo por dez anos, enfim.

Voltei rapidamente ao Rio, mas como não conseguia ficar muito tempo. Fui participar de uma exposição em Nova Iorque, onde fiquei um ano e meio e foi quando convivi com o Helio Oiticica.

Ao retornar, fui para Petrópolis. Daí, fiquei com saudades de Brasília, então fui para Planaltina. Quando os filhos começaram a nascer, tive que me estabilizar num local e acabei no Rio. Mas eu fico seis anos sem ir à praia.

Alguns críticos comentam que há uma presença constante de esferas em seus trabalhos. Você conectaria este fato a sua história com o futebol?

Meireles: Talvez. Eu sou um artista direto e objetivo. Alguns críticos até não gostam muito, pois eu não complico em nada. O que quero expressar vai estar na minha obra claramente, sem grandes invenções e esferas são símbolos muito forte que ilustram perfeitamente a mensagem que eu quis atingir, de uma maneira ou de outra, em cada obra que achei necessário inserir bolas.

Aos 16 anos quase me tornei jogador profissional. Havia dois clubes que queriam me contratar, o Infanto Juvenil para o Flamengo e outro da categoria de base do Cruzeiro de Belo Horizonte. Mas eu já estava envolvido com desenhos, comecei a sair, beber, namorar… (risos). Do time que eu jogava em Brasília, cinco se profissionalizaram. Mas eu gostava mesmo era de jogar, nem de treina eu gostava, uma das razões que eu também não continuei no futebol. Quando começaram a implantar no Brasil o condicionamento físico para jogadores de futebol, isso tudo não era o que eu queria. Eu era peladero, se tinha uma bola quicando eu ia, mas se tinha que ficar fazendo exercício, forçar musculatura, eu não achava a menor graça.

Eu torço pelo melhor time do mundo, o Fluminense, e eu acho o futebol um esporte maravilhoso. Na minha geração era praticamente o único que existia, e um pouco de basquetebol, outros quase não havia prática. Hoje que existem muitas opções, o que é ótimo.

ENTREVISTA GUSTAVO MOURA

Qual a maior dificuldade na realização deste documentário?

Gustavo Moura: Filmar uma pessoa que não gosta de ser filmada. Embora o Cildo tenha sido sempre totalmente disponível e atencioso, nunca foi algo natural para ele ser “acompanhado” por uma equipe de filmagem.

Uma produção longa, como foi o caso de ‘Cildo’, muitas vezes, acaba desgastando a equipe e, como conseqüência, o produto. Como você avalia esse aspecto na produção deste documentário em particular?

Moura: Isso não aconteceu no caso desse filme porque o processo foi todo muito lento, suave e espaçado. Ficamos quase quatro anos realizando-o, mas sempre com outros projetos acontecendo paralelamente. Isso que você diz acontece mais quando se fica muito tempo exclusivamente trabalhando numa única coisa, o que não foi o nosso caso.
Para mim, foi sem dúvida muito bom ter tido esse tempo todo para ir me aproximando do universo do Cildo, para ir absorvendo o ritmo dele, o pensamento, o tempo e a forma de cada coisa.

Qual das estórias que Cildo conta no filme mais te tocou? Por quê?

Moura: A estória da casinha (que abre o filme). Porque, para mim, ela sintetiza uma série de características da personalidade do Cildo:  a generosidade; o interesse pelo que está à margem; o interesse pelo silêncio; pelo anonimato; pelo gratuito; pelo insuspeitado; pela arte.
Você acha que o Cildo gostou de se ver na tela? Ele comentou algo contigo sobre o documentário após assisti-lo?

Moura: Como eu disse, o Cildo não gosta de ser filmado, de se mostrar. Conseqüentemente, não é algo agradável para ele se ver ou se ouvir na tela, seja como for. De todo modo, acho que ele está contente com o resultado e gosta, sobretudo, do ritmo do filme. Ele já me disse, diversas vezes, que se reconhece no filme, que se identifica com o tempo e com a “levada” do filme. Disse também que gosta muito da maneira como os trabalhos são mostrados. Na verdade, acho que o que ele menos gosta é mesmo de se ver na tela.
Alguma previsão para o lançamento do documentário no Brasil?

Moura: Por enquanto mandamos o filme para a seleção do festival “É Tudo Verdade”. Se for selecionado, será uma ótima maneira de estreá-lo no Brasil. Além disso, estamos planejando sessões públicas em SP, no Rio e em Brasília ainda no primeiro semestre de 2009.

Rede Record e Brazilian News juntos: mais informação para a comunidade brasileira

Quem acompanha a programação da Rede Record já deve ter notado novidades na grade diária, pois desde que assumiu a diretoria do Reino Unido, Álvaro Peixoto e sua equipe não páram de buscar alternativas de informação, serviços e entretenimento para a comunidade local.

Uma revitalização no programa comercial “Record Shopping” foi apenas o primeiro passo. O encontro e parceria selados com um aperto de mãos entre Álvaro e o presidente do grupo Express Media Internacional, do qual o jornal Brazilian News faz parte, foi mais uma vitória. “Esta vitória é da comunidade brasileira que ganha mais informação, gratuita e de qualidade, através de nossa união”, admite o presidente Horácio Sterling.

O Brazilian News está no mercado há nove anos e continua sendo o único veículo semanal, distribuído gratuitamente em mais de 200 pontos na grande Londres. Agora, com a rede Record, mais brasileiros poderão ter acesso a uma das melhores publicações internacionais, pois o Brazilian News traz informações atuais, gratuitas e de qualidade toda quinta-feira para a comunidade brasileira e de língua Portuguesa.

Outras novidades, como o “Minuto Legal” que é uma parceria com a agência de intercâmbio e imigração LondonHelp4U também faz parte desta renovação da rede Record.

O Brazilian News conversou com o diretor da Record, Álvaro Peixoto, que contou detalhadamente seus planos e o que vem por aí.

Brazilian News: Você poderia explicar um pouco esse novo projeto da Rede Record?

Álvaro Peixoto: A rede Recorde tem um projeto de regionalização que visa trabalhar a Record buscando uma linguagem do público local. Estão nós estamos trabalhando para atender as pessoas que convivem e vivem aqui, não só no Reino Unido, mas também na Irlanda, Alemanha, Holanda e outros países, onde o sinal da Record também está sob a minha responsabilidade. Hoje, nós estamos na fase inicial da aplicação deste projeto. Um dos programas que já está indo ao ar é o “Record Shopping”, que tem um baixo custo de produção, e atende aos comerciantes que não tem recurso para investir em comercialização na tevê, que despende de uma verba que não é acessível a todos os empresários.

O mais novo programa que estreou em nossa programação há duas semanas é o “Página 1”, que é um boletim informativo diário que traz as notícias dos principais jornal de Londres. Entre estes jornais está o Brazilian News e o Express News, que nós fechamos esta aliança, pois ambos são excelentes tablóides! Os dois jornais se posicionaram muito bem dentro dos meios de comunicação local. O programa entra duas vezes ao dia na grade da Record, no intervalo do jornal “Hoje em Dia”, transmitido às 13h30, e no intervalo da novela, das 20 horas, “Poder Paralelo” e é apresentado pelo jornalista Marcelo Ribeiro. Na realidade o programa é uma tradução das primeiras páginas dos jornais, porque nós sentimos que uma das grandes dificuldades do nosso povo de língua Portuguesa é o idioma Inglês.

Acontece muito de as pessoas estarem vivendo aqui, mas não sabem o que está acontecendo a sua volta. Então, baseado numa pesquisa que a Record fez, nós identificamos que a maioria dos brasileiros, e também outros povos de língua Portuguesa, não falam Inglês corretamente ao ponto de poder se interessar por um jornal como o Metro, ou o The Sun, que são daqui e trazem informações locais de interesse de todos – independente de ser estrangeiro. Muitas vezes os brasileiros se restringem apenas a programação da Record e deixam passar notícias importantes como, por exemplo, que o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou que vai haver outro aumento no imposto de renda. Algo que é de interesse de todos e deveríamos acompanhar também. Tirando esse dado da pesquisa, nós observamos essa carência e decidimos lançar o “Página 1”.

Qual a diferença da Rede Record para outras emissoras?

AP: A grande diferença entre a Rede Record e outras televisões brasileiras é que é a única que tem um sinal livre (free view). Nós, hoje, estamos na Sky, que é a maior operadora de tevê a cabo do Reino Unido e da Irlanda, no canal 801 com a TV Record, e, no canal 0206, com a Rádio Record. A Record compreende três grupos de mídia que são a televisão, a rádio e a revista. Além disso, o sinal da Record é livre, ou seja, com qualquer aparelho, Box, antena, as pessoas conseguem captar o canal em sua casa sem pagar nada por isso. Não é necessário pagar nenhuma assinatura, nenhuma mensalidade para ter a Record em sua casa. Qualquer pessoa, desde que tenha um receptor, pode ter o Brasil em sua casa com toda a programação: jornal, novela, entretenimento, tudo que a Record oferece de melhor lá também está aqui para o povo brasileiro assistir.

A programação internacional é a mesma do Brasil?

AP: Basicamente, sim, porém estamos expandindo. Desde que assumi a Record há três meses, nós já aperfeiçoamos o “Record Shopping”, estreamos o “Página 1” e em algumas semanas deve entrar no ar o programa “Economia e Negócios”, que é um programa de entrevista em que nós vamos estar conversando com os principais conquistadores. Eu falo isso, porque nós vamos pegar aquela pessoa que chegou aqui e mudou a sua história aqui, escreveu uma nova história no Reino Unido. Vamos mostrar aos brasileiros que vivem no exterior que, muitas vezes estão numa situação difícil, que é possível vencer. Existem pessoas que venceram!

Outro produto que nós estaremos lançando, no próximo mês, que é uma parceria que nós estamos fechando com a agência de intercâmbio e imigração LondonHelp4U, será o “Minuto Legal”. Nesse bloco de um minuto a diretora-executiva da LondonHelp4U, Francine Mendonça, vai responder dúvidas e abordar assuntos sobre imigração, novidades e dicas para os brasileiros. Então, como você pode notar, nós estamos trabalhando nesse sentido de fazer uma televisão mais regional. Para que os nossos conterrâneos – sem ter que pagar nada – tenham informações de seu país e informações do país no qual eles estão vivendo, inclusive assuntos de interesse da comunidade local.

É muito fácil retransmitir o sinal brasileiro aqui, mas assim nós não estaríamos atendendo a comunidade, fato que é de extrema importância e zelo da nossa diretoria. Por isso que o sinal da Record é gratuito, não cobramos como outras emissoras, nós trazemos a melhor produção brasileira para cá e, além disso, ainda estamos inserindo em nossa programação produtos para que possamos ajudar nossos conterrâneos em suas maiores necessidades que são imigração, informação e comercialização.

Esse foi o motivo de buscar a parceria com o Brazilian News?

AP: Justamente pela informação que o Brazilian News traz hoje, a capacidade do Brazilian News de ter essa informação semanalmente, atingindo o brasileiro e outros povos de língua Portuguesa também. O BN não é só um sucesso entre os brasileiros, mas entre os povos de língua Portuguesa em geral, pois traz informação daqui. Exatamente o que nós temos buscado e encontramos esse apoio no BN. Então, o motivo dessa aliança, é justamente isso: nós temos um meio de comunicação que é a tevê e o BN tem um sistema de informação muito perfeito, muito bem elaborado, bons profissionais trabalhando que vão nos capacitar para levar essa informação a ainda mais conterrâneos.

O BN completa todas as necessidades de informação dos brasileiros que moram no Reino Unido, o que outros veículos não conseguem fazer e isso chamou a atenção do Grupo Record. Pois vocês atendem e assistem a comunidade com uma informação confiável e atual. O projeto do ‘Páginas Brasileiras’ também vem ao encontro disso tudo, incorporando o que os jornais BN e Express News desenvolvem. Isso mostra que vocês estão preocupados com o nosso povo e essa preocupação tem sido a preocupação da rede Record também, e é o que tem nos levado a procurar essas parcerias.

Festa por uma boa causa com o ritmo brasileiro

‘Manifeste-se com o ritmo brasileiro’ é uma festa organizada pela ONG Vídeo Manifesto, que acontece nesta terça-feira, 12 de maio, no Guanabara, visando arrecadar fundos para projetos da ONG.

A programação da festa conta com a banda Choro Bandido, a escola de samba Barking Bateria, apresentação de capoeira com o grupo abada e sorteios de brindes. Será uma festa brasileira por uma boa causa com muita música, samba e alegria.

Video Manifesto é uma ONG fundada na Inglaterra com o objetivo de oferecer qualificação profissional na área de audiovisual, aos jovens moradores de favelas do Rio de Janeiro.

A ONG dá voz a jovens marginalizados para que possam se expressar e encontrar soluções para problemas de suas comunidades. Uma oportunidade para que manifestem seus anseios, desejos e preocupações através da arte de produzir filmes e documentários. “Liberdade de expressão social e qualificação profissional facilitando a entrada desses jovens no mercado de trabalho, em busca de uma vida melhor, é o nosso foco principal”, declara a assessoria da Vídeo Manifesto.

Músico brasileiro Divyarup lança álbum na Inglaterra


“Quero agradecer a todos os músicos e colegas que encontrei em meu caminho e que colaboraram muito para que este CD se realizasse, muito obrigado de todo coração”, agradece Divyarup.

O músico paulistano Divyarup está lançando seu primeiro CD, denominado “Tempo de Luz”, no próximo dia 9 de fevereiro, como convidado especial do grupo Água de Choro, para uma apresentação inédita na casa noturna Guanabara, a partir das 22 horas. O CD é uma mistura da melhor e legítima música popular brasileira com samba, bossa nova, baião, forró, e ainda influências de funk e música latina.

Como compositor, Divyarup explora sua paixão em descobrir melodias e desenvolver letras. As 15 faixas são composições inéditas de sua autoria. “Tempo de Luz” conta com participações de grandes músicos como Sergio Bello, no violão, guitarra, baixo e arranjos; Lael Medina, na bateria; Jonas Dantas, nos teclados; Yamile Burich, no saxofone e clarinete; Claudio Mineiro, na percussão, e ainda o grande Bocato, nos trombones. O compositor Madan e o engenheiro de som Mauricio Grassmann também colaboraram na execução deste álbum.

Divyarup tem se dedicado à música por 25 anos e compôs sua primeira canção, ainda na adolescência, sem nenhum conhecimento musical. Suas influências musicais começaram ainda quando ele era criança, quando viajava com a família para o campo, onde ouvia sons dos pássaros, das águas. Depois teve influência da música new age, música clássica, rock, jazz, MPB, música instrumental. Hoje em dia, com mais de 80 composições em suas partituras, Divyarup esta na batalha para conseguir uma gravadora ou distribuidora.

Morando atualmente em Londres, Divyarup participou de vários festivais no Brasil e na Inglaterra, tocou em bares na noite paulistana, em Londres e Manchester. Após a promoção deste CD, o músico já esta se preparando para seu segundo álbum.

Acadêmicos discutem pesquisas sobre comunidade brasileira no Reino Unido


Pesquisadora Ana Souza, responsável pelo Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido, abriu o seminário.

Nesta terça-feira, 27, o Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido (GEB) promoveu o “1º Seminário sobre Imigração Brasileira no Reino Unido: Diálogos com os Brasileiros em Diáspora”, que contou com a presença de cerca de 30 pessoas, entre intelectuais, acadêmicos e líderes da comunidade brasileira em Londres.

O evento iniciou com a apresentação do professor da Royal Agricultural College’s School of Business, Luis Kluwe, que desenvolve a pesquisa “A alimentação na Diáspora e Empreendimentos Étnicos”, que tem como objetivo averiguar as relações socioeconômicas dos brasileiros no Reino Unido através do consumo de produtos típicos brasileiros.

Kluwe afirma que, quando no exterior, migrantes de uma mesma comunidade tendem a consumir alguns itens com maior regularidade de quando estavam no próprio país, talvez como uma tentativa de se afirmar a própria cultura. “Há uma afirmação étnica (até nacionalista) de se demonstrar brasilidade pela ingestão de caipirinha, feijoada, coxinha de galinha, arroz, e rejeição de alimentos ‘ingleses’ como, por exemplo, a batata. Nesse caso o alimento passa a ser um objeto transacional, um símbolo”, explicou.

O segundo palestrante do seminário foi o estudante de doutorado pela Universita Degli studi di Milano, por Edmar da Rocha, que expôs dados imigratórios bastante relevantes, porém ainda sem embasamento empírico sobre a exploração das relações de igualdade e oportunidades dos imigrantes latinos americanos no mercado de trabalho, na moradia e na comunidade. Todos os dados levantados pelo pesquisador são estimativos, como o número inacurado de que haja de 150 a 300 mil brasileiros no Reino Unido.

A dificuldade em efetuar tal pesquisa é obvia geograficamente, além do problema de questões legais de alguns imigrantes – muitos dos quais não arriscam sua sobrevivência, mesmo que garantido o anonimato, em preencher qualquer tipo de pesquisa ou formulário.

A platéia levantou outras questões bastante importantes, como o papel do Consulado brasileiro para esta comunidade tão carecida de informação e ajuda. O representante do Consulado presente adiantou que, cada vez mais, a instituição vem trabalhando para fortalecer o link com a comunidade e se tornar este amparo para os brasileiros no país – sem importar o ‘status’ imigratório.

Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido

O GEB, atuante desde junho de 2008, foi fundado exatamente em função da necessidade de se promover o estudo, a publicação e divulgação de pesquisas relacionadas a comunidade brasileira no Reino Unido. Os interessados em participar ou conhecer melhor o trabalho do grupo devem contatar Ana Souza atravésdo email geb.anasouza@yahoo.co.uk

Dados importantes ainda não passam de estimativas



Da Cruz lança segundo CD com turnê pela Europa

Mariana da Cruz

Mariana da Cruz

O grupo Da Cruz, que tem a frente a brasileira Mariana da Cruz, vem a Londres para lançar seu segundo CD “Corpo Elétrico” na próxima terça-feira, 3, no Guanabara, a partir das 20 horas. Como Seu Jorge, Zuco 103, Bebel Gilberto, Cibelle, Mariana resolveu trilhar o caminho internacional e mora atualmente na Suíça.

Aprendendo acordes no coro de uma igreja, Mariana também passou pelos bares de Sampa antes de ir em busca de algo novo que a levou para Lisboa. Da Cruz queria cantar em novos espaços deixar se influênciar por novas e diferentes tendências musicais e culturais. Cantando um show de música brasileira no Bairro Alto (bairro artístico de Lisboa), Mariana conheceu o produtor Suiço Ane. H, membro da banda pioneira da electro-metal, a Swamp Terrorists.

Sem esquecer de suas raízes brasileira, começaram a criar seu estilo único entre Bossa Nova, Breakbeats, Jazz, Samba Rock e Electro. Formando uma colisão musical com sua tradicionalidade brasileira. Juntanram-se com o guitarrista Oliver Husmann e o primeiro álbum “Nova Estação“ saiu em 2007. Da Cruz teve a participação entre outros de Duduka da Fonseca, antigo baterista do legendário (Antonio Carlos Jobim). Na América do norte o CD é editado pelo rótulo Six Degrees (Bebel Gilberto, Céu). Pela grande campanha promovida levando Da Cruz para o Top-10 do CMJ Charts.

O Brazilian News conversou com Mariana para saber como estão os preparativos para o show em Londres.

Brazilian News: Como que está a expectativa para o show em Londres?

Mariana da Cruz: Estou super feliz de poder ir para Londres divulgar nosso trabalho e estou com bastante expectativa para o show, estou esperando para ver como tudo vai ser, como é o público londrino, pois esta é nossa primeira vez em Londres.

BN: Como está sendo a divulgação do CD?

Mariana: A divulgação desse novo CD está sendo feita inicialmente na Europa. Ao todo são 33 países, mas devagarzinho vamos passando por cada um deles. Sem pressa. Claro que vamos ao Brasil também e eu já ouvi que o pessoal lá gostou do CD. Mas ainda não temos datas de todo o tour.

BN: Que a diferença de ser musico no Brasil e na Europa?

Mariana: O Brasil é um celeiro muito bom de músicos, temos cantores excepcionais. Mas eu vejo que as oportunidades lá são poucas, tenho amigos que trabalham com musica a mais de dez anos e ainda não conseguiram muito sucesso. Então o que me fez sair do Brasil foi a busca por coisas novas, sempre fui muito curiosa e gosto de novas tendências. Esse nicho no Brasil é ainda mais difícil, tem muitos rótulos. Aqui é mais fácil ser livre e criativo sem precisar destes rótulos, o que facilitou o meu trabalho.