Bossa Nova em Londres: por uma cantora britânica

Há sete anos, Maria O`Connell teve a oportunidade de passar um ano no Brasil. “Antes de eu visitar o país, não tinha idéia da riqueza e diversidade musical que existe no Brasil. Fiquei em São Paulo, mas tive sorte e viajei para várias outras partes do país e pude experimentar todos esses sons, ritmos e musicalidade que há no povo brasileiro”, recorda.

Na época, Maria foi convidada para cantar com o quarteto Zumbaia, participando de várias feiras, eventos e, é claro, barzinhos pela Vila Madalena. “Eu amo o som da língua Portuguesa quando cantada e o sentimento que é transmitido. Para mim é uma língua belíssima, muito musical e poética. Por esse motivo, eu tento interpretar as canções da forma mais honesta possível, mas sendo sincera comigo como cantora também. Espero que minhas performances sejam autênticas o suficiente para os amantes da Bossa Nova”.

Mas Maria sente-se confortável cantando em Inglês, especialmente por acreditar que os brasileiros gostam de ouvir sua música sendo cantada no idioma de Shakespeare. “Numa das feiras em que cantei, uma senhora veio me cumprimentar pelo meu Inglês que era ‘perfeito’ quando cantava… Adorei e me diverti muito com o elogio”.

Para comemorar os 50 anos do estilo, Maria produziu e atuou na peça musical Pobre Menina Rica, em Londres, juntamente com Rogério Correa e Gui Tavares. Numa das apresentações, Carlos Lyra foi o convidado especial da noite. “Ele subiu ao palco em apenas uma canção, mas foi um momento de muita emoção. Eu fiquei bastante comovida em cantar na presença dele. Lyra é um homem adorável, com um ótimo senso de humor, além de um músico extraordinário!”

Com uma educação clássica na bagagem, Maria destaca o trabalho de Tom Jobim na Bossa Nova. “Eu estudei French Chanson do século 19 e 20 e isso me ajudou bastante a cantar Bossa Nova. Este estilo é a união do poeta e do compositor, assim como aconteceu com Tom e Vinicius. Às vezes eu escuto canções de Jobim, especialmente ao piano, e me lembra muito Debussy e Poulenc e, aparentemente, Jobim foi realmente influenciado por Debussy. Então, eu percebi que a Bossa Nova não é apenas um som específico, e sim uma mistura de diferentes estilos, ritmos e influências da história musical brasileira com as experiências musicais que seus criadores tiveram”, analisa.

Apesar da difícil escolha – “escolher a favorita, mas eu amo todas elas” –, Maria opta por Chega de Saudade como sua canção preferida. “Eu amo a melodia, o sentimento, o som das palavras e sua cadência, e ainda dá para ouvir um ritmo de samba. Parece aquele tipo de música que cabe em qualquer ocasião, você consegue se imaginar dançando, pulando no carnaval ou relaxando num local aconchegante com apenas voz e violão”. Entre as intérpretes da Bossa Nova, a cantora irlandesa destaca Leila Pinheiro, Elis Regina, Nara Leão e Paula Morelenbaum.

Envolvida de corpo e alma com a Bossa Nova, atualmente Maria está trabalhando num show com músicas de Chico Buarque que deve estreiar, nos palcos de Londres, em novembro. É aguardar para conferir!

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