Teatro une brasileiros e britânicos em produção bilíngüe

Dois palcos, dois teatros, duas peças. Assim se divide a companhia de teatro Nós do Morro que, até o sábado, 18, está em cartaz em Londres com dois espetáculos

Caliban e Miranda

Caliban e Miranda

A temporada inglesa de “Knoking Against My Heart” vai até o dia 20 de novembro, porém em Londres, a última apresentação acontece neste sábado, 18, no Unicorn Theatre, em London Brigde. A peça é uma criação conjunta entre a companhia de teatro inglesa Theatre Center e a brasileira Nós do Morro, numa união orgânica e perfeita entre duas culturas, duas comunidades e duas línguas.

“Quando eu conheci a companhia brasileira de teatro Nós do Morro, em 2005, trabalhando com o filme ‘Hackney to the Favela’, eu vi o exemplo maravilhoso que através da magia do teatro eles representavam. Pela vontade imensa de voltar a trabalhar com eles, num processo criativo mais intenso e com uma colaboração maior de seus atores, eu desenvolvi este projeto. Convidei o escritor e dramaturgo, Dipo, para ir até o Rio de Janeiro a fim de conhecer o grupo e se inteirar da realidade local. Nós não tínhamos nada escrito, apenas a escolha inicial da peça ‘A Tempestade’, de Shakespeare, então começamos com a folha em branco. Toda a peça foi concebida de um processo único de criação entre eu, o escritor e os atores”, revela o diretor Michael Judge, responsável pelo projeto de “Kocking Against My Heart”.

Um dos atores brasileiros, integrante do Nós do Morro desde 1989, André Santinho reafirma a diferença no processo criativo desta peça em particular. “Os atores estavam presentes durante todo o tempo, em cada minuto colaborando com a elaboração do roteiro e dramaturgia. Baseado em nossas improvisações e jogo de cena que surgiu a brincaderia com os animais. Nossos movimentos corporais, dança, capoeira, musicalidade que levou o diretor e escritor a tomar este rumo e chegar no que você viu no palco”, comenta André que tem em seu currículo o filme “Tropa de Elite”, recém lançado no Reino Unido.

Seu conterrâneo é William de Paula que reconhece a dificuldade de interpretar em inglês. “Todo dia eu pratico e treino, porque realmente é muito grande a diferença do som do Português e do Ingl.ês Achar a ritmo, o balanço, a acentuação correta das palavras. Imagina o Caliban ter que falar de amor em duas línguas”, brinca.

Durante os 60 minutos, tanto anglos quanto lusofônicos são capazes de entender o espetáculo que utiliza – o tempo todo – os dois idiomas. Três, dos quatro atores em cena, falam português. Além de serem amparados por outros tipos de linguagens como a corporal, expressões, música, sons, entre outras; a equipe é taxativa ao enfatizar o aprendizado individual que este processo coletivo de montagem possibilitou.

Aclamada por pessoas do meio teatral, este processo criativo um tanto único e que obteve um resultado tão mágico e belo transparece nitidamente o quanto palavras e línguas são supervalorizadas no cotidiano.

“Quem fala duas línguas, seja de criança, pela familia, ou aprendido pela vida, vai descobrindo que a língua, o idioma é só um código usado para falar as mesmas coisas, para nos comunicarmos. Um código é de uma maneira e o outro é de outra, e usando as diferenças é que unimos”, exemplifica a estreiante Mariana Whitehouse, que é filha de mãe brasileira e pai inglês.

Seja brasileiros, inglês, português, africano, latino ou chineses; seja qual for a língua falada; este espetáculo é prova de que a linguagem universal do teatro e sua magia ultrapassam qualquer barreira e passa a mensagem sem – ‘misunderstood, got it?’ – desentendimento, sacou?

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