Gilberto Gil emociona conterrâneos em Londres

divulgacao

Cantando com um violão, e algumas vezes acompanhado pelo filho Ben, Gilberto Gil mostrou-se muito à vontade no palco do Barbican Theatre, na segunda-feira, 31 de março. Embalando um repertório composto por 18 músicas, algumas inéditas, que estão sendo gravadas para o próximo disco, e outras clássicas, que provocam nó na garganta daqueles que vivem longe. Depois de quatro anos sem compor, Gil brinca durante o show que o presidente Lula tem sido muito paciente com ele, concedendo dois meses por ano de folga do Ministério para se dedicar à música.

Após a primeira música, “Máquina de Ritmo”, Gil revela como sente-se feliz por voltar a Londres e poder apresentar-se no Barbican – primeiro local onde, durante o exílio, subiu num palco londrino. Contou que a cidade está em terceiro lugar em sua lista de favoritas, atrás de Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente.

Com freqüência, Conversou e interagiu com a platéia, sendo chamado de ‘lindo’ e ‘gostoso’, que agradeceu lisonjeado e fez piada sobre ‘como é gostoso o meu francês’. Gil emocionou brasileiros e estrangeiros cantando em português, inglês e francês músicas que retratam as últimas três décadas de sua carreira, seguindo o projeto do disco que este show foi baseado Gil Luminosos. Não ficou de fora “Exotérico”, “Super-Homem”, “Aquele Abraço”, “Expresso 2222”, “Se Eu Quiser Falar Com Deus”, “Three Little Birds”, “Não Chores Mais” e “Tempo Rei”, que já compõem um espetáculo e tanto.

Citações de Gil durante show

– “Quando eu estava completando 64 anos de idade, junto com o autor, meu amigo Paul, pois nós somos do mesmo ano, mesma idade… Hoje eu vejo que é tão legal ter esta bela e incrível canção britânica, e cantada em ritmo de bossa nova.” O amigo Paul que Gil cita é o ex-Beatle McCartney, a música é “When I’m 64”.

– “Esta música que eu acabei de cantar, “Metáfora”, é uma das músicas que eu tenho pena e me sinto culpado por não cantar em inglês, para vocês poderem entender a letra, pois fala sobre esse brilhante artista que é o poeta, de sua solidão e ao mesmo tempo de suas idéias tão iluminadas quando retrata coisas cotidianas da vida”.

– “Ele entrou no palco como um jogador de futebol, correndo para entrar no gramado (risos). Meu filho é flamenguista, eu sou fluminense no Rio, aqui eu torço pelo Chelsea. ‘Para vencer ou perder, seguimos o Azul’ (grito da torcida do Chelsea que rima em inglês). Por que eu vivi lá nos primeiros anos que estive aqui, perto do estádio, daí me tornei torcedor do Chelsea. Eles eram ruins na época, agora que eles estão melhores, muito dinheiro, podem contratar bons jogadores… Futebol e brasileiros, um objeto comum em nossas conversas, não temos escapatória (mais risos)”, Gil comenta e discorre sobre sua paixão pelo futebol após seu filho, Bem Gil, subir ao palco.

– “Este foi um baião que é um estilo dentro da família do forró, como é o xote, o xaxado, enfim, a música brasileira é uma mistura, sobre influências de todos os lugares, Europa, África. Então vou tocar um xote novo pra vocês”, resume antes de cantar “Despedida de Solteira”.

– “ ‘A Faca e o Queijo’ é uma música que fala sobre o relacionamento do casamento. Há muitos anos eu escrevi uma música pra minha esposa, daí ela reclamou que eu não dedicava mais música nenhuma pra ela e, então, eu escrevi esta. Eu espero que ela tenha gostado. Eu gostei!”. Em meio a risadas, alguém na platéia berra “Quem é a faca e quem é o queijo?” e Gil se delicia numa risada gostosa “Fantástico!”, mas não revela quem é quem.

– “Eu escrevi esta música quando estava em Senegal, dois anos atrás, em meio a preparações e reuniões com pessoas de todo o mundo para preparar o festival de arte que acontecerá ano que vem no país. O slogan da África agora é a renascença do continente. A África e o último local que o processo ainda tem que acontecer em totalidade, realmente. É o único lugar no mundo… Europa está ok, América do Norte ok, América do Sul nós estamos (pausa)… ok, Ásia está aí, olha a China com os Jogos olímpicos. A África ainda merece mais nossa atenção”, discursou antes de cantar em francês “La Renaissence Africaine”.

– “Quando eu fui para Los Angeles, em 1970, pra grava o álbum ‘O Rouxinol’ e tinha esta música, escrita originalmente em português, eu acabei fazendo uma tradução bem ruim para o inglês… Mas vou cantar as duas versões agora para vocês”, desculpa-se sem muito motivo.

2 responses to “Gilberto Gil emociona conterrâneos em Londres

  1. Que engraçado. Acabo de achar o seu blog e ví esse post. Fui eu que gritei ‘Quem é a faca e quem é o queijo??” no show. Eu sou fanzoca do velhinho e não deixo de comparecer a um show.

    Fica aqui um convite pra que você visite os meus Blogs:
    http://www.cucabrazuca.com e o http://www.DicasDeLondres.com.

    Um grande abraço
    Nando Cuca

  2. Nossa, Nando! Que coincidencia! Gostei muito dos teus sites… e tenho algumas perguntinhas tb! Como podemos entrar em contato?

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