Daniela Mercury ofereceu o Canto da Cidade aos imigrantes brasileiros

By Randes Nunes

Após uma apresentação estonteante no domingo, 1º de junho, com mais de duas mil pessoas, na Brixton Academy, Daniela Mercury se superou no show de terça-feira, 3, no Guanabara, recebendo um público bastante reduzido, mas que pulou e dançou samba-reggae como se estivesse em Salvador.
Sorrindo sempre e trabalhando como se estivesse de férias, Daniela atendeu os vencedores da promoção do Brazilian News com uma alegria contagiante logo depois da passagem de som na terça-feira. Fotos, autógrafos, presentes e choros a parte, Daniela explicou e desculpou-se pela falha da produção e organização que não conseguiram trazê-la a tempo de falar com eles após o show de Brixton.
Ainda com o relógio apertado, ela conversou relaxadamente mais de vinte minutos com o Brazilian News.
– A poucos minutos de entrar no palco você está aqui super à vontade conversando com a gente. Você não fica mais nervosa?
Daniela Mercury: Esta é a quinta ou sexta vez que venho à Inglaterra, é a 13ª turnê internacional então eu já vou ficando mais tranqüila, mas internamente sempre tem uma adrenalina nos minutos antes de subir ao palco. Ás vezes eu nem me dou conta do quão nervosa eu fico, porque a adrenalina se transforma em outra coisa, e serve também para aquecer o corpo, para preparar a gente num momento de muita atenção, de concentração, de entrega, o que me ajuda a entrar no palco com muita energia. Já pensou se a gente não tivesse emoção, se tudo fosse muito brando, e eu não sou branda, eu sou extremamente intensa em tudo. Eu sempre pergunto a minha mãe o motivo dessa energia toda, se foi a comida, se foi genética… Quando eu era criança meu apelido era pinga-fogo pra vocês verem, a pessoa não era quieta! Não foi à toa que virei bailarina, para poder concentrar essa energia toda e botar pra fora, me expressar. Sempre fui muito expressiva, comunicativa, mas também tenho meu lado reflexiva, quietinha. Mas toda a eletricidade, a moleca que eu sempre fui, se coloca no palco.
– Como você iniciou sua carreira na música? Você compõe e interpreta, quais são a suas influências mais fortes?
Daniela: Acho que a partir da dança eu virei artista. Meu pai sempre cantava muito em casa pra gente, eu acordava aos domingo ouvindo vários clássicos, até cheguei a gravar um cd de clássico incluindo “Beatles” que eu tava cantarolando na passagem de som. E toda minha família, ninguém cantada ou tocava, minha irmã mais nova, Vânia Abreu, também virou cantora, meu irmão mais novo era DJ, o mais velho também já teve uma empresa de som. Minha irmã mais velha, que não é cantora, canta lindamente. Muitos amigos acabaram se profissionalizando também. E foi com um grupo de amigos que faziam serenatas que eu descobri que podia cantar. E fui cantando, mas eu não pensava em ser cantora, não. A música foi me convidando, tive convites para fazer trio elétrico por muitos anos, fiz barzinho por muitos anos. Depois para fazer parte da banda de Jerônimo, depois da de Gil. Na época eu já tinha iniciado de carreira, tinha minha banda, era solista, mas esperei definir qual realmente seria meu caminho, escolher o que eu iria fazer conceitualmente para depois assinar contratos. Eu cantava muito samba-jazz na noite, mas quando vem esse batuque, essa coisa de carnaval baiano, essa antropofagia baiana que engole tudo, mistura tudo… Daí a cantora resolveu fazer samba-reggae e ser preta!
Mas desde os 13 anos que eu escrevo poesia. Como minha tia escrevia poesia, minha vó portuguesa, Josefina, recitava poesia, daí acho que eu fiquei com esse gosto pela poesia. Juntando com a música o que eu tentava escrever… Mas acho que as canções acabam nascendo junto com a letra, minhas impressões e reflexos, várias dos meus primeiros dois discos ainda. Músicas que foram sucessos na Bahia, que o Brasil não conhece muito “Vida que vida é uma saída…”, é minha maneira de ver o mundo. Os títulos dos meus discos quase todos são meus, de canções minhas.
– Em qualquer lugar do mundo que você vai esta música ainda é e, provavelmente sempre será, reconhecida. Qual tua relação com esta canção que é de tua autoria?
Daniela: É engraçada, pois “O Canto da Cidade” é uma música que fala do negro “A cor dessa cidade sou eu”, e da discriminação “Não diga que não me quer, não diga que não quer mais”, e eu aqui, quando cantei em Brixton, dediquei aos brasileiros que moram aqui. Que têm uma vida muito difícil longe de sua família, longe de seu país, de sua cultura. Pois eu sei o que é ficar muito longe de casa, sei o que é sentir saudades, parece que sempre há algo faltando. Então quando eu cantei, eu vi que “O Canto da Cidade” também simbolizava essa luta dos imigrantes para ser cidadão. É o que os brasileiros têm que cantar pra essa cidade, pois todos os brasileiros iluminam qualquer lugar que eles vão, que é essa força de vida que a gente têm. Você me perguntou… Daniela de onde vem essa energia? Acho que vou responder agora: É porque eu sou brasileira!
– A Daniela moraria fora do Brasil?
Daniela: Eu acho que os brasileiros, pelo menos a maioria, não decide morar pra sempre fora do país. Vem morar por necessidade, conseguir um dinheiro a mais pra enviar pra família, ter uma vida melhor, ou por sonho de conhecer o mundo, de dialogar com outras culturas, de se aperfeiçoar. Eu duvido que eles saiam querendo ficar fora, e eu jamais seria essa brasileira pra mudar isso. Desde pequena como bailarina eu tinha esse sonho de viajar, dançar em todos os lugares do mundo, todo mundo quer voar! Mas eu já não consigo sair da Bahia, sou uma das poucas artistas, creio que da minha geração, eu fui a primeira que decidi ficar em Salvador. Eu vivo no avião, mas minha casa é lá! Ano passado eu fiz uma brincadeira de ficar contando os trechos aéreos, 312! Isso não é morar em lugar nenhum, não é?!
– Para você como artista, como está o nosso Brasil hoje?
Daniela: Eu sou filha de assistente social, sempre acompanho o que está acontecendo no mundo, e faço um pedido a todos os brasileiros para colocar educação em primeiro lugar. Eu acho que o brasileiro não se manifesta, eu queria que as pessoas falassem mais, reclamassem mais, acho que é importante pra exercer nosso papel de cidadão. Outra coisa é que falamos muito de direitos, mas muitos esquecem que o cidadão também tem deveres. Por isso é nosso dever lutar por isso, cuidar do que é público, respeitar os espaços públicos, exigir que a escola pública seja melhor com os pais e alunos, sabendo que são eles que pagam por tudo aquilo através dos impostos. Mas uma população que não está preparada para assumir este espaço tem que ser educada para isso. Por isso que eu acho que educação deve ser prioridade para o Brasil melhorar, ou vamos ficar sempre pra atrás. Com nossa economia mais estabilizada nos temos que projetar nossos sonhos pro futuro e começar agora agir para melhorar a educação. Mas isso agora, no presente, pois a partir da educação as outras questões irão melhorar consequentemente, como a questão indígena que é complicadíssima. Tinha um amigo meu que falava que as pessoas tinham que aceitar o mundo como ele é, e eu falo que aceitar é respeitar. Isso vem com a educação do povo!

4 responses to “Daniela Mercury ofereceu o Canto da Cidade aos imigrantes brasileiros

  1. Adooooro Daniela Mercury! Ela é mesmo um espetáculo!

  2. ateh q enfim um assunto q eu possa comentar hehehe
    ai daniela eh o q ha! ela cantou anjo?
    bjusssssssssss

  3. paulinha,
    parabens por esta e pelas outras matérias, ADOREIII!!!
    bjokasss

  4. Otimo blog parabens
    encontrei esse link achei que poderia ser de utilidade
    http://www.trioeletrico.biz

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