Cubanos esquentam noite fria no sudoeste de Londres

Numa noite em que a previsão do tempo assegurou chuva, a orquestra cubana “Buena Vista Social Club” esbanjou energia num show ao ar livre, reunindo cerca de dois mil espectadores, com seus respectivos casacos e cobertores, no histórico Palácio Real de Hampton Court. Apesar de muitos na platéia não saberem apreciar a qualidade musical – pois estavam mais preocupados em exibir os passos aprendidos nas aulas de dança de salão do que ouvir os acordes emblemáticos dos legendários artistas –, os músicos embalaram seus acorde ritmados, por quase duas horas, num espetáculo encantador, apresentando-se e interagindo com o público, sempre em espanhol.
O convidado especial da noite, violinista Eliades Ochoa, ex-membro da orquestra, esteve à vontade durante toda a apresentação em compania dos compatriotas e amigos Guajiro Mirabal no trompete, Cachaíto López na percussão, Manuel Galbán no violão, Barbarito Torres no alaúde cubano, e Aguage Ramos, no trombone, além dos demais músicos que mantêm os anos dourados dos grandes compositores cubanos e seu mambos furiosos, cha cha chas compassados e boleros cativantes.
O nome “Buena Vista Social Club” veio a ter reconhecimento fora de Cuba com a gravação, em 1996, pelo produtor musical Ry Cooder, envolvendo músicos cubanos de vanguarda que havia, em grande parte, caído no ostracismo. O álbum original, por algum tempo, foi o mais vendido no mundo. O nome se deve a uma antiga casa de shows, clube de dança e atividades musicais de Havana, em Cuba, extinta nos anos 50. A idéia do produtor musical era reunir, em um disco, os maiores artistas cubanos, como se formasse um grupo que, na verdade, nunca havia existido concretamente – os artistas, em geral, tinham suas próprias carreiras, ou tocaram em épocas diferentes. Envolveram-se no projeto os músicos Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Rubén González, Eliades Ochoa, Omara Portuondo, Barbarito Torres, Juan de Marcos González, Manuel “Puntillita” Licea, Orlando “Cachaito” López, Manuel “Guajiro” Mirabal, Amadito “Tito” Valdés e Pio Leyva.
O disco deu origem ao documentário homônimo, de 1998, dirigido por Wim Wenders, quando o alemão Wim Wenders filmou a apresentação do grupo, na Holanda, e uma segunda apresentação, no famoso Carnegie Hall, em Nova York, transformando num documentário, acompanhado de entrevistas feitas em Havana com os músicos. O filme, também denominado “Buena Vista Social Club”, foi aclamado pela crítica, sendo indicado ao Oscar, na categoria de Melhor Documentário, e ganhando o prêmio de Melhor Documentário no European Film Awards.
Culpados pela genialidade musical e impossibilidade do corpo não aderir ao ritmo contagiante de suas canções, os cubanos seguram a chuva que, finalmente, caiu sob o Palácio iluminado ao fim do último retumbar.

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