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Teatro une brasileiros e britânicos em produção bilíngüe

17, Outubro 2008 · Deixe um comentário

Dois palcos, dois teatros, duas peças. Assim se divide a companhia de teatro Nós do Morro que, até o sábado, 18, está em cartaz em Londres com dois espetáculos

Caliban e Miranda

Caliban e Miranda

A temporada inglesa de “Knoking Against My Heart” vai até o dia 20 de novembro, porém em Londres, a última apresentação acontece neste sábado, 18, no Unicorn Theatre, em London Brigde. A peça é uma criação conjunta entre a companhia de teatro inglesa Theatre Center e a brasileira Nós do Morro, numa união orgânica e perfeita entre duas culturas, duas comunidades e duas línguas.

“Quando eu conheci a companhia brasileira de teatro Nós do Morro, em 2005, trabalhando com o filme ‘Hackney to the Favela’, eu vi o exemplo maravilhoso que através da magia do teatro eles representavam. Pela vontade imensa de voltar a trabalhar com eles, num processo criativo mais intenso e com uma colaboração maior de seus atores, eu desenvolvi este projeto. Convidei o escritor e dramaturgo, Dipo, para ir até o Rio de Janeiro a fim de conhecer o grupo e se inteirar da realidade local. Nós não tínhamos nada escrito, apenas a escolha inicial da peça ‘A Tempestade’, de Shakespeare, então começamos com a folha em branco. Toda a peça foi concebida de um processo único de criação entre eu, o escritor e os atores”, revela o diretor Michael Judge, responsável pelo projeto de “Kocking Against My Heart”.

Um dos atores brasileiros, integrante do Nós do Morro desde 1989, André Santinho reafirma a diferença no processo criativo desta peça em particular. “Os atores estavam presentes durante todo o tempo, em cada minuto colaborando com a elaboração do roteiro e dramaturgia. Baseado em nossas improvisações e jogo de cena que surgiu a brincaderia com os animais. Nossos movimentos corporais, dança, capoeira, musicalidade que levou o diretor e escritor a tomar este rumo e chegar no que você viu no palco”, comenta André que tem em seu currículo o filme “Tropa de Elite”, recém lançado no Reino Unido.

Seu conterrâneo é William de Paula que reconhece a dificuldade de interpretar em inglês. “Todo dia eu pratico e treino, porque realmente é muito grande a diferença do som do Português e do Ingl.ês Achar a ritmo, o balanço, a acentuação correta das palavras. Imagina o Caliban ter que falar de amor em duas línguas”, brinca.

Durante os 60 minutos, tanto anglos quanto lusofônicos são capazes de entender o espetáculo que utiliza – o tempo todo – os dois idiomas. Três, dos quatro atores em cena, falam português. Além de serem amparados por outros tipos de linguagens como a corporal, expressões, música, sons, entre outras; a equipe é taxativa ao enfatizar o aprendizado individual que este processo coletivo de montagem possibilitou.

Aclamada por pessoas do meio teatral, este processo criativo um tanto único e que obteve um resultado tão mágico e belo transparece nitidamente o quanto palavras e línguas são supervalorizadas no cotidiano.

“Quem fala duas línguas, seja de criança, pela familia, ou aprendido pela vida, vai descobrindo que a língua, o idioma é só um código usado para falar as mesmas coisas, para nos comunicarmos. Um código é de uma maneira e o outro é de outra, e usando as diferenças é que unimos”, exemplifica a estreiante Mariana Whitehouse, que é filha de mãe brasileira e pai inglês.

Seja brasileiros, inglês, português, africano, latino ou chineses; seja qual for a língua falada; este espetáculo é prova de que a linguagem universal do teatro e sua magia ultrapassam qualquer barreira e passa a mensagem sem – ‘misunderstood, got it?’ – desentendimento, sacou?

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Nós do Morro no Barbican

17, Outubro 2008 · 1 Comentário

Divulgacao

Divulgacao

A companhia de teatro carioca Nós do Morro está em cartaz, nos palcos do Barbican, até o sábado, 18, com a peça shakespeariana “Os dois Cavaleiros de Verona”. Explorando os temas universais do amor, fidelidade, traição e amizade no universo jovem, a apresentacao aproximam-se de sua linguagem popular e musical bem brasileira, tendo em vista, especialmente nesse caso, sua apresentação para o público internacional e tendo como fundamento a certeza de que a arte é o meio primordial para a ruptura de qualquer barreira existente para o entendimento e compreensão de universos culturais, lingüísticos e nacionais diversos. Além disso, o texto de Shakespeare suscita uma reflexão a ser explorada na concepção artística do espetáculo ao apresentar o dilema entre a atração de centros de cidade ou centros sociais e culturais, considerados mais desenvolvidos e propícios para ascensão social e complementação cultural dos jovens frente ao dilema da opção pelo amor e permanência, por ele, na província.
O grupo foi convidado pelo Barbican Centre para participar das comemorações dos 10 anos do festival “Bite”, o Nós do Morro está alocado no Pit Theatre. O Barbican é o maior centro de multi-arte da Europa e o festival “Bite” desenvolve há oito anos um programa de caráter único pela multiplicidade de produções abrangendo teatro, música, artes visuais, dança e comédia, sempre com novas idéias e propostas artísticas.
Barbican – The Pit
Até dia 18 / às 19:45, 14:30
Tickets: £12
* Em Português com legendas em Inglês

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Carlos Lyra chora ao cantar em Pobre Menina Rica emocionando a platéia

7, Julho 2008 · 2 Comentários

By Randes Nunes

Para completar a semana de eventos, shows e espetáculos homenageando os 50 anos da Bossa Nova, na terça-feira, 27 de maio, Carlos Lyra participou na peça teatral, “Pobre Menina Rica”, de sua autoria com parceria de Vinícius de Morais. Sua participação foi simplória, mas emocionante – tanto para a platéia quando para o próprio músico, que declarou ficar comovido ao ver “Esses músicos e artistas maravilhosos tomando conta do meu bebê”.

A peça foi escrita em 1963 e os próprios Carlos e Vinícius, juntamente com Nara Leão no papel da Pobre Menina Rica, eram os atores da comédia-musical que conta a historia de amor entre o Mendigo Poeta e a Pobre Menina Rica. A peça retrata os dois lados da sociedade carioca dos anos 60, com todo o seu glamour e suas contradições sociais, onde o centro da narração é a força do amor entre a Pobre Menina Rica e o Mendigo Poeta, uma ousadia também refletida na modernização da música brasileira daquela época.

A montagem apresentada na Canning House, que contou com a participação especialíssima de Lyra, foi interpretada por Gui Tavares (violão e voz) – assinando também a produção musical –, Maria O’Connnel (voz), Rogério Corrêa (voz) e Uirá Cairo (percussão). Interpretada em inglês, mas sem perder o seu charme original.

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Atores brasileiros encenam Nelson Rodrigues, em inglês, em Londres

4, Julho 2008 · 3 Comentários

Autor e atores brasileiros, montagem e língua inglesa. Esta pode ser uma breve descrição da peça teatral produzida pela companhia StoneCrabs “Toda Nudez Será Castigada”, ou melhor, “All Nudity Shall Be Punished” que estreou na terça-feira, 25, e seguirá em cartaz até o dia 19 de julho, no Union Theatre (204 Union Street – SE1).

Com apresentações de terças a sábados, com ingressos variando entre 8 e 12 libras, três atores do elenco – Najlla Kay, Natan Barreto e Laura Arantes – devotam um carinho a mais ao espetáculo, pelo simples motivo de que dividem a mesma língua e país do dramaturgo e escritor brasileiro, Nelson Rodrigues.

Os três já eram atores no Brasil, com currículos longos que nem conseguem mais contabilizar quantas peças já participaram. Com motivos diversos – como a maioria dos brasileiros – pelos quais os levaram a vir morar em Londres, eles tiraram 30 minutos pouco antes da segunda apresentação da temporada para conversar com o Brazilian News e repartir um pouco a experiência de fazer teatro em inglês, para o público internacional, interpretando um texto de Nelson Rodrigues.

Najlla, em 2005, fez a “Valsa nº 6”, um monólogo, também de Nelson Rodrigues, em que atuou falando em inglês, numa época em que ainda não dominava e não se sentia segura com a língua. “Desta experiência eu percebi que era possível ser atriz aqui e, ainda mais, trazer escritores do Brasil pra cá, assim como a gente leva Shakespeare entre outros pro Brasil”, revela a atriz natural de Vitória da Conquista, interior da Bahia.

Natan, que interpreta o personagem principal Herculano, defende que a aceitação dos textos e visões surreais de Nelson Rodrigues podem ser comparadas com as do cineasta Pedro Almodóvar ou do dramaturgo Garcia Lorca, o que é reconhecido por qualquer cultura do mundo, com aspectos regionais, porem sem ser bairrista e fechado a uma nacionalidade. “Nelson pega elementos que são universais e coloca tudo juntos, causando aquela loucura, com sentimentos bastante intensos, à flor da pele”, explica.

Natan ainda vai além e descreve em poucas palavras, segundo ele mesmo, a história do melodrama Rodriguiniano. “O meu personagem é Herculano, um homem puritano, católico, de 42 anos, que teve relações sexuais apenas com mulheres, sua esposa morreu de câncer de mama. Ele continua em luto com um amor sem fim por ela, nessa relação louca. Ele tem um filho que também é apaixonado pela mãe e compartilha o luto do pai e que pede ao pai para que este nunca mais tenha relações sexuais com nenhuma outra mulher. Essa relação entre pai e filho é muito forte. Mas tem o irmão de Herculano, que seria o malandro da história, que consegue persuadi-lo a encontrar Geni, a prostituta. Quando isso acontece é como se o monstro que estava escondido dentro de Herculano, na sua religião, na relação com a sociedade, da forma que se reservava do mundo, vem à tona, auxiliado pela bebida e pela prostituta. Daí que desenrola o enredo e o público aceita e gosta muito porque entendo o melodrama da situação, e é engraçado e surpreendente”, conclui. Najlla complementa “É tão dramático, é tão absurdo, que chega a ser engraçado esse exagero e essa mistura dos piores sentimentos humanos, a obsessão pela morte”.

Num balanço sobre a primeira apresentação, eles concordam que esse tom de comédia foi essencial e ajudou a ajustar o ar mais pesado que o turbilhão de sentimentos trabalhados por Nelson no texto possa causar a platéia. “O público ontem [terça-feira, 25] riu muito”, lembra Natan. “E olha que essa é considerada a peça mais pessimista de Nelson Rodrigues”, ressalta Najlla. A explicação pode ser tirada do humor inglês, que mundialmente, é definido como negro e sem graça – mas isso já é uma outra discussão.

Laura relata um desses momentos jocosos e absurdos da montagem. “Herculano fala para as tias que o filho está o condenando por ele passar talco nos pés. ‘Vocês acham isso obsceno’, pergunta as tias. E as velhinhas respondem ‘Achamos! Claro!’. E nesse mundo soturno de Nelson que faz a loucura parecer tão sana”, conta meio que já interpretando as velhinhas, com uma voz teatralizada.

Interpretar em Inglês

Natan, após ter tido uma formação acadêmica em interpretação teatral, na UniRio, e desenvolver a profissão de ator ainda no Brasil por algum tempo, acabou deixando os palcos de lado, durante em sua jornada internacional – chegou a morar em Paris e Roma. Há 16 anos em Londres, ele realizou muitos trabalhos como intérprete e escritor. No ano passado, foi voltando a atuar em pequenos papéis e fazendo pontas e, para marcar seu retorno aos palcos, encara logo um Herculano de Nelson. “Está sendo uma volta muito forte, ainda mais com a questão da língua. Nós três somos atores brasileiros que falam Português e percebemos isso ao fazer uma peça. Por mais que todos falem inglês, nós sabemos que vamos gaguejar, que não conseguiremos nos expressar da mesma forma que a gente se expressa e se comunica em Português. É fácil perceber isso nos ensaios, lendo o texto que iríamos apresentar em inglês, mas corríamos para o original em português, para dizer a frase em nossa língua mãe. Pois quando lemos em português e algo orgânico, o que não acontece com o inglês, que seria como uma língua Filha Adotada, bem diferente da nossa língua Mãe, que é ajudada por ela”, teoriza.

Com 34 anos fazendo teatro, os últimos três em Londres, Laura conta que dirigiu sua primeira peça aqui e em Inglês. “Eu já fiz alguns trabalhos em Inglês, mas todos menores. Esta peça que eu dirigi, acabei tendo que atuar em função da desistência de uma das atrizes, o que não foi muito problemático, pois eu havia ensaiado bastante o texto com os atores, ajudando a memorizar e tal. Mas estou achando ‘Toda Nudez’ mais difícil, por ser um drama e eu ter mais experiência com comédia. Adoro ver o público rindo. Acho que sou como um palhaço. E eu avisei o diretor, cuidado comigo, pois eu adoro uma comédia!”, diverte-se Laura, que interpreta a tia e o padre.

Público brasileiro

“Infelizmente, eu acho que o nosso público não é brasileiro. As pessoas não têm costume e cultura de ir ao teatro no Brasil, o que é uma pena. Eu tenho contato com alguns brasileiros e eu sempre convido todos a vir assistir ao espetáculo, eles dizem que vem, mas é muito raro alguém aparecer mesmo”, lamenta Najlla.

“Por uma questão de amizade, alguns ainda vem assistir, mas pela questão cultural, eu acredito que não. Nosso público é constituindo de ingleses e amigos íntimos. Outros brasileiros, interessados em ver um espetáculo brasileiro montado aqui é uma parcela muuuito menor”, concorda Natan.

“O perfil do brasileiro que está em Londres hoje é completamente diferente do brasileiro de 20 anos atrás. O de 20 anos atrás viria assistir pelo elo cultural, os de hoje estão ligados na televisão – falada em português! –, e ficam em casa para assisti-la”, indigna-se levemente Laura.

Talvez a língua, talvez a questão financeira, vários são as desculpas que os atores conseguem levantar para que o público brasileiro não seja freqüente nos assentos do teatro. Agora, depende de cada brasileiro, morador da capital inglesa, contradizê-los e ir prestigiar os conterrâneos que enfrentam, na Inglaterra, praticamente os mesmo problemas em trabalhar com arte e cultura do que no Brasil.

Patrocinadores

Com um apoio bastante reduzido e a concorrência maciça dos musicais, Najlla, Natan e Laura afirmam que, apesar de ter uma economia equilibrada e geradora de renda, é tão difícil quanto no Brasil obter patrocinadores para a cultura, seja ela qual for.

Os patrocinadores desta montagem são The Royal Victoria Hall Foundation, Embaixada do Brasil em Londres, The Mercers company, Canning House, Friends of Latin America Expression, Union Theatre e outros anjos como Alvin Wong, Edward Day, Adam Elphick, Yvette Francis, David Newlyn Gale, Tom and Adah Kay, Dr. Adrian Lim, Harald & Esther Oberbeck, Gill Phillips, Garth Robertson, J Roelofs, N Martin Smith,
Jenny Thompson, Debora Eiko Batista Takeuchi, James Scott, Dr Richard Mead.

Ficha técnica

Direção Kwong Loke.

Designer Ryszard Andrzejewski.

Elenco Najlla Kay, Natan Barreto, Tyrone James, Patrick Ross, Ruth Posner e Laura Arantes.

Produção StoneCrabs.

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