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Maior nevasca nas últimas duas décadas paralisa Londres

27, Fevereiro 2009 · Deixe um comentário

…trazendo caos para uns e alegria para muitos


Camada de neve passa de 30 cm

A maior nevasca dos últimos 18 anos parou Londres nesta segunda-feira, 2, com escolas fechadas, cirurgias hospitalares reduzidas, estradas bloqueadas, aeroportos parados ou operando no mínimo, futebol suspenso e até o prefeito de Londres sendo obrigado a ir de bicicleta para o trabalho pelas dificuldades de tráfego.

As autoridades advertiram para as próximas horas de “condições meteorológicas severas”, pois a neve que começou no domingo por volta das 20 horas continuou na segunda-feira, e pediram aos cidadãos que evitem usar as estradas se não for estritamente necessário. A advertência meteorológica é para toda a Inglaterra, País de Gales e partes do leste da Escócia, já que a neve deve demorar para derreter e a previsão é de mais neve na quinta e sexta-feira.

A tempestade de neve vem acompanhada de baixas temperaturas, em torno de -5ºC, no inverno mais frio do Reino Unido nos últimos 14 anos. Algumas localidades chegaram a marcar -10ºC – algo totalmente incomum. A neve ainda forçou o fechamento de centenas de escolas e a suspensão das aulas.

O caos ficou completo, em Londres, logo nas primeiras horas da manhã de segunda-feira quando as pessoas acordavam para enfrentar a semana de trabalho e encontraram as ruas brancas de neve e sem os icônicos ônibus vermelhos circulando. Todos os ônibus foram retirados do serviço, segundo o Transport for London, serviço de transporte da capital, devido ao “tempo adverso e às perigosas condições para a condução”.

Apesar da nevasca ter sido prevista uma semana antes, nenhuma medida para evitar demasiados transtornos e caos – exatamente o que aconteceu – foi tomada pelo governo e órgãos competentes. Londres não possui maquinário e ferramentas adequadas para desobstruir ruas e passagens públicas. Sal é utilizado, porém não havia em quantidade suficiente. Areia foi o artifício mais utilizado, apesar de tardio, e é considerada a pior solução, pois após derreter uma lama é formada, podendo entupir ralos e bueiros – fato que não acontece com sal.

Para piorar, 10 das 11 linhas de metrô não estavam com seus serviços normais, três totalmente paradas e as demais com rotas reduzidas e estações fechadas. A maioria das linhas do metrô londrino tem estações externas, motivo pelo qual alguns trens não puderam seguir devido a trilhos congelados.

Outro meio de transporte importante para Londres é o sistema ferroviário que também apresentou diversos problemas e grandes atrasos. As estradas se acumularam quilômetros de engarrafamentos, com centenas de caminhões presos na neve, enquanto os aeroportos fecharam ou operaram com pouquíssimos vôos.

A companhia aérea British Airways, por exemplo, cancelou até as 17 horas da segunda-feira todos os seus vôos de curta e longa distância que partiriam do aeroporto Heathrow.

No aeroporto de Gatwick os vôos seguiram operando, mas com grandes atrasos e alguns cancelamentos, e o London City Airport, no centro de Londres, fechou completamente. Em Stanstead, o quarto aeroporto da área da capital britânica, o pessoal da companhia aérea Ryanair informou aos passageiros que mais de 70 vôos foram cancelados.

O mesmo ocorreu no aeroporto de Leeds, no norte da Inglaterra, onde a pista pôde ser reaberta, mas já com dezenas de vôos cancelados, atrasados ou desviados para outras cidades.

O prefeito da cidade, Boris Johnson, que foi de bicicleta até seu escritório, anunciou a suspensão da taxa de 8 libras (congestion charge) ao trânsito privado pelo centro da capital como “um gesto de agradecimento àquelas pessoas que se transferiram até seus postos de trabalho nesta manhã”.

O Serviço Nacional de Saúde (NHS) precisou suspender numerosas operações cirúrgicas nos hospitais e teve um significativo aumento das ligações para o serviço de emergência, que, no entanto, só atendeu casos de vida ou morte.

O mundo das finanças notou também o efeito da nevada pelas dificuldades dos banqueiros e negociantes para chegar até a City londrina, que registrou um volume de negócio semelhante ao de datas como a véspera de Natal.

Também foi cancelado o jogo de futebol no Emirates Stadium, onde o Arsenal deveria jogar sua segunda partida de eliminatória da Copa da Inglaterra contra o Cardiff City. (Com informações de agências internacionais)


Reação dos brasileiros com a neve londrina

Paula Medeiros e Julio Piunti

Numa cidade onde brasileiros estão mais acostumados a estudar e trabalhar, ao invés de ter tempo livre e se divertir; a neve provou que Londres também pode ser acolhedora, alegre, divertida e encantada.

Alguns depoimentos e fotos enviados a nossa redação mostram um pouco a reação que tomou conta da comunidade brasileira em Londres nestes últimos dias. Ainda mais para aqueles que emendaram o final de semana pela falta de opção de transporte!

Flora, Patrícia, Manoela, Luís e Carlos
Foi uma grande surpresa pra todos nós essa nevasca. UAU: essa foi a reação quando vimos e corremos para o parque. Como é difícil nevar forte assim, foi comum todos irem se divertir no parque, fazer bonecos de neve… E aí o que conta é a imaginação e a criatividade de cada um! Até snowdog – um cachorro de neve – foi feito. Na hora da diversão, vale fazer guerra de bolas de neve e escorregar na neve com seus equipamentos tecnológicos improvisados, utilizando como escorregadores placas de aluguel ou venda de casas, papelões, banheira de neném e até fôrma gigante de fazer bolo! Foi uma festa generalizada com famílias inteiras se divertindo na neve. Simplesmente o clima foi de absoluta alegria. Cruzamos com as pessoas nas ruas e no parque e como se todos fossem amigos de anos começamos uma guerra de neve. Bem, como todo bom brasileiro, basta muito pouco pra fazermos uma festa. Com certeza vai ficar o mais importante desse dia: a grande confraternização e clima de amizade que a natureza nos proporciona.”

José Duarte
“Este é o meu quinto inverno em Londres e potencialmente o último (irei embora em setembro).
Quando vi nesta manhã a minha rua sem movimento e totalmente coberta de neve, bem como os vários carros, confesso que me emocionei e como cristão, agradeci ao presente que Deus me deu no meu último inverno londrino. Irei com muita saudade.”

Kellen Cristina Mota
“Deus faz coisas grandes e nesse dia fomos privilegiados pela neve. Um fenômeno maravilhoso onde pudemos brincar, fazer um snowman e nos divertir com os amigos.”

Lucinéia Pedro Piunti
“O dia estava lindo e mágico! As crianças brincando, os adultos também, todos sorrindo e se confraternizando naquela neve que gelava os nossos corpos, mas ao mesmo tempo aquecia todos os corações.”

Nadir Torres da Silva
“Ver neve é voltar a ser criança, onde a euforia toma conta e você esquece dos afazeres e compromissos. Seus olhos brilham e o coração bate mais forte. Esta foi uma oportunidade em que veio à tona a lembrança de meus pais e amigos que aqui estiveram, mas não tiveram o mesmo privilégio de ver Londres coberta de neve e parecendo filme de Natal: fotos, sorrisos e novos amigos. I love snow!”

Daniele Yogui
“Tudo ficou lindo e tão rápido, tão branco, me deu até uma certa paz. E dentro de um instante, na rua, me senti criança de novo envolvida com as guerras de bola de neve entre os transeuntes. Vou levar na memória um souvenir diferente do normal em relação ao inverno de Londres, com certeza.”

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Há 70 anos não neva em Londres em outubro

29, Outubro 2008 · Deixe um comentário

Pegadas na neve na ponte do Milênio

Pegadas na neve na ponte do Milênio

Desde 1934 que a capital britânica não via neve tão cedo em seu inverno. Na manhã desta quarta-feira, 29, londrinos acordaram e puderam observar campos brancos pela janela, em função de uma frente fria vinda do Ártico que atingiu a capital na noite anterior, fazendo nevar por duas horas e que diminui drasticamente a temperatura, chegando a ser menor que em Moscou, capital da Rússia.

Algumas áreas ao norte de Londres a temperatura de zero graus permaneceu por longas horas, conservando a neve que chegou a atingir cinco centímetros. A mair parte da cidade foi atingida por volta das 10 horas da noite, contrariando as previsõesde que a cidade escaparia de um inverno rigoroso este ano.

Em Brent, uma camada um tanto grossa de neve surpreendeu os moradores que viram seus carros ficarem cobertor de uma neve fofa e pesada em poucos minutos. “Eu fiquei muito supresa, parece que o Natal chegou mais cedo este ano. Esta manhã estou indo pro parque construir um boneco de neve e deslizar na neve!”, contou empolgada a estudante Charlotte Hussey.

Por causa da neve e gelo na pista, um homem foi hospitalizado após perder o controle de seu carro quando dirigia na M25, próximo a Enfield. Seu Renault rodou na pista e parou num canal ao lado da estrada.

A geada, a neve e o ar congelante são resultados de uma frente fria vinda do Ártico que moveu a brisa mais morna vinda do Atlântico que estava posicionada sobre a ilha britânica anteriormente. “O que nós presenciamos na terça-feira à noite foi o resultado de um ação climática provinda do Ártico que atingiu Londres”, explicou o metereologista inglês, Byron Chalcraft.

“O Ártico tem registrado temperaturas muito baixas este ano, então estes ventos incomuns chegaram às ilhas britânicas, o que resultou nesta queda de temperaturas esta época do ano. E ainda mais incomum foi ver neve”, disse.

“O último registro de neve foi em outubro de 1974, mas a última vez que a neve atingiu Londres, deixando uma cobertura branca, como aconteceu foi em 1934”, revelou Chalcraft.

A previsão havia anunciado anteriormente que geadas poderiam ocorrer em algumas áreas, porém o que houve foi uma neve caindo por horas e cobrindo os campos com uma fina camada branca e fofa.

Na manhã seguinte a maioria da neve e gelo já havia derretido na cidade, dando lugar a um dia ensolarado, mas com temperaturas baixas que devem permanecer durante todo o final de semana.

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