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Acadêmicos discutem pesquisas sobre comunidade brasileira no Reino Unido

27, Fevereiro 2009 · Deixe um comentário


Pesquisadora Ana Souza, responsável pelo Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido, abriu o seminário.

Nesta terça-feira, 27, o Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido (GEB) promoveu o “1º Seminário sobre Imigração Brasileira no Reino Unido: Diálogos com os Brasileiros em Diáspora”, que contou com a presença de cerca de 30 pessoas, entre intelectuais, acadêmicos e líderes da comunidade brasileira em Londres.

O evento iniciou com a apresentação do professor da Royal Agricultural College’s School of Business, Luis Kluwe, que desenvolve a pesquisa “A alimentação na Diáspora e Empreendimentos Étnicos”, que tem como objetivo averiguar as relações socioeconômicas dos brasileiros no Reino Unido através do consumo de produtos típicos brasileiros.

Kluwe afirma que, quando no exterior, migrantes de uma mesma comunidade tendem a consumir alguns itens com maior regularidade de quando estavam no próprio país, talvez como uma tentativa de se afirmar a própria cultura. “Há uma afirmação étnica (até nacionalista) de se demonstrar brasilidade pela ingestão de caipirinha, feijoada, coxinha de galinha, arroz, e rejeição de alimentos ‘ingleses’ como, por exemplo, a batata. Nesse caso o alimento passa a ser um objeto transacional, um símbolo”, explicou.

O segundo palestrante do seminário foi o estudante de doutorado pela Universita Degli studi di Milano, por Edmar da Rocha, que expôs dados imigratórios bastante relevantes, porém ainda sem embasamento empírico sobre a exploração das relações de igualdade e oportunidades dos imigrantes latinos americanos no mercado de trabalho, na moradia e na comunidade. Todos os dados levantados pelo pesquisador são estimativos, como o número inacurado de que haja de 150 a 300 mil brasileiros no Reino Unido.

A dificuldade em efetuar tal pesquisa é obvia geograficamente, além do problema de questões legais de alguns imigrantes – muitos dos quais não arriscam sua sobrevivência, mesmo que garantido o anonimato, em preencher qualquer tipo de pesquisa ou formulário.

A platéia levantou outras questões bastante importantes, como o papel do Consulado brasileiro para esta comunidade tão carecida de informação e ajuda. O representante do Consulado presente adiantou que, cada vez mais, a instituição vem trabalhando para fortalecer o link com a comunidade e se tornar este amparo para os brasileiros no país – sem importar o ‘status’ imigratório.

Grupo de Estudos sobre Brasileiros no Reino Unido

O GEB, atuante desde junho de 2008, foi fundado exatamente em função da necessidade de se promover o estudo, a publicação e divulgação de pesquisas relacionadas a comunidade brasileira no Reino Unido. Os interessados em participar ou conhecer melhor o trabalho do grupo devem contatar Ana Souza atravésdo email geb.anasouza@yahoo.co.uk

Dados importantes ainda não passam de estimativas



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Reino Unido inicia emissão de carteira de identidade para imigrantes

23, Dezembro 2008 · Deixe um comentário

A nova carteira de identidade que contém dados biométricos está sendo introduzida aos poucos entre os imigrantes e, a partir de 2009, servirá também para cidadãos britânicos. Os cidadãos que não são europeus e vivem no Reino Unido poderão solicitar o documento. A primeira fase do programa, o Governo quer fazer com que toda a população tenha este documento.

Os primeiros documentos emitidos serão destinados a estudantes ou pessoas casadas com britânicos que tenham que renovar sua permissão de residência, informou o Ministério de Fronteiras e Imigração. “É um documento importantíssimo para a que os imigrantes sejam aceitos e se integrem mais facilmente na sociedade inglesa, além de revolucionário tendo em vista a tecnologia empregada”, declarou a diretora executiva da agência de intercâmbios LondonHelp4U, Francine Mendonça. A carteira consta de foto, nome, data de nascimento, nacionalidade e status migratório do interessado, assim como um chip com informações biométricas, como a impressão digital.

O governo prevê que, até o final de março, serão emitidas entre 50 mil e 60 mil carteiras, que poderão ser solicitadas nas sedes do departamento de imigração em Croydon (sul de Londres), nas cidades inglesas de Sheffield, Liverpool e Birmingham, na localidade escocesa de Glasgow e na capital de Gales, Cardiff.

A ministra do Interior, Jacqui Smith, afirmou que “a carteira de identidade para estrangeiros substituirá os documentos em papel (concedidos aos não europeus) e dará aos empregadores uma forma segura de verificar o direito do imigrante de trabalhar e estudar no Reino Unido”.

O plano do governo é que dentro de três anos todos os estrangeiros (que não fazem parte da comunidade européia) que desejem residir no Reino Unido solicitem a carteira, para que 90% dos estrangeiros tenham esta identificação até 2014.

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Imigração aumentou 24% no Reino Unido em 2007

23, Dezembro 2008 · Deixe um comentário

O número de imigrantes no Reino Unido aumentou 24% em 2007 em relação ao ano anterior, para um total de 237.000 pessoas, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Segundo dados da ONS, o número de imigrantes estabelecidos no país aumentou em relação a 2006 porque as chegadas não foram compensadas com saídas.

O número estimado de pessoas que chegaram à Grã-Bretanha em 2007 para morar 12 meses foi de 577.000, comparado com 591.000 no ano anterior, enquanto a quantidade de quem deixou o país passou de 400.000 em 2006 para 340.000 no ano passado.

As estatísticas apresentadas indicam que o número de imigrantes aumentou em 1,8 milhão de pessoas desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em 1997, ano em que o número líquido foi de 50.000.

A ONS também disse que o número de solicitantes de asilo no Reino Unido entre julho e setembro deste ano foi de 6.620, 12% mais que no mesmo período de 2007, o que representa a quinta alta trimestral consecutiva.

Nos 12 meses até setembro passado, houve um total de 25.800 pedidos de asilo, 15% mais que nos 12 meses precedentes.

Também houve um aumento do número de pessoas que deixou o país entre julho e setembro, para 17.500 pessoas, 9% mais que no mesmo período do ano anterior, diz a ONS.

A ONS informou também que o número de pessoas da Europa do Leste que foram registradas para trabalhar neste país de julho a setembro de 2008 caiu em 21.000, comparado com a do mesmo período de 2007, rompendo assim uma tendência dos últimos anos. (Informações agências internacionais)

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Filme sobre Jean Charles agita comunidade brasileira em Londres

27, Setembro 2008 · 6 Comentários

Selton Mello como Jean Charles

Selton Mello como Jean Charles

Na última quinta-feira, 18, a equipe de gravações do filme sobre a vida do brasileiro Jean Charles de Menezes encerrou os trabalhos na capital britânica. Eles continuam filmando por mais algumas semanas, no Brasil, e pretendem lançar o filme na metade de 2009, provavelmente, próximo a data que marcará quatro anos da trágica morte, ocorrida na estação de metrô Stockwell, quando Jean foi morto com sete tiros pela Polícia britânica, em 22 de julho.

Foram dois meses de trabalho intenso e que agitou a comunidade brasileira em diversos sentidos. Atores novatos que foram grandes revelações durante as filmagens como o açougueiro Marcelo Madureiro Soares e o bancário Rogério Antônio Dionísio, que interpretaram os irmãos Barroso, Chuliquinho e Bislei. Os dois foram destacados por suas interpretações tanto pelo diretor do filme Henrique Goldman, como por um dos atores principais, Selton Mello, que interpreta o Jean Charles. Centenas de outros brasileiros que moram em Londres também participaram do filme como atores e figurantes.

Com tantos artistas pela cidade outros muitos tiveram a oportunidade de tirar foto e até conversar um pouquinho com estrelas como Selton Mello – que estava sempre disposto a tirar fotos com os fãs –, Vanessa Diácono, Luis Miranda e Sidney Magal – que mostrou-se um animador excelente nas gravações de seu “show” para uma das cenas do filme. O filme tem como Diretor de Fotografia Guillermo Escalon, Produção de Luke Schiller, e Produtores Executivos Stephen Frears e Rebecca O’Brien. A produção está orçada em torno de R$ 8 milhões.

A família, após muita insistência do diretor Henrique e ter passado um pouco os piores momentos do acontecido, suporta e auxilia o filme. Tanto que a prima de Jean, Patrícia Armani, participa como atriz do filme interpretando ela mesma. “Nós, eu, Vivian e Alessandro, ajudamos contando como o Jean era, do que ele gostava, o que ele fazia. O Henrique me convidou para fazer meu próprio personagem no ano passado. Eu achei uma loucura! Topei e desisti várias vezes, pois nunca tinha me passado pela cabeça ser um atriz. Na realidade eu não sou atriz, por favor! E eu fazer eu mesma, achava um pouco complicado, como até agora ainda estou achando, mas está sendo uma experiência muito legal”, revelou Patrícia ao Brazilian News.

O BN também conversou com Henrique Goldman e Selton Mello. Confira trechos da entrevista abaixo.

O diretor, Henrique Goldman

Brazilian News: Quando você ouviu a história do Jean Charles e, a partir daí, como surgiu a idéia do roteiro?
Henrique Goldman: A primeira vez que ouvi foi no dia em que mataram ele. Como todo mundo, eu sabia que tinham matado um terrorista no metrô e, como a maioria, senti-me aliviado, pois vidas de inocentes seriam poupadas. No dia seguinte, minha esposa me ligou e disse que o rapaz que mataram era brasileiro, que o terrorista era brasileiro. Eu disse “Imagina, você está louca, de jeito nenhum o terrorista vai ser um brasileiro”. Daí, em seguida, a gente veio a saber o quê realmente era.
Logo depois eu me interessei em fazer o filme. Eu estava pensando em fazer um documentário, mandei o projeto para a BBC, para o Channel 4, mas era logo depois e não houve interesse. Passaram-se alguns meses eu recebi um e-mail do Fernando Meirelles, que é um amigo, o diretor do “Cidade de Deus”, dizendo que iriam me procurar para saber se eu queria dirigir o filme.
Então, começou como este projeto para a BBC que acabou não acontecendo, ainda bem, pois era um projeto ruim, mas eu ia fazer para tentar mostrar algo sobre o fato. Mas a BBC tirou o filme da tomada e eu peguei o projeto para mim. Comecei a escrever o roteiro com o Marcelo Starobinas.

BN: Qual o principal motivo por você ter vestido a camisa do filme?
Goldman: Por alguma razão, por questões autobiográficas… Eu me identifiquei com essa história. Eu sou fascinado por “outsiders”. Todos os filmes que eu faço acabam, de um modo ou de outro, sendo a respeito de “outsiders”, estrangeiros, gente estranha em terras estranhas. E essa história é isso: brasileiro aqui em Londres. Aí a gente começou a investigar a vida dele, para saber quem era o Jean Charles. Investigar não no sentido policial, mas de descobrir quem era a pessoa. Eu descobrir muitas coisas em comum entre eu e ele.

BN: Como você descreveria o brasileiro Jean Charles
Goldman: Ele era um sonhador, um cara ambicioso, um batalhador, um trambiqueiro, muito engraçado, caótico, boa gente, invocado, mulherengo. É uma pessoa bem contraditória, complexa, interessante também.

BN: E como você se identificou com ele? Em que sentido?
Goldman: Na verdade, eu acho que quando a gente conta uma história, que tentamos primeiro encontrar uma coisa que nos conecta com a história, com a esperança que o quê nos conecta também conecte ao público com a história. O lado universal da história. E essa coisa do “outsider” é um tema universal. Tema de quem está no estrangeiro, em terra estranha, tem a ver com a Bíblia, são coisas que tem a ver com a Odisséia, com mitologia de muitas culturas. E, assim, espero que muitas pessoas, como eu, encontre alguma conexão com o personagem.
A minha conexão foi brasileiro em Londres, idealista, sonhador, essa coisa do mundo dos brasileiros em Londres. Isso me fascina muito! Pois aqui você encontra um tipo de um extrato purificado do Brasil, um mínimo denominador comum de todo o Brasil está aqui reunido. Como se fosse um sumo concentrado do Brasil. O mundo do filme é o mundo dos peões brasileiros aqui em Londres, dos motoboys. Eu nunca conheci nenhum goiano no Brasil. Todos os goianos que eu conheço estão em Londres. Existe esse um Brasil que eu só vim encontrar aqui. Talvez a gente se sinta mais brasileiro em Londres do que no Brasil, e isso também é uma coisa comum a todos os estrangeiros, em todas as culturas.

BN: O filme culpa e acusa a polícia pela morte de Jean Charles?
Goldman: Apesar de não ser um filme sobre a polícia, apesar de não ser um filme deliberadamente político o filme tem implicações políticas e é uma denúncia, espero que a mais forte possível, contra a polícia. Pois eu acho que para as pessoas se revoltarem e ficarem mais conscientes do absurdo que foi o comportamento da policia, a gente não precisa falar da polícia, a gente precisa falar quem foi o Jean Charles. Mostrar para as pessoas quem foi morto. O quê o mundo perdeu e a dor da família dele. Que um cara tão legal, tão amante da vida, tão engraçado foi morto de um jeito tão absurdo! E, depois, o comportamento absurdo da polícia de ter tentado sujar o nome dele, encobrir as mazelas. O filme é um libelo contra a polícia, no fundo. Só que o tema principal não é a polícia, mas emocionalmente a gente espera que a revolta das pessoas contra a polícia seja maior ainda.

BN: Como foi a aproximação de vocês com a família? Como eles estão colaborando com o filme?
Goldman: A família do Jean, especialmente os primos, sofreu muito. Claro que os pais também sofreram, mas o filme é sobre os primos que estavam morando aqui com ele. Eles foram tratados muito mal pela imprensa, pela polícia, eles foram usados. No princípio, com razão, eles tinham muitas suspeitas de quem iria fazer um filme, o que é totalmente compreensível, mas acredito que com o tempo a gente se aproximou. Tanto é verdade que a Patrícia [Armani], uma das primas faz papel de si mesma no filme. Eles todos, de uma maneira ou de outra, colaboram com o filme. Então foi interessante, o depoimento deles foi muito importante, muito válido.

BN: Vocês estão utilizando bastante a comunidade brasileira, de Londres, no filme. Figurantes e atores também, certo?
Goldman: Nós ficamos um ano e meio procurando na comunidade brasileira de Londres o que há de melhor, entre motoboys, peões, etc. Encontramos gente que nunca tinha atuado na vida, como o Marcelo que é açougueiro da Casa de Carnes Brasil, que faz o papel de Chuliquinho, o cara é… nossa! Ele é um monstro de ator! É maravilhoso, mas é mesmo, é comovente, engraçado, um talento incrível!

BN: E como está sendo a experiência de trabalhar com esses “novos talentos”?
Goldman: Ah! Um tesão! Não tem outro jeito de dizer. É que este filme tem toda uma dualidade. Por um lado é baseado em fatos reais, mas em nosso roteiro nós ficcionalizamos os fatos reais. Por um lado a gente tem atores que nunca trabalharam e pessoas que fazem papel de si mesma, e, por outro, a gente tem Selton Mello e Vanessa Giácomo. Por um lado é um filme brasileiro, por outro é um filme inglês. Ele é um filme cheio de dois lados.

BN: Como você definiria a comunidade brasileira em Londres?
Goldman: São, na maioria, jovens sonhadores, ambiciosos, gente que trabalha duro. Mas o engraçado é que sempre os estrangeiros são retratados aqui na Europa do mesmo jeito. A direita retrata com medo, como uma doença que está invadindo a Europa. A esquerda retrata como um bando de coitadinhos. Mas a minha experiência na comunidade brasileira não é nem uma coisa, nem outra. Ninguém é coitadinho, são jovens ambiciosos, trabalhadores, sonhadores, gente que vem para cá dar duro, que se sente livre, muitas vezes, da caretice das famílias, vem pra cá para fazer uma grana e ter uma vida melhor. Por tudo isso, o nosso filme é um filme que celebra a imigração. Tem que vir mais pra Londres. Manda o pessoal para Londres!

Jean Charles, Selton Mello

BN: E de alguma maneira chamou sua atenção o caso do Jean?
Selton: Chamou sim, sempre chama, mas não foi uma história que marcou profundamente. Foi mais uma das histórias violentas que a gente ouve todos os dias, sobretudo no Jornal Nacional. Como da vez que arrastaram uma criança no carro, no Rio de Janeiro, ou matam alguém em São Paulo, etc. Mataram um brasileiro no metrô em Londres.

BN: Como foi o contato com o roteiro?
Selton: Foi há três anos e meio, o Henrique [Goldman] me procurou dizendo que queria fazer um filme sobre esse caso. Eu lembrava do caso e achei interessante, mas queria ler o roteiro pra saber melhor o que ele queria mostrar. Desde o início, o que mais gostei dessa história, foi que quando ele morreu ninguém sabia quem era esse cara. Uma pessoa que morreu de uma maneira equivocada, a polícia cometeu um erro, matou um cara inocente, mas quem era Jean Charles? O que ele fazia? Como ele era com os amigos e família? E é isso que o filme se propõe a contar, a vida desse personagem. Mas não só a história do Jean, mas a vida dos brasileiros que vivem aqui em Londres. Daqueles “mais raladores” que vem para cá e trabalham como “cleaner” das 8 da manha às 10 da noite para juntar um dinheiro para mandar pro Brasil. Parece que vivem um conto de fadas em Londres, mas na verdade estão ralando para levantar um dinheiro. Muitas vezes nem saem para juntar, economizar e mandar o que conseguem para o Brasil. E esse era o universo no Jean aqui e é um universo interessante de ser contado.

BN: Rolou algum comentário comparando você e o Jean Charles?
Selton: Rola sempre. Mas o intimidador é até a página sete, a partir do momento que eu relaxei com isso tudo bem. Afinal, ninguém o conhece, o mundo não conhece o Jean Charles, como ele era, como ele andava, como ele falava. O que se viu foi uma foto, duas, mas foto. Nem vídeo dele tem. Então, na verdade, 99% do público vão conhecer o Jean Charles que eu fizer. E o outro 1 % é a família e parentes que vão falar que ele não era assim, que ele não falava desse jeito, enfim. Eu criei o meu Jean baseado em coisas que eu ouvi, mas não fiquei querendo imitá-lo, pois nem um vídeo de festa de aniversário existe dele. Eu fiz o meu Jean Charles.

BN: Para o Selton Mello, quem foi o brasileiro Jean Charles?
Selton: Um entre muitos que vem para cá [Londres] com o sonho de juntar dinheiro e, de repente, voltar com uma grana que não conseguiria juntar no Brasil. Existe esta idéia de Europa, Londres, terra da oportunidade. Muitos brasileiros têm esse discurso “Ah! Não volto pro Brasil” “Por quê?” “Porque aqui eu comprei esse laptop, tenho essa televisão de plasma que lá eu não teria”. O motivo é unicamente pelo poder da compra, que o dinheiro vale mais. As pessoas nem ganham tão bem assim, mas conseguem ter algumas coisas extras. Os brasileiros aqui têm o básico que no Brasil nem sempre é possível ter. E isso que acho que define bem, o Jean foi um sonhador. Um sonhador que veio para Londres tentar melhorar a vida, e ainda trouxe mais primos na esperança de não só ajudar ele, mas para fazer com que os outros também cresçam. Isso eu achei muito interessante. E, foi interrompido! Um sonho interrompido.

BN: Como que está sendo a sua experiência de trabalhar com esses figurantes que são personagens e que são reais também?
Selton: Eles não são figurantes, há a expressão não-atores. Eles são não-atores que estão em cena. Eu acho que eles oxigenam a interpretação do filme exatamente por não terem vícios de interpretação – eles são eles – então, tem muita força o que eles fazem. E alguns foram gratas surpresas de gênio! Tipo um cara que chama Marcelo [Madureiro Soares]. Na verdade, dois atores que fazem os irmãos Barroso, são dois caras que não são atores e são brilhantes! O quê eles fizeram no filme é digno de ator de verdade.

BN: Este é seu primeiro filme fora do Brasil. Qual a diferença?
Selton: É interessante ver que uma equipe funciona exatamente da mesma forma. Exatamente! O set é tocado da mesma forma. As hierarquias no set, tudo igual. É curioso de ver isso, mas em inglês, numa outra cultura. Temos uma equipe muito bacana reunida, muito talentosa e a fim de fazer, o que torna o trabalho muito prazeroso. Porém, em Inglês. Às vezes, coisas banais que estou acostumadíssimo a fazer em Português tenho que ficar pensando como vou fazer para trocar para o Inglês. Eu consigo me virar na língua, mas tem vezes que é difícil, que não consigo traduzir, mesmo coisas simples. É por isso que está sendo uma experiência boa, pela dificuldade também de se expressar.

BN: Esta é a sua primeira vez em Londres?
Selton: Não, é minha terceira vez em Londres e eu continuo sem conhecer a cidade. A primeira vez eu fiquei em Elephant & Castle na casa de um amigo que estava doente, então ele não podia sair muito comigo eu fiquei mais em casa. Não conheci. No ano passado eu vim aqui para gravar para a Globo. Quatro dias, gravei o dia inteiro. Na primeira brecha que eu tive, sai com o Henrique para conhecer parte da família. Desta vez, a gente está num local tipo Diadema. Então, estamos hospedados em Diadema, com todas as coisas legais e turísticas de Londres bem longe. Além do que, nós trabalhamos todos os dia das 7 ou 8 da manhã até às 7 da noite. Quando volto para o hotel não tenho saúde para pegar um táxi, meia hora para ir ao pub, nem sei onde. Quando falamos que estamos filmando em Londres, as pessoas pensam que estamos numa boa em Londres, ator internacional! Mas que nada, todo mundo ralando, trabalhando direto, então esta é a minha terceira vez aqui e continuo sem conhecer Londres. Talvez na época da “Premier” eu consiga ficar uma semana, num lugar mais próximo do centro e vou nos lugares mais legais.

BN: Ainda mais alguém conhecido como você, que todos te reconhecem e vêm falar contigo.
Selton: Verdade, é mais fácil para um ator identificar isso porque as pessoas reconhecem a gente. Mas é muito louco, outro dia estava andando, entrei num café para comer algo, daí já veio “maitre” que era português. E, em Portugal, eles assistem bastante às novelas brasileiras, são fãs. Ele veio tirar uma foto e começou a chegar mais gente. Ele chamou o cozinheiro, brasileiro; veio a faxineira, brasileira. Foi aparecendo brasileiro assim, do nada. Isso mostra como tem por aqui. Então, são muitos “Jeans Charles”. Muitos que vieram nessa de tentar juntar um dinheiro, trabalhar, a maioria fica aqui quatro anos e volta sem falar Inglês. Exatamente porque tem muito brasileiro e se você bobear fica aqui só falando Português. Não volta nem com esse bem, que para mim o maior bem que essas pessoas poderiam levar. Não o dinheiro, mas sim o conhecimento e outra língua.

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Home Office forma equipes operacionais para combater trabalho de imigrantes ilegais

4, Agosto 2008 · Deixe um comentário

Cerca de 7.500 oficiais do departamento de imigração do Reino Unido (UK Border Agency) estão sendo realocados para trabalhar em equipes direcionadas ao combate de trabalho de imigrantes ilegais no país. Estas equipes trabalharão em conjunto com a Polícia e oficiais de Fronteira para garantir um desenvolvimento eficiente e atingir as metas do plano.

Denominado “Reforço do Acordo” (Enforcing the Deal – Our Plans for Enforcing the Immigration Laws in the United Kingdom’s Communities), o plano foi divulgado há poucas semanas pelo Home Office, sendo assinado pelo ministro de Imigração e Fronteiras, Liam Byrne, e a secretária de moradia, Jacqui Smith MP.

Apesar de focar nos imigrantes ilegais, a prioridade na implantação das equipes será detectar e remover casos extremos, com recordes criminais.

O procedimento de trabalho destas equipes será bem mais duro e eficaz que o realizado atualmente, como explica o documento emitido pelo Home Office. Deportação automática de ofensas mais sérias; contratação de mil novos funcionários; ações rápidas contra os empregadores que quebram a lei; formação de novas parcerias entre autoridades locais e agências envolvidas, são algumas das ações implementadas por estes grupos.

Inaugurando essa nova estratégia, Smith afirmou que é importante que os imigrantes que escolheram viver no Reino Unido “sigam as regras” e conquistem o direito de ficar no país. “Nós já aumentamos nossas fontes contratando adicionais mil funcionários para o setor de imigração, buscando reforçar nossa tarefa. E estamos no caminho para duplicar ainda mais este reforço e construir parcerias para combater crimes imigratórios em todos os cantos do Reino Unido”, declarou.

Para isso, as equipes serão eixos centrais no desenvolvimento deste objetivo. Cada time obterá poderes para impor as Leis de Imigração, realizando um trabalho específico e localizado que extermine a atividade ilegal. Eles também serão responsáveis por identificar, perseguir e deter os imigrantes ilegais, além de investigar operações sobre trabalho de ilegais. As novas equipes irão trabalhar juntamente com a Polícia, agências locais e o ministério inglês de renda e taxação (Her Majesty’s Revenue and Customs).

A secretária ainda afirmou que as equipes “terão que fisgar as carências específicas da comunidade, através do conhecimento sobre a própria, rastreando imigrantes ilegais, apontando empresas que excedem a lei, agregando conhecimento com o trabalho desenvolvido junto às agências locais”, exemplificou Smith.

As primeiras ações listadas pelo Home Office são:

- nominar empresas que contratam imigrantes ilegais no website do departamento (www.homeoffice.gov.uk)

- trabalhar em conjunto com o HMRC para atingir os casos mais graves

- designar cuidadosamente licenças para empresas que contratam imigrantes

- deportar automaticamente aqueles sentenciados por um ano ou mais a prisão, ou aqueles envolvidos com armas e drogas

- criar uma lista expondo os que ofenderem as leis de imigração

Cumprindo suas metas, o Home Office atinge mais uma etapa dos planos de fortalecimento no controle de imigração no Reino Unido. E promete em seu documento oficial que, para este período de 2008 e 2009, expulsará mais imigrante ilegal que no ano passado; espalhará as equipes locais para servir todas as comunidades no Reino Unido; tornará público todos os criminosos, facilitadores, empregadores, etc. que quebrarem a lei.

* Leia o documento na íntegra através do link

http://www.ukba.homeoffice.gov.uk/sitecontent/documents/managingourborders/enforcementbusinessplan08_09/enforcementbusinessplan08_09.pdf?view=Binary

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Reino Unido passa a emitir Cartão de Identificação para estrangeiros com dados biométricos

4, Agosto 2008 · Deixe um comentário

Identidade para estrangeiro contendo dados biométricos começa a ser confeccionada no centro do Home Office, em Croydon, a partir deste mês

A partir do dia 28 de abril, o centro do Home Office – departamento de Imigração e de Fronteira do Reio Unido –, em Croydon, estará solicitando aos aplicadores de vistos de estudante e de parceiros civis suas impressões digitais e fotografias instantâneas, tiradas pelo próprio departamento de imigração. Este é o primeiro passo para a implementação dos Cartões de Identificação para Estrangeiros, também denominados Permissão de Residência Biométrica, em função dos dados biométricos que estarão inseridos neste documento. A partir desta data, todos os imigrantes que aplicarem para estas categorias de visto (estudante e marital), seja por via postal ou entrevista, estão obrigados por lei a comparecerem pessoalmente no Home Office para conceder os dados solicitados.

A coleta de impressões digitais e fotografias, nos departamentos de imigração, já vem acontecendo desde o final do ano passado nos consulados do Reino Unido em 135 países ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Pessoas que estão aplicando para entrar no Reino Unido, como estudantes e casados com ingleses ou europeus, desde o dia 1º de setembro de 2007, devem comparecer ao consulado no Rio de Janeiro para dar entrada na solicitação.

O Home Office revela que nestes cinco meses, cerca de um milhão de vistos com a coleta de dados biométricos foram expedidos em todo o mundo. Sendo que destes, mais de 11 mil pessoas foram flagradas ou alguma conexão foi feita – principalmente através das impressões digitais – com pedidos prévios de vistos, como por exemplo, situações de asilo político e outros. Este tipo de fraude, não era detectada sem os recursos deste novo sistema digital de base de dados biométricos.

O Reino Unido é um dos países pioneiros em todo mundo na implantação de uma base de dados desse tipo. O projeto pretende unificar e desenvolver um “anel triplo” para proteção contra a imigração ilegal, reforçando a conferência de dados dos futuros imigrantes em três pontos: nos países de origem, nas fronteiras do Reino Unido e quando já estão dentro do território nacional.

Seguindo o plano, são cinco os passos-chaves que compõem o sistema. No gráfico ilustrativo, desenvolvido pelo próprio Home Office, os passos são exemplificados e dimensionados por nível de aplicação, localização no espaço – país onde cada conferência poderá ser averiguada – e as datas que cada etapa está planejada para entrar em vigor. (veja figura 1)

O Cartão de Identificação de Estrangeiros entrará no lugar dos antigos vistos colados aos passaportes. O departamento de imigração do governo britânico acredita que com este novo documento, a falsificação, muito comum com os vistos de adesivos, irá diminuir gradual e progressivamente à medida que o sistema passar a registrar todos os imigrantes ou pessoas que pretendem morar num determinado período de tempo no Reino Unido.

Com uma base de dados unificada e digitalizada, o portador do Cartão de Identificação de Estrangeiros será facilmente reconhecido e terá seu status averiguado em minutos, seja na imigração, nas universidades e escolas, para um possível empregador, entre outros.

Teoricamente, o Cartão de Identificação de Estrangeiros possibilitará que os imigrantes que se encontram legais no país não sejam mais afetados por possíveis erros de identificação ou de confusão em seu status migratório. Sendo que, os ilegais, serão facilmente reconhecidos e descobertos pela imigração quando acontecer a verificação de seus dados com este novo cartão.

O Home Office considera que as categorias com mais risco de fraudes são as de estudante, união civil, crianças com pais vivendo no Reino Unido, permissão de trabalho. Sendo assim, estes são os primeiros a se enquadrarem no novo sistema de coleta de dados biométricos para o Cartão de Identificação de Estrangeiros.

Porém, todas as etapas deste plano para imigração devem ser aprovadas pelo governo. O Cartão de Identificação de Estrangeiros foi aprovado pelo UK Borders Act 2007, sendo que este deu permissão para que a coleta aconteça apenas para os vistos emitidos a partir de 2008. Ou seja, quem possui o visto antigo, sem os dados biométricos, que ainda esteja valendo por mais alguns meses ou anos, continua usando este mesmo documento sem nenhuma alteração. O que vai acontecer é, quando esta pessoa aplicar para uma renovação, daí sim os dados biométricos serão coletados e ela será inserida automaticamente neste novo sistema.

Os imigrantes não serão obrigados a portarem o documento todo o tempo que estiverem no Reino Unido. Todavia, será útil para facilitar sua identificação na hora de viajar, estudar ou trabalhar. Durante qualquer procedimento migratório, a Agência de Imigração e Fronteiras tem o direito de solicitar a confecção do documento para os estrangeiros.

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