Uberlandenses voam a Europa para uma curta temporada de duas semanas no Centro Cultural Barbican

Bale de Rua
A companhia de dança mineira Balé de Rua, após fazer uma temporada européia no passado, foi convidada a voltar ao velho mundo pelo famoso centro Cultura Barbican, onde ficará duas semanas com o espetáculo “Balé de Rua”, a partir do próximo dia 21. Com 15 bailarinos e mais três membros da companhia, o grupo irá mostrar ritmos, passos, danças, batuques, percussão, ou seja, o característico estilo Balé de Rua de fazer dança.
Aclamada pela precisão e criatividade do trabalho artístico, a Companhia Balé de Rua também é reconhecida pelo desenvolvimento de aulas e oficinas voltadas a menores carentes. Desde sua fundação, em 1992, e após a abertura de centro e turmas de dança, é incontável o número de garotos que passaram pelas classes do Balé de Rua.
O Brazilian News conversou com o diretor e preparador técnico da companhia, Fernando Narduchi, para saber mais detalhes do espetáculo e a viagem a Londres.
Como surgiu a oportunidade do balé de Rua voltar a Europa e vir a Londres?
Fernando Narduchi: É um processo de longos anos. Eu diria que tudo começou há 17 anos, quando a gente fundou a companhia, e foi uma sequência de fatos para a gente chegar hoje a ter essas apresentações marcadas. Mas esse contato foi em função da nossa turnê do ano passado, que passamos por Paris e Edimburgo, onde estreamos este espetáculo que foi desenvolvido especialmente para o público internacional. Foi mais de um ano para criar e estamos orgulhosos de estrear na capital inglesa com esse show. Então, há uma expectativa muito grande nossa, de estar aí pela primeira vez, pela importância da cidade e do próprio Barbican. Acho que é um conquista muito grande para nós, como companhia de dança brasileira. Esperamos que o povo de Londres goste e aprecie nosso trabalho.
Como foi a transição para se tornar um profissional de dança?
FN: Nos anos 80 houve um movimento de rua muito forte, em Uberlândia, onde havia vários grupos independentes que não tinham progressão na mídia e nem eram conhecidos. Então tudo começou mesmo por nossa vontade de dançar! Foi o quê nos uniu, o quê nos aproximou e como nós nos conhecemos. Nós não fazíamos parte da cultura oficial de lugar nenhum e conseguimos conquistar um espaço na cidade, começamos a nos apresentar em festivais e eventos. Não só nós do grupo Balé de Rua, mas os grupos desse movimento que estava acontecendo nos anos 80 e 90 aqui. A partir daí, nós seguimos nosso objetivo que era se profissionalizar, nosso sonho era podermos viver de dança. Transformar a dança numa profissão, porque a gente fazia aquilo somente por amor, por paixão e por tesão. Ainda fazemos por esses motivos, só que hoje nós conseguimos fazer com que a dança seja também nosso meio de vida.
Os dançarinos que compõem o grupo hoje são todos dançarinos profissionais?
Bem, no nosso grupo hoje, cerca de 30% ainda são da época de fundação. Dos 15 bailarinos que compõe a Companhia Balé de Rua, alguns vêm da primeira geração, outro da segunda geração. Tem gente que dança há 10 anos, outros que dançam há oito. Nessa ida para Londres tem um que irá estrear com a companhia profissional, será a primeira vez que ele vai viajar para o exterior com a gente. Ele é aluno nosso há um ano e estagiário, e agora ganhou espaço dentro do grupo profissional.
Como são selecionados esses novos dançarinos?
Quando a gente virou profissional, tivemos a iniciativa de abrir escolas de dança em diversos pontos da cidade. Cada bailarino tentou abrir uma frente de trabalho do bairro em que mora. Essa iniciativa do grupo Balé de Rua tem o objetivo de descobrir talentos, criar oportunidades para jovens de baixa renda, pois nós viemos da periferia e conquistamos esse espaço. Então, nós temos condição, hoje em dia, de abrir ainda mais portas com esse projeto ‘Novos Talentos’. Hoje nós somos seis grupos de danças, um grupo de percussão – que o artista Nana Vasconcelos ajudou a iniciar – e mais uma turma de rap e hip-hop também.
Qual o tipo de dança que o grupo Balé de Rua trabalha?
Eu tenho o prazer de te contar que o que a gente dança hoje é uma identidade própria nossa – que era nosso objetivo quando começamos a ideia da companhia. Então, através de pesquisa, e com nossa trajetória, a gente dança o estilo ‘Balé de Rua’.



