Entradas etiquetadas como ‘Barbican’

Companhia de dança Balé de Rua estréia em Londres

8, Maio 2009 · 5 Comentários

Uberlandenses voam a Europa para uma curta temporada de duas semanas no Centro Cultural Barbican

Bale de Rua

Bale de Rua

A companhia de dança mineira Balé de Rua, após fazer uma temporada européia no passado, foi convidada a voltar ao velho mundo pelo famoso centro Cultura Barbican, onde ficará duas semanas com o espetáculo “Balé de Rua”, a partir do próximo dia 21. Com 15 bailarinos e mais três membros da companhia, o grupo irá mostrar ritmos, passos, danças, batuques, percussão, ou seja, o característico estilo Balé de Rua de fazer dança.

Aclamada pela precisão e criatividade do trabalho artístico, a Companhia Balé de Rua também é reconhecida pelo desenvolvimento de aulas e oficinas voltadas a menores carentes. Desde sua fundação, em 1992, e após a abertura de centro e turmas de dança, é incontável o número de garotos que passaram pelas classes do Balé de Rua.

O Brazilian News conversou com o diretor e preparador técnico da companhia, Fernando Narduchi, para saber mais detalhes do espetáculo e a viagem a Londres.
Como surgiu a oportunidade do balé de Rua voltar a Europa e vir a Londres?

Fernando Narduchi: É um processo de longos anos. Eu diria que tudo começou há 17 anos, quando a gente fundou a companhia, e foi uma sequência de fatos para a gente chegar hoje a ter essas apresentações marcadas. Mas esse contato foi em função da nossa turnê do ano passado, que passamos por Paris e Edimburgo, onde estreamos este espetáculo que foi desenvolvido especialmente para o público internacional. Foi mais de um ano para criar e estamos orgulhosos de estrear na capital inglesa com esse show. Então, há uma expectativa muito grande nossa, de estar aí pela primeira vez, pela importância da cidade e do próprio Barbican. Acho que é um conquista muito grande para nós, como companhia de dança brasileira. Esperamos que o povo de Londres goste e aprecie nosso trabalho.

Como foi a transição para se tornar um profissional de dança?

FN: Nos anos 80 houve um movimento de rua muito forte, em Uberlândia, onde havia vários grupos independentes que não tinham progressão na mídia e nem eram conhecidos. Então tudo começou mesmo por nossa vontade de dançar! Foi o quê nos uniu, o quê nos aproximou e como nós nos conhecemos. Nós não fazíamos parte da cultura oficial de lugar nenhum e conseguimos conquistar um espaço na cidade, começamos a nos apresentar em festivais e eventos. Não só nós do grupo Balé de Rua, mas os grupos desse movimento que estava acontecendo nos anos 80 e 90 aqui. A partir daí, nós seguimos nosso objetivo que era se profissionalizar, nosso sonho era podermos viver de dança. Transformar a dança numa profissão, porque a gente fazia aquilo somente por amor, por paixão e por tesão. Ainda fazemos por esses motivos, só que hoje nós conseguimos fazer com que a dança seja também nosso meio de vida.

Os dançarinos que compõem o grupo hoje são todos dançarinos profissionais?

Bem, no nosso grupo hoje, cerca de 30% ainda são da época de fundação. Dos 15 bailarinos que compõe a Companhia Balé de Rua, alguns vêm da primeira geração, outro da segunda geração. Tem gente que dança há 10 anos, outros que dançam há oito. Nessa ida para Londres tem um que irá estrear com a companhia profissional, será a primeira vez que ele vai viajar para o exterior com a gente. Ele é aluno nosso há um ano e estagiário, e agora ganhou espaço dentro do grupo profissional.

Como são selecionados esses novos dançarinos?

Quando a gente virou profissional, tivemos a iniciativa de abrir escolas de dança em diversos pontos da cidade. Cada bailarino tentou abrir uma frente de trabalho do bairro em que mora. Essa iniciativa do grupo Balé de Rua tem o objetivo de descobrir talentos, criar oportunidades para jovens de baixa renda, pois nós viemos da periferia e conquistamos esse espaço. Então, nós temos condição, hoje em dia, de abrir ainda mais portas com esse projeto ‘Novos Talentos’. Hoje nós somos seis grupos de danças, um grupo de percussão – que o artista Nana Vasconcelos ajudou a iniciar – e mais uma turma de rap e hip-hop também.

Qual o tipo de dança que o grupo Balé de Rua trabalha?

Eu tenho o prazer de te contar que o que a gente dança hoje é uma identidade própria nossa – que era nosso objetivo quando começamos a ideia da companhia. Então, através de pesquisa, e com nossa trajetória, a gente dança o estilo ‘Balé de Rua’.

Categorias: Cultura
Etiquetado: , , ,

Gilberto Gil emociona conterrâneos em Londres

20, Agosto 2008 · 2 Comentários

divulgacao

Cantando com um violão, e algumas vezes acompanhado pelo filho Ben, Gilberto Gil mostrou-se muito à vontade no palco do Barbican Theatre, na segunda-feira, 31 de março. Embalando um repertório composto por 18 músicas, algumas inéditas, que estão sendo gravadas para o próximo disco, e outras clássicas, que provocam nó na garganta daqueles que vivem longe. Depois de quatro anos sem compor, Gil brinca durante o show que o presidente Lula tem sido muito paciente com ele, concedendo dois meses por ano de folga do Ministério para se dedicar à música.

Após a primeira música, “Máquina de Ritmo”, Gil revela como sente-se feliz por voltar a Londres e poder apresentar-se no Barbican – primeiro local onde, durante o exílio, subiu num palco londrino. Contou que a cidade está em terceiro lugar em sua lista de favoritas, atrás de Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente.

Com freqüência, Conversou e interagiu com a platéia, sendo chamado de ‘lindo’ e ‘gostoso’, que agradeceu lisonjeado e fez piada sobre ‘como é gostoso o meu francês’. Gil emocionou brasileiros e estrangeiros cantando em português, inglês e francês músicas que retratam as últimas três décadas de sua carreira, seguindo o projeto do disco que este show foi baseado Gil Luminosos. Não ficou de fora “Exotérico”, “Super-Homem”, “Aquele Abraço”, “Expresso 2222”, “Se Eu Quiser Falar Com Deus”, “Three Little Birds”, “Não Chores Mais” e “Tempo Rei”, que já compõem um espetáculo e tanto.

Citações de Gil durante show

- “Quando eu estava completando 64 anos de idade, junto com o autor, meu amigo Paul, pois nós somos do mesmo ano, mesma idade… Hoje eu vejo que é tão legal ter esta bela e incrível canção britânica, e cantada em ritmo de bossa nova.” O amigo Paul que Gil cita é o ex-Beatle McCartney, a música é “When I’m 64”.

- “Esta música que eu acabei de cantar, “Metáfora”, é uma das músicas que eu tenho pena e me sinto culpado por não cantar em inglês, para vocês poderem entender a letra, pois fala sobre esse brilhante artista que é o poeta, de sua solidão e ao mesmo tempo de suas idéias tão iluminadas quando retrata coisas cotidianas da vida”.

- “Ele entrou no palco como um jogador de futebol, correndo para entrar no gramado (risos). Meu filho é flamenguista, eu sou fluminense no Rio, aqui eu torço pelo Chelsea. ‘Para vencer ou perder, seguimos o Azul’ (grito da torcida do Chelsea que rima em inglês). Por que eu vivi lá nos primeiros anos que estive aqui, perto do estádio, daí me tornei torcedor do Chelsea. Eles eram ruins na época, agora que eles estão melhores, muito dinheiro, podem contratar bons jogadores… Futebol e brasileiros, um objeto comum em nossas conversas, não temos escapatória (mais risos)”, Gil comenta e discorre sobre sua paixão pelo futebol após seu filho, Bem Gil, subir ao palco.

- “Este foi um baião que é um estilo dentro da família do forró, como é o xote, o xaxado, enfim, a música brasileira é uma mistura, sobre influências de todos os lugares, Europa, África. Então vou tocar um xote novo pra vocês”, resume antes de cantar “Despedida de Solteira”.

- “ ‘A Faca e o Queijo’ é uma música que fala sobre o relacionamento do casamento. Há muitos anos eu escrevi uma música pra minha esposa, daí ela reclamou que eu não dedicava mais música nenhuma pra ela e, então, eu escrevi esta. Eu espero que ela tenha gostado. Eu gostei!”. Em meio a risadas, alguém na platéia berra “Quem é a faca e quem é o queijo?” e Gil se delicia numa risada gostosa “Fantástico!”, mas não revela quem é quem.

- “Eu escrevi esta música quando estava em Senegal, dois anos atrás, em meio a preparações e reuniões com pessoas de todo o mundo para preparar o festival de arte que acontecerá ano que vem no país. O slogan da África agora é a renascença do continente. A África e o último local que o processo ainda tem que acontecer em totalidade, realmente. É o único lugar no mundo… Europa está ok, América do Norte ok, América do Sul nós estamos (pausa)… ok, Ásia está aí, olha a China com os Jogos olímpicos. A África ainda merece mais nossa atenção”, discursou antes de cantar em francês “La Renaissence Africaine”.

- “Quando eu fui para Los Angeles, em 1970, pra grava o álbum ‘O Rouxinol’ e tinha esta música, escrita originalmente em português, eu acabei fazendo uma tradução bem ruim para o inglês… Mas vou cantar as duas versões agora para vocês”, desculpa-se sem muito motivo.

Categorias: Cultura
Etiquetado: , ,

‘Chega de saudade’ em Londres – pelo menos, por uma noite

7, Julho 2008 · Deixe um comentário

Uma semana para celebrar os 50 anos e entrar na história da Bossa Nova, teve seu início com um memorável show no Barbican Hall, na segunda-feira, 26 de maio.

Comandando o show a cantora e compositora Joyce introduziu os colegas Carlos Lyra, Roberto Menescal, Wanda Sá, Dori Caymmi que se revezaram na primeira parte do espetáculo, denominada Clássicos da Bossa Nova. Com pouco mais de uma hora de duração, a platéia teve a oportunidade de ouvir “Minha Namorada”, “Influência do jazz”, “Chega de Saudade”, “O Barquinho”, “Você” e, para finalizar, todos juntos retornaram ao palco para fechar o primeiro bloco do show, cantando uma composição inédita homenageando os 50 anos do estilo.

Após o intervalo, a homenagem à Bossa Nova continuou com Marcos Valle, João Donato, Celso Fonseca, Clara Moreno, Vinícius Cantuária, Patrícia Alvi embalando sucessos como “Samba de verão”, “Ela é carioca”, “Mais que nada”, “Meu Samba Torto”, entre outras.

Ao final, Joyce retornou ao palco, chamando as outras ‘garotas de Ipanema’, Clara e Wanda, para acompanhá-la na famosa canção de Tom e Vinicius, juntamente com Menescal.

E, como não poderia deixar de ser, todos os músicos, cantores e compositores deram uma canja – unidos no palco do Barbican formando imagem emocionante – com um pot-pourri iniciado pelo consagrado “Samba de Bênção”, do poeta Vinicius de Morais.

Categorias: Cultura
Etiquetado: , , , , , , , , , , , , ,