Entradas do Outubro 2008

Há 70 anos não neva em Londres em outubro

29, Outubro 2008 · Deixe um comentário

Pegadas na neve na ponte do Milênio

Pegadas na neve na ponte do Milênio

Desde 1934 que a capital britânica não via neve tão cedo em seu inverno. Na manhã desta quarta-feira, 29, londrinos acordaram e puderam observar campos brancos pela janela, em função de uma frente fria vinda do Ártico que atingiu a capital na noite anterior, fazendo nevar por duas horas e que diminui drasticamente a temperatura, chegando a ser menor que em Moscou, capital da Rússia.

Algumas áreas ao norte de Londres a temperatura de zero graus permaneceu por longas horas, conservando a neve que chegou a atingir cinco centímetros. A mair parte da cidade foi atingida por volta das 10 horas da noite, contrariando as previsõesde que a cidade escaparia de um inverno rigoroso este ano.

Em Brent, uma camada um tanto grossa de neve surpreendeu os moradores que viram seus carros ficarem cobertor de uma neve fofa e pesada em poucos minutos. “Eu fiquei muito supresa, parece que o Natal chegou mais cedo este ano. Esta manhã estou indo pro parque construir um boneco de neve e deslizar na neve!”, contou empolgada a estudante Charlotte Hussey.

Por causa da neve e gelo na pista, um homem foi hospitalizado após perder o controle de seu carro quando dirigia na M25, próximo a Enfield. Seu Renault rodou na pista e parou num canal ao lado da estrada.

A geada, a neve e o ar congelante são resultados de uma frente fria vinda do Ártico que moveu a brisa mais morna vinda do Atlântico que estava posicionada sobre a ilha britânica anteriormente. “O que nós presenciamos na terça-feira à noite foi o resultado de um ação climática provinda do Ártico que atingiu Londres”, explicou o metereologista inglês, Byron Chalcraft.

“O Ártico tem registrado temperaturas muito baixas este ano, então estes ventos incomuns chegaram às ilhas britânicas, o que resultou nesta queda de temperaturas esta época do ano. E ainda mais incomum foi ver neve”, disse.

“O último registro de neve foi em outubro de 1974, mas a última vez que a neve atingiu Londres, deixando uma cobertura branca, como aconteceu foi em 1934”, revelou Chalcraft.

A previsão havia anunciado anteriormente que geadas poderiam ocorrer em algumas áreas, porém o que houve foi uma neve caindo por horas e cobrindo os campos com uma fina camada branca e fofa.

Na manhã seguinte a maioria da neve e gelo já havia derretido na cidade, dando lugar a um dia ensolarado, mas com temperaturas baixas que devem permanecer durante todo o final de semana.

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Teatro une brasileiros e britânicos em produção bilíngüe

17, Outubro 2008 · Deixe um comentário

Dois palcos, dois teatros, duas peças. Assim se divide a companhia de teatro Nós do Morro que, até o sábado, 18, está em cartaz em Londres com dois espetáculos

Caliban e Miranda

Caliban e Miranda

A temporada inglesa de “Knoking Against My Heart” vai até o dia 20 de novembro, porém em Londres, a última apresentação acontece neste sábado, 18, no Unicorn Theatre, em London Brigde. A peça é uma criação conjunta entre a companhia de teatro inglesa Theatre Center e a brasileira Nós do Morro, numa união orgânica e perfeita entre duas culturas, duas comunidades e duas línguas.

“Quando eu conheci a companhia brasileira de teatro Nós do Morro, em 2005, trabalhando com o filme ‘Hackney to the Favela’, eu vi o exemplo maravilhoso que através da magia do teatro eles representavam. Pela vontade imensa de voltar a trabalhar com eles, num processo criativo mais intenso e com uma colaboração maior de seus atores, eu desenvolvi este projeto. Convidei o escritor e dramaturgo, Dipo, para ir até o Rio de Janeiro a fim de conhecer o grupo e se inteirar da realidade local. Nós não tínhamos nada escrito, apenas a escolha inicial da peça ‘A Tempestade’, de Shakespeare, então começamos com a folha em branco. Toda a peça foi concebida de um processo único de criação entre eu, o escritor e os atores”, revela o diretor Michael Judge, responsável pelo projeto de “Kocking Against My Heart”.

Um dos atores brasileiros, integrante do Nós do Morro desde 1989, André Santinho reafirma a diferença no processo criativo desta peça em particular. “Os atores estavam presentes durante todo o tempo, em cada minuto colaborando com a elaboração do roteiro e dramaturgia. Baseado em nossas improvisações e jogo de cena que surgiu a brincaderia com os animais. Nossos movimentos corporais, dança, capoeira, musicalidade que levou o diretor e escritor a tomar este rumo e chegar no que você viu no palco”, comenta André que tem em seu currículo o filme “Tropa de Elite”, recém lançado no Reino Unido.

Seu conterrâneo é William de Paula que reconhece a dificuldade de interpretar em inglês. “Todo dia eu pratico e treino, porque realmente é muito grande a diferença do som do Português e do Ingl.ês Achar a ritmo, o balanço, a acentuação correta das palavras. Imagina o Caliban ter que falar de amor em duas línguas”, brinca.

Durante os 60 minutos, tanto anglos quanto lusofônicos são capazes de entender o espetáculo que utiliza – o tempo todo – os dois idiomas. Três, dos quatro atores em cena, falam português. Além de serem amparados por outros tipos de linguagens como a corporal, expressões, música, sons, entre outras; a equipe é taxativa ao enfatizar o aprendizado individual que este processo coletivo de montagem possibilitou.

Aclamada por pessoas do meio teatral, este processo criativo um tanto único e que obteve um resultado tão mágico e belo transparece nitidamente o quanto palavras e línguas são supervalorizadas no cotidiano.

“Quem fala duas línguas, seja de criança, pela familia, ou aprendido pela vida, vai descobrindo que a língua, o idioma é só um código usado para falar as mesmas coisas, para nos comunicarmos. Um código é de uma maneira e o outro é de outra, e usando as diferenças é que unimos”, exemplifica a estreiante Mariana Whitehouse, que é filha de mãe brasileira e pai inglês.

Seja brasileiros, inglês, português, africano, latino ou chineses; seja qual for a língua falada; este espetáculo é prova de que a linguagem universal do teatro e sua magia ultrapassam qualquer barreira e passa a mensagem sem – ‘misunderstood, got it?’ – desentendimento, sacou?

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Nós do Morro no Barbican

17, Outubro 2008 · 1 Comentário

Divulgacao

Divulgacao

A companhia de teatro carioca Nós do Morro está em cartaz, nos palcos do Barbican, até o sábado, 18, com a peça shakespeariana “Os dois Cavaleiros de Verona”. Explorando os temas universais do amor, fidelidade, traição e amizade no universo jovem, a apresentacao aproximam-se de sua linguagem popular e musical bem brasileira, tendo em vista, especialmente nesse caso, sua apresentação para o público internacional e tendo como fundamento a certeza de que a arte é o meio primordial para a ruptura de qualquer barreira existente para o entendimento e compreensão de universos culturais, lingüísticos e nacionais diversos. Além disso, o texto de Shakespeare suscita uma reflexão a ser explorada na concepção artística do espetáculo ao apresentar o dilema entre a atração de centros de cidade ou centros sociais e culturais, considerados mais desenvolvidos e propícios para ascensão social e complementação cultural dos jovens frente ao dilema da opção pelo amor e permanência, por ele, na província.
O grupo foi convidado pelo Barbican Centre para participar das comemorações dos 10 anos do festival “Bite”, o Nós do Morro está alocado no Pit Theatre. O Barbican é o maior centro de multi-arte da Europa e o festival “Bite” desenvolve há oito anos um programa de caráter único pela multiplicidade de produções abrangendo teatro, música, artes visuais, dança e comédia, sempre com novas idéias e propostas artísticas.
Barbican – The Pit
Até dia 18 / às 19:45, 14:30
Tickets: £12
* Em Português com legendas em Inglês

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Brasileiro é melhor courier em duas rodas do Reino Unido

1, Outubro 2008 · 5 Comentários

Gabriel com trofeus

Gabriel com trofeus

O brasileiro Gabriel Alves Dias foi premiado como o melhor courier em duas rodas do Reino Unido pelo Instituto de Couriers (IOC), que realizou, no último dia 16 de setembro, a décima terceira edição de seu troféu anual. Apesar do numero de brasileiros que desenvolvem essa atividade no país, Gabriel é o primeiro a conquistar o reconhecimento e admiração dos ingleses.

“Eu sai do Brasil por causa disso, trabalhava bastante, sempre dando o meu melhor e não era reconhecido. Na Inglaterra que eu consegui abrir meu espaço, com meu próprio trabalho, e o prêmio é a prova maior disso”, conta Gabriel humildemente.

O mérito profissional deste goiano de Quirinópolis é exposto no informativo do IOC (leia box) que traduz a pessoa que é Gabriel. Muito cordial, alegre, respeitoso, simples, com um sorriso contagiante e com um brilho do olhar que resplandece, muito timidamente, o orgulho de – finalmente – ter seu esforço reconhecido e apreciado.

Gabriel é um ícone desta comunidade brasileira, recebida e aceita pelos britânicos, que sonha e alcança seus objetivos num país estrangeiro, porém que abre portas que nem sempre existem em nossa terra natal. “Eu já trabalhei em várias coisas no Brasil, tinha uma oficina de motocicleta que era do meu pai, tentei estudar odontologia, fui ser vendedor de roda de caminhão… Depois de ter ficado um tempo aqui, voltei ao Brasil, mas realmente vi que não era o que eu queria. Voltei para ficar em Londres”, conta Gabriel divertindo-se com as próprias peripécias e dificuldades pelas quais passou em sua vida.

Seu primeiro emprego como courier foi na empresa Rush, onde ficou quatro anos e onde considera ter aprendido realmente como um courier trabalha. “Eu aprendi tudo na Rush, e aprendi muito, principalmente com o meu ex-manager, o Graig”, recorda Gabriel que está na TNT desde dezembro do ano passado.

A vontade de crescer foi o que fez deixar a amizade do antigo chefe e partir para brigar maiores, com dezenas de motoboys a disputar rotas e circuitos. “Eu sabia que tinha que trabalhar pesado para chegar onde queria, mas tive meu reconhecimento muito mais rápido do que imaginei”, diz. Em maio, ele foi o vencedor da premiação interna da TNT. São 10.800 funcionários de todas as categorias de entregas da empresa (moto, carro, contrato, etc). Destes 250 são nominados. Para finalistas apenas 14 seguem na disputa, sendo que Gabriel levou o troféu para casa no dia 8 de maio. O que proporcionou a participação no segundo prêmio, desta vez nacional da IOC. Mais uma vez, Gabriel recebe a condecoração.

Tendo alcançado seu grande sonho, Gabriel fica na dúvida de qual será o próximo passo. “Eu atingi o que queria, tenho minhas rotas, estou trabalhando com contrato e estou muito feliz por tudo isso. Agora quero continuar estudante mais, melhorar meu Inglês porque quero crescer mais e sei que tenho possibilidade”, continua sonhando o jovem de 25 anos.

Descrição de Gabriel no informativo do IOC:

Gabriel é, sem sombra de dúvidas, o melhor motoqueiro que a empresa TNT, de Vauxhall, já viu. Ele aceita todos os serviços e os cumpre com rapidez e eficiência. Ele não sabe o significado da palavra ‘não’. Seja qual for o tempo, seja qual for o dia, ele está sempre pronto para ir trabalhar com um sorriso em seu rosto. “Ele é o courier mais comprometido e profissional que eu já vi trabalhando em meus 16 anos na TNT e nós penaríamos se tivéssemos que substituí-lo”, diz o gerente. Gabriel é profissional deste o momento em que começa até o termino do trabalho, e ele trata todos os serviços com o mesmo respeito e importância. Ele mantém sua motocicleta limpa e em funcionamento, ele é cortês com todos os clientes e nada é difícil para ele. Ele assegura a boa apresentação da empresa TNT e dá conselhos a sua equipe para evitar atrasos. Apesar de ter que trabalhar com tempo ruim, Gabriel sempre consegue cumprir suas funções com segurança e pontualidade. Seus atributos incluem excelente comunicação e dedicação ao trabalho. Ele sempre entrega a tempo, o que é imprescindível em sua linha de trabalho. Ele é um individuo consciente que leva o trabalho com metodologia e profissionalismo, evitando que qualquer coisa o impeça de atingir o maior nível de qualidade com seu cliente. Testemunho de cliente: Gabriel é muito confiável, honrado e um motorista cortês. Ele sempre está atento a segurança na coleta e entrega de mercadorias. Quando Gabriel vem buscar nosso pacote, nós temos 100% de certeza de que será entregue com segurança e pontualidade. (London City Hospital).

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ABRAS quer justiça por maus tratos sofridos por brasileiros em delegacia londrina

1, Outubro 2008 · Deixe um comentário

Na tarde de sexta-feira, 26, Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS) abriu uma reclamação formal contra a City of London Police após ouvir dois depoimentos sobre maus tratos a dois brasileiros detidos na Delegacia de Snow Hill, centro de Londres. “A ABRAS está oficializando uma reclamação formal ao Indenpendent Police Complaints Commission (IPCC), pois o Edrielson veio nos procurar em estado de choque e quer que justiça seja feita, diz que é um sujeito trabalhador, legal e cumpridor da lei, e não admite ter sido tratado como um animal”, confirma o presidente da ABRAS, Carlos Mellinger. O brasileiro Edrielson Ferreira Machado Mortari foi tratado de maneira rude ao ser detido e levado preso, apesar de não ter cometido qualquer ofensa e estar em situação regular no País por ter também cidadania européia.
O tratamento inadequado, chegando a agressões físicas, foi motivado pela recusa do brasileiro a fornecer impressões digitais sem a presença de um advogado. “Os métodos de força para se obter as digitais de Edrielson foram muito além do que se pode considerar aceitável a um criminoso, portanto menos ainda aceitável que se utilizem contra um indivíduo inocente e honesto”, afirmou a ABRAS em comunicado à imprensa. De acordo com o depoimento de Edrielson, ele foi vítima de agressões no rosto e joelhadas, sentindo-se humilhado e entrou em estado de choque em função da “experiência altamente traumatizante”.
O outro brasileiro, 18 anos, que foi submetido ao mesmo tratamento de Edrielson,não quer ser identificado e passou a noite preso junto com Edrielson. Ambos reclamaram de frio e de fome e do tratamento arrogante dos policiais enquanto estavam encarcerados.
A ABRAS, que já vem protestando contra o descaso da polícia para proteger a comunidade brasileira no país, especialmente em Londres, culpa as autoridades de estarem começando a agir com preconceito. “Infelizmente a população londrina não tem consciência do que temos passado por aqui; temos certeza que somos bem aceitos pelos britânicos e o clima de repúdio a nossa comunidade é exclusivo das autoridades comandadas por políticos em baixa aceitação popular”, revela Mellinger.

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Governo britânico desiste de exigir visto de turista para brasileiros e ministros da UE fecham acordo em Pacto sobre Imigração

1, Outubro 2008 · 1 Comentário

O governo britânico desistiu de retomar a exigência de visto de turista para os brasileiros que viajam para a Inglaterra, além de retirá-lo da lista dos países suspeitos de não terem uma política para conter a imigração ilegal. Os dois países chegaram a um acordo de “cooperação positiva” ao final de uma longa reunião, no Itamaraty, há poucas semanas. Porém, na última quinta-feira, 25, o Conselho de Ministros da União Européia (UE) fechou um acordo para a adoção do Pacto Europeu para Imigração e Asilo, um conjunto de medidas que têm como objetivo reforçar o controle da imigração ilegal e, principalmente buscar limitar a chegada de imigrantes ao mercado de trabalho.
O pacto, que será aprovado formalmente pela cúpula de líderes da UE em 15 e 16 de outubro, opta por uma imigração seletiva e controlada, de acordo com as necessidades trabalhistas e a capacidade de integração do país que ampara o estrangeiro, e reafirma o repudio aos imigrantes ilegais e sem regularizações maciças.

O texto, apoiado de forma unânime pelos 27 países da UE, busca dar um novo impulso para uma política comum de imigração e asilo que leve em conta o interesse coletivo do bloco, ao considerar “imprescindível” que cada Estado-membro leve em conta a União ao aprovar suas políticas no assunto.

Proposto pela França – país à frente da presidência rotativa da União Européia –, o Pacto tem cinco pontos básicos: organizar a imigração legal de acordo com as necessidades e a capacidade de ampará-la, combater a imigração ilegal e expulsar os irregulares, fortalecer os controles fronteiriços, aumentar a cooperação com os países de origem e melhorar o sistema de asilo. “A União Européia não dispõe de meios para receber dignamente todos os emigrantes que esperam encontrar uma vida melhor”, indica o Pacto.
Por isso, indica que a gestão da imigração na UE deve levar em conta a situação do mercado de trabalho, assim como os recursos disponíveis em matéria de alojamento, saúde e educação. Cada país do bloco determinará as condições de admissão a seu território e fixará o número de imigrantes que pode receber, em função das necessidades do mercado de trabalho. O pacto afirma que os países da UE promoverão a integração dos imigrantes, buscando o equilíbrio entre seus direitos (acesso à educação, ao trabalho e aos serviços públicos e sociais) e deveres (respeito às leis do país de amparada), com medidas específicas para facilitar a aprendizagem da língua e o acesso ao emprego.
Além disso, defenderá o respeito da identidade dos países do bloco e da própria UE, assim como de seus valores fundamentais (como direitos humanos, liberdade de opinião, tolerância, igualdade entre homens e mulheres e escolarização obrigatória das crianças).
Também impulsionará a admissão de trabalhadores qualificados e favorecerá a imigração temporária, para evitar a fuga de cérebros.
No entanto, os mecanismos de reagrupamento familiar levarão em conta os recursos e condições de residência, assim como o conhecimento do idioma do país de amparada.
Os imigrantes em situação irregular terão que deixar o território da União Européia e as regularizações serão feitas caso a caso.
Para conseguir as repatriações, haverá a tentativa de estabelecer acordos de readmissão com os países de origem, com os quais também será reforçada a cooperação para combater o tráfico de pessoas. No início de 2012, serão implantados os vistos com informação biométrica, e até esta data também terá que estar funcionando um registro eletrônico de saídas e entradas na UE.
Governo britânico

Em paralelo, os ingleses não dão espaço para imigração. Apesar de recuarem sobre a decisão de restituir o visto de turista, o governo continua criando medidas extremas para conter a imigração ilegal – seguindo todas as indicações do bloco europeu.

Os britânicos desistiram também de colocar a força policial nos aeroportos brasileiros, de querer que a Embaixada do Brasil em Londres fizesse papel de polícia e ajudasse a controlar a imigração, e de impor às agências de turismo a obrigação de fazer uma triagem prévia, deixando de vender passagens a turistas suspeitos de serem imigrantes ilegais. Essas exigências e a ameaça de reintroduzir o visto foram reveladas em agosto passado.

A diretora executiva da agência de intercâmbio LondonHelp4U, Francine Mendonça, confirma que é um alívio para o setor. “Além de desistir de exigências demasiadas às agências de turismo, a melhor decisão é não retomar a solicitação de visto para turista, o que prejudicaria bastante a vinda de brasileiros, sob quaisquer fins, ao Reino Unido”, assegura.

Pelo acordo, foi criado um comitê permanente de consultas consulares que, além dos contatos diários, vai se reunir semestralmente para avaliar o trânsito de cidadãos entre Brasil e Inglaterra e os casos detectados de imigração ilegal. Os britânicos enviaram dois altos funcionários para a negociação – Judith MacGregor, das Relações Exteriores, e Tom Dodd, do Ministério do Interior.
Oficialmente, o governo britânico não tira o nome do Brasil da lista porque precisa cumprir o rito diplomático: ao final dos seis meses, no início do ano que vem, anuncia formalmente que o governo brasileiro está cooperando e desiste das sanções.

Deportados

Há algumas semanas, o Ministério do Interior britânico divulgou dados que o Brasil aparece mais uma vez no topo da lista dos países com maior número de cidadãos expulsos da Grã-Bretanha em 2007. Desde 2004, o Brasil ocupa a primeira posição no ranking de países com maior número de cidadãos barrados e imigrantes ilegais deportados na Grã-Bretanha.

Os números mostram que 11,4 mil brasileiros foram mandados de volta no ano passado. Do total, 4,7 mil foram barrados nas fronteiras e 6,7 mil foram deportados após um período na ilegalidade – a cifra inclui um pequeno número de retornos voluntários e de pedidos de asilo negados.

Por outro lado, o Brasil também figura entre as primeiras posições na relação de países com o maior número de pessoas admitidas na Grã-Bretanha. Em 2007, o país foi o quarto com a maior quantidade de cidadãos autorizados a entrar no país europeu – 205 mil, atrás apenas de Estados Unidos, Canadá e Rússia.

O secretário de Imigração britânico, Liam Byrne, disse que as fronteiras do estão “mais fortes do que nunca” e que “a cada oito minutos um ilegal é removido”. Em 2005, a Grã-Bretanha chegou a expulsar mais de 12 mil brasileiros. No ano seguinte, o número caiu para 11,3 mil e, em 2007, voltou a subir. O segundo país em número de remoções de imigrantes ilegais da Grã-Bretanha é a Índia (3,3 mil), seguido pelo Paquistão (2,9 mil), Nigéria (2,8 mil) e Estados Unidos (2,2 mil).

Categorias: Imigracao
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