Entradas do Julho 2008

Os encantos de Bournemouth

25, Julho 2008 · 3 Comentários

Qualidade de vida é ter tempo pros amigos, gostar do local onde mora, fazer exercícios regularmente, fazer happy-hour regularmente, conseguir conciliar trabalho e família, ser feliz consigo mesmo, passar o final do dia na praia… E os habitantes de Bournemouth garantem que a cidade lhes oferece tudo isso e muito mais!

by Paula Medeiros

Pessoas andando de chinelo, bermuda e biquíni por baixo do vestido. A primeira imagem que vem a cabeça é de algum balneário brasileiro, certo? Bem, então, prepara-se para mudar seus conceitos, pois a cena descrita acima também é possível – e em plena segunda-feira! – na Inglaterra, mais precisamente a duas horas de trem de Londres, na cidadezinha praiana de Bournemouth.

Já ouviu falar? Talvez algum amigo ou conhecido brasileiro que mora por ali, não é mesmo?! A possibilidade de isso ser verdade é bastante grande, pois de acordo com dados oficiais do Concil de Dorset, condado em que é localizada, existe cerca de dez mil brasileiros morando em Bournemouth.

E este fato pode ser conferido facilmente andando pela rua principal da cidade. Pessoas se cumprimentam em português, conversam ao telefone, exibem camisetas verde-amarelas ou de cidades brasileiras.

Nesse ambiente descontraído, entre abraços, distribuição de panfletos e acenos, é que a promoter Daniela Queiroz apresenta a cidade ao Brazilian News. “Aqui é sempre assim, encontramos os amigos e conhecidos a toda hora pela rua. Além de ser tudo perto, praia, praça, escola, lojas; tem um grande número de brasileiros que mora logo no final da rua principal. O local é denominado Triângulo e nessa ladeira sempre tem brasileiro subindo e descendo a qualquer hora do dia”, comenta.

Há quase oito anos morando em Bournemouth, Daniela revela que acompanhou essa explosão da comunidade brasileira local. “A cidade por ser litorânea e por dispor de uma das melhores qualidades de vida do Reino Unido sempre atraiu brasileiros, mas eu vejo que a quantidade vem aumentando nos últimos anos. Porém também tenho amigos que estão há 18 anos por aqui!”, explica Daniela que veio a Inglaterra com o intuito de aprender inglês.

Apesar dos anos e da comodidade, ela revela que ainda sente muita saudade de Salvador, sua terra natal, mas principalmente da família. “Meu único sobrinho está lá, completando um aninho de idade e eu não estou presente. Por mais que exista internet, dá pra falar, ver, tudo isso; mas o contato físico, tocar, sentir o cheiro é bastante forte”, desabafa.

Como Daniela, os amigos Fabiano Bincoletto, Beatriz Vianna Bradbury e José Cleiton Souza também decidiram viajar e morar por um tempo na Inglaterra para aprender a língua. De todos do grupo, Cleiton foi o único que viveu em Londres, diz que quando veio a Bournemouth para passar um final de semana, apaixonou-se pela cidade e nunca mais voltou. Iniciando um novo empreendimento, Cleiton afirma que hoje seu lugar no mundo é Bournemouth. “Eu moro aqui e não pretendo sair, a liberdade de expressão desse povo me conquistou. Há seis meses comecei a investir no sonho de ter um negocio próprio, abri este centro comercial – uma união de mercearia, café, cabeleireiro, salão de beleza e ainda quero ampliar –, onde os brasileiros podem encontrar serviços exclusivos e os ingleses têm acesso e conhecimento sobre a nossa cultura. Uma das razões para investir num empreendimento como esse é o desejo de, um dia, eu ter a liberdade de poder ir ao Brasil com mais freqüência do que depender dos 25 dias anuais de férias que eu tinha na fábrica onde trabalhava anteriormente”, confessa Cleiton que largou a faculdade de arquitetura em Campo Grande, trabalhou como modelo e, hoje em dia, pode ser definido como empresário.

Este é um ponto que todos os amigos têm em comum: eles adoram a Inglaterra, optaram por morar e constituir família no país, mas cultivam o sonho de conseguirem dividir profissionalmente a possibilidade de trabalhar no Brasil e aqui.

Fabiano ainda frisa que um dos motivos mais fortes por ter permanecido em Bournemouth, além da aceitação fantástica que a Inglaterra concede aos imigrantes, é o ambiente descontraído e acolhedor que a região oferece. “A Inglaterra me aceitou de braços abertos, e eu me adaptei econômica, cultural e emocionalmente muito fácil também. Foi uma fusão perfeita. Enquanto eu tinha amigos que sofriam – apesar de ser uma palavra um pouco forte… – com todas as mudanças, eu estava adorando e curtindo tudo que era diferente. Adoro Londres, mas acho que sou muito mais feliz por ter optado por Bournemouth. E Londres fica logo aqui, de carro, de trem, vamos passear quando temos vontade”, considera o ex-gerente de marketing do Citibank de São Paulo e atual dono de uma das escolas de Inglês mais promissoras da região.

A paulistana Beatriz foi outra que mudou radicalmente o estilo de vida e a carreira profissional. “Eu deixei para trás uma carreira que tinha tudo pra dar certo, era pós-graduada e contratada pela IBM, mas eu não era feliz. Minha vinda pra cá também foi para aprender inglês. Mas após os primeiros anos que eu estava aqui e já tinha inglês suficiente para voltar, e sentia que não era isso que eu desejava. Larguei completamente a informática e tudo foi acontecendo… Comecei dando aulas particulares de Capoeira – mesmo quando trabalhava na IBM eu já participava de rodas e fazia aulas de Capoeira. Hoje é a minha realização poder estar aqui ensinando um pouquinho da cultura brasileira para os ingleses. Com a Capoeira é possível passar valores e espiritualidade que ajudam a sociedade deles a melhorar. Acho que é uma troca perfeita! Eu atingi meu objetivo que era trabalhar profissionalmente com a capoeira e, ao mesmo tempo, retribuo esta conquista à sociedade inglesa que me acolheu e abriu esta porta”, gratifica ela que ministra aulas em cinco cidades da região de Dorset.

Como eles mesmos brincam, cada um dos amigos cobre um aspecto – cultural, educacional, físico, culinário e de entretenimento – do qual a comunidade brasileira tem de bom para oferecer a cidade. Sejam as festas, as aulas de língua, as comidas, as aulas de capoeira… Ou mesmo as risadas regadas com alegria e felicidade que o grupo emanam quando se reúnem e contagia todos a sua volta.

Com certeza, eles são apenas alguns dos mais de 160 habitantes de Bournemouth que tornaram a cidade, em 2007, o local mais feliz para se morar em todo o Reino Unido – de acordo com uma pesquisa realizada pelo First Direct Bank. Se a paixão de viver dos brasileiros influenciou neste índice? Bem, daí teremos que fazer outra pesquisa para descobrir…

Você sabia?
- O litoral de Dorset foi recentemente decretado Patrimônio da Humanidade
- Toda sexta-feira acontece uma queima de fogos no píer.
- Bournemouth tem mais de dois mil acres de parques e é conhecida como “Jardim a beira mar”.

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Emerson Fittipaldi fala sobre sua experiência no campeonato A1GP com exclusividade para o BN

22, Julho 2008 · Deixe um comentário

No domingo 27 de abril, equipes, carros, pilotos e torcedores fecharam a rua Regent, em Picadilly, numa mega-exposição e promoção do A1 Grand Prix, que é o mais novo campeonato de corridas internacional. O destaque do evento foi o bicampeão mundial de Fórmula 1, campeão mundial de Fórmula Indy e bicampeão das 500 milhas de Indianápolis, Emerson Fittipaldi. Nesta que é a terceira temporada do A1, estão participando 22 equipes.

Emerson Fittipaldi é o diretor da equipe do Brasil, que foi classificada em sexto e décimo oitavo lugar, respectivamente, nas temporadas passadas. Na última etapa da temporada de 2008, que acontece neste fim de semana, em Brands Hatch, Inglaterra, o piloto Xandinho Negrão defenderá o Brasil novamente.

Fittipaldi conversou exclusivamente com o Brazilian News explicando um pouco mais sobre esse campeonato e as chances da equipe brasileira.

Brazilian News: Como está sendo essa experiência no campeonato A1GP?

Emerson Fittipaldi: Eu acho o conceito da A1 fantástico, pois cada país tem a sua equipe, como numa Copa do Mundo de Futebol. Antes o Nelsinho Piquet que era o meu piloto e agora ele está na Formula 1, e essa relação com os brasileiros é muito legal, buscar os novos talentos no Brasil e vê-los desenvolver, vindo das categorias inferiores até chegar nos grandes campeonatos mundiais.

BN: O Brasil sempre revelou grandes pilotos, você, Nelson Piquet, Ayrton Senna. Quem será o próximo?

Fittipaldi: Eu digo que há lacunas de tempos em tempos. O que aconteceu no Brasil após a morte do Ayrton Senna. Agora temos o Felipe Massa que está indo muito bem, o Rubens Barrichello, o próprio Nelson Piquet Junior está se destacando também. É sempre difícil continuar com um representante no topo o tempo todo. O que eu acho que tem que ter é uma continuação, incentivo para garotos começarem cedo a pilotar kart. Hoje, por exemplo, eu tenho dois netos correndo com kart em Palm Beach, nos Estados Unidos. Um de seis anos de idade e um de 12. E esses meninos que estão hoje no kart, categoria que temos muitas corridas e campeonatos por todo o Brasil, são nosso futuro.

BN: Qual o principal diferencial do A1GP?

Os carros são exatamente iguais, nós não podemos modificar os carros, apenas ajustar os carros. A preparação da equipe também deve ser bem precisa de acordo com cada pista e sua especificidade. Os pilotos devem ser do país da equipe, o que é muito legal, pois dá oportunidade para países como China, África do Sul, Malásia, Indonésia, que não tem muita tradição mostrar seus talentos. Eles podem competir com mesmo nível e potencial técnico, pois na Formula 1 não tem espaço para todo mundo.

BN: Qual a sua expectativa para esta corrida, numa pista que é bastante familiar pra você?

Fittipaldi: É uma pista fantástica que vai dar muito trabalho pra todas as equipes. Uma pista bastante tradicional aqui na Inglaterra, com muitas curvas, subidas e decidas que exige bastante dos pilotos. O que garante uma grande corrida. Creio que será uma corrida incrível. Parece que a Suíça pode levar o campeonato, mas a Nova Zelândia também está no páreo e vai ficar em cima. A Inglaterra também não está descartada. Será uma grande corrida de qualquer maneira. Espero que o Brasil se saia bem também. Para este campeonato não temos mais chances, mas já estamos preparando para ficarmos numa posição melhor na próxima temporada.

BN: Qual a expectativa para a equipe do Brasil?

Fittipaldi: Não tem sido fácil para nós. Tivemos muitos altos e baixos e não conseguimos atingir alguns pontos que pretendíamos. Agora estamos de olho na próxima temporada, com os novos carros da Ferrari, buscando novos talentos pra colocar o Brasil na posição que lhe é merecida.

BN: Qual sua opinião sobre a atual temporada da Formula1?

Fittipaldi: Eu acho que tudo depende do desempenho da Ferrari e da McLaren. A Ferrari está dominando ultimamente, mas a McLaren sempre teve muita força e pode voltar com um carro mais rápido a qualquer momento.


A1 Grand Prix
O A1 Grand Prix é um campeonato de corridas internacional que acontece desde 2005, durante o recesso do Campeonato Mundial de Fórmula 1, da Fia. Para assegurar que se realiza um verdadeiro “Campeonato do Mundo”, a A1 Grand Prix distribuiu 23 licenças (franchise) para serem vendidas nos respectivos países ou territórios; sete outras licenças estão disponíveis para países que queiram participar. Sendo assim as equipes são divididas por países.
Cada Grande Prêmio A1 é realizado em um período de três dias. O primeiro dia envolve a sessão de treino livre, onde as equipes se familiarizam com a pista. No segundo dia ocorre outra sessão de treino livre e uma sessão de treino classificatório. No terceiro e último dia são realizadas duas corridas. A primeira, mais curta, tem duração entre 15 e 20 minutos. A corrida principal acontece depois, à tarde, e dura entre 40 e 60 minutos.
É um campeonato monomarca. Todos os carros usam um chassis construído pela Lola com motor de 3.4 L de capacidade e V8 cilindros, construídos pela Zytek. O chassi pesa aproximadamente 600 quilos. O motor tem uma potência de cerca de 390 kW (520 kW). Todos os carros terão pneus Cooper Avon.

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Público pede músicas em show de Milton com Belmondo

22, Julho 2008 · 1 Comentário

Uma noite para ficar na história do pequeno clube Jazz Café, em Camden Town

Assim pode ser descrita a fantástica apresentação de Milton Nascimento com a banda francesa de jazz Belmondo, um incrível quinteto composto pelos músicos Lionel Belmondo, no sax e flauta, Stéphane Belmondo, no trompete e metais, Eric Legnini, ao piano, Thomas Bramerie, no baixo acústico, e André Ceccarelli, na bateria. A apresentação marcou a estréia do CD que os jazzistas fizeram em homenagem ao músico brasileiro – e tiveram a oportunidade de tê-lo como convidado! A gravação do CD, em Paris, contou também com a participação da Orquestra Nacional d’Ile de France.

Com uma abertura instrumental, Milton sentou-se no topo da escada que dá para o palco, vinda do restaurante-terraço, curtindo os primeiros acordes da noite, como outra pessoa qualquer da platéia. Descendo ao palco, cantou sucessos como “Ponta de Areia”, “Nada Será Como Antes”, “Travessia” e “Milagre dos Peixes”. Realmente, Milton Nascimento merece um palco maior, numa casa mais condizente com sua importância como músico, mas qualquer oportunidade de vê-lo deve ser agarrada com ambas as mãos, como descreveu crítico inglês

Os fãs que gritaram por “Maria, Maria” tiveram o pedido atendido, com direito a uma improvisação espetacular dos franceses, que foram tomados de surpresa quando Milton iniciou a canção, sozinho com seu violão. Mas já na segunda estrofe, os franceses acompanharam a música, primorosamente, diga-se de passagem, chegando até a liderar e chamar o público para fazer o coral “arre, arrea, arre, arre, arre ie ie”.

Definitivamente, um espetáculo para ficar na história de um clube de esquina, de jazz, em Camden Town.

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Greenwich: uma aula de história

22, Julho 2008 · 2 Comentários

Já notou que em alguns casos o horário vem seguido pelas letras GMT? O significado disso está no parque de Greenwich, que corresponde ao G da sigla e o restante das palavras mean time, que significa tempo médio e é usado como marco da hora zero do mundo.

O parque de Greenwich abrange 74 hectares, incluindo partes inclinadas que oferecem uma vista privilegiada do rio Tâmisa, de Docklands, Blackheath, prédios de Bank e até a Catedral de São Paulo.

Foi o primeiro dos parques reais a ser cercado e nele estão prédios históricos importantes para a história inglesa como o Old Royal Observatory (Antigo Observatório Real), o Observatory Planetarium (Planetário), e tem como vizinho o Royal Naval College (Faculdade Real Naval), National Maritime Museum (Museu Nacional Marítimo) e a Queen’s House (Casa da Rainha).

O local foi habitado pelos Romanos por um tempo, porém sempre estará fortemente ligado à nobreza e a família real britânica. Desde que as terras do parque foram herdadas pelo Duque de Gloucester, irmão do Rei Henry V, gerações de monarcas viveram momentos significantes nesse magnífico parque.

Greenwich foi o local onde nasceu Henry VIII, quem introduziu veados e cedros no parque. Suas duas filhas, Mary I e Elizabeth I, também nasceram ali. Seu filho Edward VI faleceu em Greenwich antes de completar 16 anos.

O Rei Charles II foi o responsável por trazer ciência ao parque. Ele fundou a Royal Society (Sociedade Reais), em 1661, mesmo ano que iniciou a construção do Observatório Real, nominado Flamsteed em função do primeiro astrônomo real, John Flamsteed. Hoje, a peça pode ser encontrada no Museu Nacional Marítimo.

A partir de um hobby da realeza, somente séculos mais tarde que a idéia de uma hora única no país começou a ser elaborada. Seguindo a idéia de Dr. William Hyde Wollaston (1766-1828), popularizada por Abraham Follett Osler (1808-1903), foi criada uma única hora legal para todo o país (Inglaterra, Escócia e País de Gales). Foi a primeira nação no mundo a implementá-la.

Esta hora legal era medida pelo Observatório Real de Greenwich, em cooperação (desde 1830) com outros observatórios mundiais, e fundamentava-se em eventos astronômicos, em especial na rotação da Terra. O Observatório de Greenwich havia já desempenhado uma posição muito importante na navegação marítima baseada na medição exata do tempo.

Na seqüência, na década de 1840, as diversas horas locais britânicas foram substituídas pelo Greenwich Mean Time (GMT) ou Tempo Médio de Greenwich, também conhecido por hora de Londres.
A primeira companhia de caminhos de ferro britânica a adotar a hora de Londres foi a Great Western Railway, em Novembro de 1840. Rapidamente outras companhias a seguiram, e por 1847 quase todas usavam GMT. Em 22 de setembro de 1847, uma entidade de normalização industrial, a Railway Clearing House, recomenda que a hora GMT seja adotada em todas as estações, assim que os Correios Centrais o permitissem. (Os Correios Centrais faziam a comunicação da hora por telégrafo). Em 1855, a maioria dos relógios públicos da Grã-Bretanha apresentava a hora GMT.

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Bushy: de campo medieval a parque da realeza

22, Julho 2008 · Deixe um comentário

Aula de história, diversão, prática de esportes, passeio ou simples descanso; escolha qual das possibilidades oferecidas pelo Bushy Park mais agrada e venha visitar o segundo maior parque real.

Vizinho ao Palácio de Haptom Court, segundo maior em extensão entre os parques reais, base militar em guerras mundiais, campo de escavações da era medieval. Esses são apenas alguns do muitos tópicos sobre a história do Bushy Park, a ‘bela adormecida’ entre os parques reais, que mistura avenidas, jardins, campos e monumentos, a sudoeste de Londres.

Mais de quatro mil anos atrás, os campos, hoje designados de Bushy Park, foram habitados durante a Era do Bronze, como confirmam escavações arqueológicas realizadas no perímetro do parque. Uma carroça e um túmulo dessa era medieval foram encontrados ali e, desde então, estão sendo exibidos no Museu Britânico. Esta área é um dos maiores e mais complexos campos de escavações no condado londrino de Middlesex.

Mesmo com o passar dos anos, essa essência rural sempre predominou na região. Em 1529, o cardeal Thomas Wolsey, proprietário do palácio e terras ao redor, doou seu patrimônio ao Rei Henry VIII. Unindo essas terras, Henry VIII criou e cercou o Bushy Park, com o objetivo de usá-lo para caçar veados – como tantos outros parques nessa época. Esses animais ainda podem ser avistados em grandes quantidades pelo parque.

Com 4,5 km² de área, o Bushy Park está situado entre os bairros de Kingston Upon Thames, Teddington, Hampton e Hampton Wick. Sua principal avenida, Chestnut, corta toda a extensão norte-sul do parque, com tráfego diário de carros, e, na principal rotatória, exibe a Fonte Diana, rainha da guerra para os romanos, erguida para homenagear a Rainha Henrietta Maria, no século XVII. A fonte foi movida algumas vezes de lugar, mas hoje em dia, encontra-se definitivamente na avenida Chestnut, circundada por um pequeno açude, onde é possível praticar a pesca.

O rio Longside, que tem 19 km de comprimento, foi criado artificialmente, em 1610, pelo Rei Charles I em função da falta de água constante que acontecia no Palácio Hampton Court. Além do rio, vários canais foram desenhados pelo parque para servir de fonte aos animais.

Na I Guerra Mundial, tropas canadenses usaram algumas das casas do parque e improvisaram um hospital. Na II Guerra Mundial, a participação do Bushy foi mais além. Parte do parque foi transformada no Quartel General das Forças Expedicionárias Aliadas, que incluía Estados Unidos, França e Inglaterra.

Estacionamentos, banheiros, cafeteria e parquinho para crianças são outras facilidades do parque que atraem muitas famílias, principalmente nos fim de semana. Atividades esportivas também estão sempre em alta pelos parques reais. No Bushy não poderia ser diferente, o time de futebol Teddington RFC treina periodicamente no parque. Outros dois times, Hampton Cardinals FC e Rising Sun Pub FC, também alugam os gramados do Bushy vez ou outra. A mais antiga equipe de hóquei, ainda em atividade, Teddington Hockey Club, orgulhosamente tem sua sede no parque. Tênis, rúgbi, futebol americano, e outros esportes menos profissionais, como peladas, peteca, frisby, e outros também tomam seu lugar pelos gramados do Bushy Park todos os dias.

Saindo de Waterloo, os trens para chegar ao parque são para as estações Teddington, Hampton Wick e Hampton Court.

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Daniela Mercury ofereceu o Canto da Cidade aos imigrantes brasileiros

16, Julho 2008 · 4 Comentários

By Randes Nunes

Após uma apresentação estonteante no domingo, 1º de junho, com mais de duas mil pessoas, na Brixton Academy, Daniela Mercury se superou no show de terça-feira, 3, no Guanabara, recebendo um público bastante reduzido, mas que pulou e dançou samba-reggae como se estivesse em Salvador.
Sorrindo sempre e trabalhando como se estivesse de férias, Daniela atendeu os vencedores da promoção do Brazilian News com uma alegria contagiante logo depois da passagem de som na terça-feira. Fotos, autógrafos, presentes e choros a parte, Daniela explicou e desculpou-se pela falha da produção e organização que não conseguiram trazê-la a tempo de falar com eles após o show de Brixton.
Ainda com o relógio apertado, ela conversou relaxadamente mais de vinte minutos com o Brazilian News.
- A poucos minutos de entrar no palco você está aqui super à vontade conversando com a gente. Você não fica mais nervosa?
Daniela Mercury: Esta é a quinta ou sexta vez que venho à Inglaterra, é a 13ª turnê internacional então eu já vou ficando mais tranqüila, mas internamente sempre tem uma adrenalina nos minutos antes de subir ao palco. Ás vezes eu nem me dou conta do quão nervosa eu fico, porque a adrenalina se transforma em outra coisa, e serve também para aquecer o corpo, para preparar a gente num momento de muita atenção, de concentração, de entrega, o que me ajuda a entrar no palco com muita energia. Já pensou se a gente não tivesse emoção, se tudo fosse muito brando, e eu não sou branda, eu sou extremamente intensa em tudo. Eu sempre pergunto a minha mãe o motivo dessa energia toda, se foi a comida, se foi genética… Quando eu era criança meu apelido era pinga-fogo pra vocês verem, a pessoa não era quieta! Não foi à toa que virei bailarina, para poder concentrar essa energia toda e botar pra fora, me expressar. Sempre fui muito expressiva, comunicativa, mas também tenho meu lado reflexiva, quietinha. Mas toda a eletricidade, a moleca que eu sempre fui, se coloca no palco.
- Como você iniciou sua carreira na música? Você compõe e interpreta, quais são a suas influências mais fortes?
Daniela: Acho que a partir da dança eu virei artista. Meu pai sempre cantava muito em casa pra gente, eu acordava aos domingo ouvindo vários clássicos, até cheguei a gravar um cd de clássico incluindo “Beatles” que eu tava cantarolando na passagem de som. E toda minha família, ninguém cantada ou tocava, minha irmã mais nova, Vânia Abreu, também virou cantora, meu irmão mais novo era DJ, o mais velho também já teve uma empresa de som. Minha irmã mais velha, que não é cantora, canta lindamente. Muitos amigos acabaram se profissionalizando também. E foi com um grupo de amigos que faziam serenatas que eu descobri que podia cantar. E fui cantando, mas eu não pensava em ser cantora, não. A música foi me convidando, tive convites para fazer trio elétrico por muitos anos, fiz barzinho por muitos anos. Depois para fazer parte da banda de Jerônimo, depois da de Gil. Na época eu já tinha iniciado de carreira, tinha minha banda, era solista, mas esperei definir qual realmente seria meu caminho, escolher o que eu iria fazer conceitualmente para depois assinar contratos. Eu cantava muito samba-jazz na noite, mas quando vem esse batuque, essa coisa de carnaval baiano, essa antropofagia baiana que engole tudo, mistura tudo… Daí a cantora resolveu fazer samba-reggae e ser preta!
Mas desde os 13 anos que eu escrevo poesia. Como minha tia escrevia poesia, minha vó portuguesa, Josefina, recitava poesia, daí acho que eu fiquei com esse gosto pela poesia. Juntando com a música o que eu tentava escrever… Mas acho que as canções acabam nascendo junto com a letra, minhas impressões e reflexos, várias dos meus primeiros dois discos ainda. Músicas que foram sucessos na Bahia, que o Brasil não conhece muito “Vida que vida é uma saída…”, é minha maneira de ver o mundo. Os títulos dos meus discos quase todos são meus, de canções minhas.
- Em qualquer lugar do mundo que você vai esta música ainda é e, provavelmente sempre será, reconhecida. Qual tua relação com esta canção que é de tua autoria?
Daniela: É engraçada, pois “O Canto da Cidade” é uma música que fala do negro “A cor dessa cidade sou eu”, e da discriminação “Não diga que não me quer, não diga que não quer mais”, e eu aqui, quando cantei em Brixton, dediquei aos brasileiros que moram aqui. Que têm uma vida muito difícil longe de sua família, longe de seu país, de sua cultura. Pois eu sei o que é ficar muito longe de casa, sei o que é sentir saudades, parece que sempre há algo faltando. Então quando eu cantei, eu vi que “O Canto da Cidade” também simbolizava essa luta dos imigrantes para ser cidadão. É o que os brasileiros têm que cantar pra essa cidade, pois todos os brasileiros iluminam qualquer lugar que eles vão, que é essa força de vida que a gente têm. Você me perguntou… Daniela de onde vem essa energia? Acho que vou responder agora: É porque eu sou brasileira!
- A Daniela moraria fora do Brasil?
Daniela: Eu acho que os brasileiros, pelo menos a maioria, não decide morar pra sempre fora do país. Vem morar por necessidade, conseguir um dinheiro a mais pra enviar pra família, ter uma vida melhor, ou por sonho de conhecer o mundo, de dialogar com outras culturas, de se aperfeiçoar. Eu duvido que eles saiam querendo ficar fora, e eu jamais seria essa brasileira pra mudar isso. Desde pequena como bailarina eu tinha esse sonho de viajar, dançar em todos os lugares do mundo, todo mundo quer voar! Mas eu já não consigo sair da Bahia, sou uma das poucas artistas, creio que da minha geração, eu fui a primeira que decidi ficar em Salvador. Eu vivo no avião, mas minha casa é lá! Ano passado eu fiz uma brincadeira de ficar contando os trechos aéreos, 312! Isso não é morar em lugar nenhum, não é?!
- Para você como artista, como está o nosso Brasil hoje?
Daniela: Eu sou filha de assistente social, sempre acompanho o que está acontecendo no mundo, e faço um pedido a todos os brasileiros para colocar educação em primeiro lugar. Eu acho que o brasileiro não se manifesta, eu queria que as pessoas falassem mais, reclamassem mais, acho que é importante pra exercer nosso papel de cidadão. Outra coisa é que falamos muito de direitos, mas muitos esquecem que o cidadão também tem deveres. Por isso é nosso dever lutar por isso, cuidar do que é público, respeitar os espaços públicos, exigir que a escola pública seja melhor com os pais e alunos, sabendo que são eles que pagam por tudo aquilo através dos impostos. Mas uma população que não está preparada para assumir este espaço tem que ser educada para isso. Por isso que eu acho que educação deve ser prioridade para o Brasil melhorar, ou vamos ficar sempre pra atrás. Com nossa economia mais estabilizada nos temos que projetar nossos sonhos pro futuro e começar agora agir para melhorar a educação. Mas isso agora, no presente, pois a partir da educação as outras questões irão melhorar consequentemente, como a questão indígena que é complicadíssima. Tinha um amigo meu que falava que as pessoas tinham que aceitar o mundo como ele é, e eu falo que aceitar é respeitar. Isso vem com a educação do povo!

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Especial Silverstone: Rubens Barrichello vibra com terceira colocação no GP da Inglaterra

9, Julho 2008 · 1 Comentário

No dia anterior a corrida, após ficar em 16ª posição no “grid” de largada, Rubens Barrichello escutou, por telefone, o pedido do filho Eduardo “Papai, eu sei que vai ser difícil, mas eu vou rezar para chover e daí você terá a possibilidade de subir ao pódio”. Provavelmente Eduardo Barrichello, 7 anos de idade, fez esta solicitação sem ou menos verificar as previsões climáticas na Inglaterra, que, para variar, prometia chuva durante todo o final de semana. Na sexta-feira, 4, e no sábado, 5, apesar de chuvas esparsas, a pista se manteve seca. Porém no domingo – para a alegria de Eduardo –, Silverstone amanheceu coberto de nuvens carregadas.

E foi debaixo de muita chuva que o brasileiro Bruno Senna, sobrinho do tricampeão da F-1 Ayrton, conquistou sua segunda vitória do campeonato GP2, que precedeu a principal atração do dia. Além de Bruno, há outros quatro brasileiros correndo nesta categoria – que é uma espécie de pré-Fórmula1 – dentre eles Lucas Di Grassi, que ficou em segundo, marcando a primeira dobradinha da história da GP2. Com a vitória, Bruno Senna está com 11 pontos a menos que o atual líder da categoria, o italiano Giorgio Pântano, que tem 50. Di Grassi é o quarto, com 24 pontos. Os outros pilotos brasileiros Carlos Iaconelli, Alberto Valério e Diego Nunes não têm nenhum ponto na competição.

Foi emocionante ouvir o hino nacional ecoar por Silverstone e ver duas bandeiras verde-amarelas sendo içadas ao pódio, mas o grande espetáculo do domingo, 6, ainda estava por vir com a Fórmula1.

Com a largada marcada para às 13 horas (hora local), a chuva parecia aumentar a cada minuto, estragando todo o glamour que o show de abertura traz ao público. Banda, show aéreo, esquadrinha da fumaça, modelos das escuderias e voltas de aquecimento. A torcida era maciçamente do inglês Lewis Hamilton, grande promessa do campeonato desde sua estréia, apesar dos problemas e da falação em cima dele. Algumas bandeiras polonesas também despontavam nas arquibancadas, todas para prestigiar Robert Kubica, mais novo ídolo polaco.

Os pilotos brasileiros não estavam em boas posições: Nelsinho Piquet em 7º, pela equipe Renault, Felipe Massa 9º, pela Ferrari, e Rubens Barrichello 16º, pela Honda. Logo na largada, com uma excelente arrancada, Hamilton conquistou duas posições, colando atrás de Heikki Kovalainen, que segurou a “pole” por apenas cinco voltas. O inglês queria mesmo se redimir e, nada melhor que fazer isso em casa.

O outro inglês David Colthard, que anunciara sua aposentadoria ao final da temporada, não teve a oportunidade de se despedir do circuito de Silverstone, pois deixou a corrida ainda na primeira volta, levando consigo o alemão Sebastian Vettel.

A primeira das seis vezes que Felipe Massa perdeu o controle do carro ocorreu também na primeira volta, fato que o colocou em último lugar – mesma posição que terminou a corrida. “Havia muita aquaplanagem e não consegui manter a estabilidade. Errei muito, e é difícil falar”, admitiu o brasileiro, tentando explicar seu mau desempenho no GP da Inglaterra. Até a etapa anterior, Massa era o primeiro colocado no mundial e, com os últimos resultados, divide a liderança com o companheiro de equipe Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton, os três com 48 pontos. “Agora, temos que olhar para a frente, ainda há metade do campeonato a ser disputado e já vimos que basta uma corrida para mudar o panorama completamente.”, completou.

Enquanto Massa brigava para manter o carro na pista, a equipe Renault, com Nelsinho Piquet e Fernando Alonso prometia uma boa corrida. Porém, na volta número 24, Piquet que estava na quarta posição, à frente do companheiro Alonso, escorregou na pista encharcada, atolando na caixa de brita. “Estou extremamente decepcionado com o que aconteceu. O carro estava bom, nossa tática foi perfeita e estávamos próximos de um bom resultado. Mas quando choveu muito forte, a pista ficou muito escorregadia. Perdia o controle em todos os setores, inclusive nas retas, e era impossível mantê-lo”, explicou Nelsinho, que marcou seus primeiros pontos na prova passada, na França.

O mesmo motivo que tirou Piquet, Vettel e Coulthard da prova, fez com que outros quatro pilotos – Adrian Sutil, Giancarlo Fisichella, Jenson Button e Robert Kubica – também abandonassem a corrida: perda do controle do carro pelas condições da pista.

Apesar da frustração de alguns, outros estavam a poucas voltas de completar grandes conquistas.

Pela primeira vez, Rubens Barrichello subiu ao pódio pela equipe Honda, quebrando um jejum de mais de três anos sem celebrações regadas a champanhe. “Nunca perdi a esperança e a fé em mim, e esse resultado é uma prova disso. Parece que a chuva sempre aparece a meu favor. De fato, foi uma corrida perfeita”, afirmou minutos após a consagração.

E, este resultado, não poderia vir em melhor hora. “Não tenho contrato com ninguém, mas quero continuar na Fórmula1. Só vou parar o dia em que achar que estou mais lento que na corrida de Kyalami, em 1993 (sua estréia na competição).” Falou ainda sobre o futuro incerto, depois de 16 anos de Fórmula 1. “Quero ficar na Honda, sei que eles estão conversando com outros pilotos, mas me sinto mais rápido que no passado e nunca me dediquei tanto”, desabafou.

Dividindo os holofotes com o campeão Hamilton, Barrichello conquistou grande interesse dos jornalistas com o êxito de uma prova brilhante. “Foi realmente mágico, parece que sempre chove a meu favor”, comentou.

E, para finalizar, completou emocionado: “Eu gostaria de dedicar essa vitória a meu filho mais velho, Eduardo”.

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Carlos Lyra chora ao cantar em Pobre Menina Rica emocionando a platéia

7, Julho 2008 · 2 Comentários

By Randes Nunes

Para completar a semana de eventos, shows e espetáculos homenageando os 50 anos da Bossa Nova, na terça-feira, 27 de maio, Carlos Lyra participou na peça teatral, “Pobre Menina Rica”, de sua autoria com parceria de Vinícius de Morais. Sua participação foi simplória, mas emocionante – tanto para a platéia quando para o próprio músico, que declarou ficar comovido ao ver “Esses músicos e artistas maravilhosos tomando conta do meu bebê”.

A peça foi escrita em 1963 e os próprios Carlos e Vinícius, juntamente com Nara Leão no papel da Pobre Menina Rica, eram os atores da comédia-musical que conta a historia de amor entre o Mendigo Poeta e a Pobre Menina Rica. A peça retrata os dois lados da sociedade carioca dos anos 60, com todo o seu glamour e suas contradições sociais, onde o centro da narração é a força do amor entre a Pobre Menina Rica e o Mendigo Poeta, uma ousadia também refletida na modernização da música brasileira daquela época.

A montagem apresentada na Canning House, que contou com a participação especialíssima de Lyra, foi interpretada por Gui Tavares (violão e voz) – assinando também a produção musical –, Maria O’Connnel (voz), Rogério Corrêa (voz) e Uirá Cairo (percussão). Interpretada em inglês, mas sem perder o seu charme original.

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‘Chega de saudade’ em Londres – pelo menos, por uma noite

7, Julho 2008 · Deixe um comentário

Uma semana para celebrar os 50 anos e entrar na história da Bossa Nova, teve seu início com um memorável show no Barbican Hall, na segunda-feira, 26 de maio.

Comandando o show a cantora e compositora Joyce introduziu os colegas Carlos Lyra, Roberto Menescal, Wanda Sá, Dori Caymmi que se revezaram na primeira parte do espetáculo, denominada Clássicos da Bossa Nova. Com pouco mais de uma hora de duração, a platéia teve a oportunidade de ouvir “Minha Namorada”, “Influência do jazz”, “Chega de Saudade”, “O Barquinho”, “Você” e, para finalizar, todos juntos retornaram ao palco para fechar o primeiro bloco do show, cantando uma composição inédita homenageando os 50 anos do estilo.

Após o intervalo, a homenagem à Bossa Nova continuou com Marcos Valle, João Donato, Celso Fonseca, Clara Moreno, Vinícius Cantuária, Patrícia Alvi embalando sucessos como “Samba de verão”, “Ela é carioca”, “Mais que nada”, “Meu Samba Torto”, entre outras.

Ao final, Joyce retornou ao palco, chamando as outras ‘garotas de Ipanema’, Clara e Wanda, para acompanhá-la na famosa canção de Tom e Vinicius, juntamente com Menescal.

E, como não poderia deixar de ser, todos os músicos, cantores e compositores deram uma canja – unidos no palco do Barbican formando imagem emocionante – com um pot-pourri iniciado pelo consagrado “Samba de Bênção”, do poeta Vinicius de Morais.

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Semana Bossa Nova: eventos em Londres, com participação de Carlos Lyra, celebram 50 anos do estilo

7, Julho 2008 · Deixe um comentário

Entre show, concertos e peças teatrais, Londres vai exalar Bossa Nova na próxima semana


Londres pode não ter Corcovado, nem Cristo Redentor, nem calçadão à beira-mar de Copacabana; porém, durante a próxima semana, não faltará a bossa que um dia foi inspirada nestes cenários. Não uma simples ‘Bossa’, mas aquela, a ‘Nova’, que conquistou o mundo ao ouvir os primeiros acordes compassados e a cantoria mansa de João Gilberto nos dois compactos que inauguraram o movimento – “Chega de saudade” / “Bimbom” e “Desafinado” / “Oba-la-lá”. Também nos idos de 1968, foi lançado o álbum “Canção do amor demais”, com músicas de Jobim e Vinicius interpretadas por Elizeth Cardoso, que trazia duas faixas com o violão de João.

Este ano é considerado o marco inicial da Bossa Nova, começando ali o movimento que consagraria toda a geração de músicos brasileiros como Nara Leão, Carlos Lyra, Luizinho Eça, João Donato, Roberto Menescal, Baden Powell, etc. E, mesmo meio século depois, os críticos acreditam que a Bossa Nova segue viva e ainda “emblema da música brasileira no exterior”, segundo a crítica musical Zuza.

Entre entrevistas para jornais e programas de televisão, fotos e filmagens, a vida agitada de Carlos Lyra reflete que a bossa continua mais viva do que nunca. Numa missão impossível de fisgá-lo em casa, o Brazilian News teve que se render a uma entrevista por e-mail para que os leitores não perdessem a oportunidade de ouvir suas histórias e saber um pouco mais de como anda os preparativos para a festa em Londres.

Brazilian News: Para você, qual o sentimento e a importância destes 50 anos da Bossa Nova – como um dos fundadores e como músico?

Carlos Lyra: A convicção de que realizamos alguma coisa importante: uma música que preencheu uma lacuna que havia na música e na classe média brasileira. Essa classe média não tinha música e, portanto, ou se satisfazia com a música popular da Rádio Nacional, ou importava a música de classe média dos Estados Unidos com seu jazz e seus compositores clássicos como Cole Porter, ou do México com seus compositores de bolero, ou ainda, em menor escala, com a canção francesa.

BN: Sabes dizer quem batizou o “movimento” com o nome de Bossa Nova?

Lyra: Esse pseudo-movimento foi batizado numa apresentação no Grupo Hebraico, em 1957, onde o diretor social do mesmo, alegando que tinha criado esse nome para o nosso grupo, apresentou-nos como um grupo Bossa Nova.

BN: É bastante comum os músicos, intérpretes e compositores ligados à Bossa Nova trabalharem em conjunto, seja gravando, compondo, fazendo show e turnês. Praticamente todos são amigos, ou conhecidos, e já trabalharam juntos. Como explica isso? Seria reflexo de como o estilo foi desenvolvido há 50 anos, na rua Nascimento e Silva 107?

Lyra: O nascimento da Bossa Nova na Rua Nascimento Silva, 107, é outra lenda que dá como marco o nascimento do disco de Elizeth Cardoso, em 1958, elaborado naquela residência.

Os shows feitos com a colaboração de vários artistas é uma demanda do próprio mercado que, apresentando vários artistas de uma vez, estabelece um atrativo maior para o público.

BN: Já ouvi sua história sobre o célebre show no Carnegie Hall, NY, no documentário da BBC. Mas podes contar rapidamente os bastidores desse show pros leitores do Brazilian News e explicar a importância deste show na história da Bossa Nova?

Lyra: Fomos para Nova Iorque, contratados por um produtor para fazer o Concerto no Carnegie Hall. Quando chegamos vimos uma fila enorme e achamos que eram pessoas para comprar o ingresso, mas logo vimos de que se tratava de uma fila de pessoas que estavam lá para cantar. O produtor não tinha em mente fazer um grande espetáculo e sim, gravar tudo que fosse possível para lançar um disco. Por isso, não havia feito qualquer seleção quanto a quem se apresentaria e só veio a selecionar, depois, quando montou o disco. No palco, se apresentou uma mulher tocando maracas, um sujeito tocando guitarra nas costas e um policial de São Paulo que fazia passos de Escola de Samba e gritava agradecendo ao produtor por tê-lo deixado se apresentar. Era tudo um festival de aberrações e eu, inconformado com aquilo fui conversar com o Tom nos bastidores. Encontrei-o sentado num banquinho, com a testa apoiada na mão, também estarrecido com aquilo tudo e propus irmos embora sem cantar. Ele me respondeu: “Carlinhos, você assinou aquele papel?” e, frente a minha resposta positiva, acrescentou: “Aqui não dá pra fazer essas coisas. Aqui tem cadeira elétrica!” Visto isto, acabamos nos apresentando e no final, o que ficou foi a boa impressão causada por aqueles que tinham, realmente, algo a mostrar. A platéia estava repleta de músicos de jazz e produtores que acompanhavam a Bossa Nova desde o lançamento do LP do João Gilberto que trazia uma coisa diferente aos ouvidos deles. Com isso a Bossa Nova entrou nos Estados Unidos junto com o Beatles e se propagou pelo mundo aonde é tocada até hoje. O concerto, apesar dos pesares foi fundamental para abrir as portas internacionais para a nossa música.

BN: Quando moraste no México estiveste em contato com grandes personalidades como Gabriel Garcia Marques, Otavio Paz, Carlos Fuentes, entre outros. Qual a influência que o México deixou em sua música?

Lyra: O México já tinha deixado influência na minha música quando, muito tempo antes, nos anos 50, adquiri um disco de lucho Gatica, que possuo até hoje, chamado Inolvidables, que apresentava além de um violonista maravilhoso chamado Arturo Castro, músicas de compositores que muito influenciaram meu trabalho tais como Agostin lara, Gonzalo Curiel, Maria Griber, Sabre Marroquin e outros…

BN: Qual parte da produção de um disco você gosta mais? Prefere compor, gravar em estúdio ou sair pra fazer show?

Lyra: Sem dúvida alguma, compor é o que mais aprecio e é um grande prazer, mas gravar em estúdio é ver a realização de uma obra. É como um arquiteto que faz o projeto, mas se realiza quando ve a construção erguida. Show já é outra coisa. É o contato com o público e é a hora em que a gente põe a prova se a música agrada ou não. Então, é um conjunto de coisas com princípio, meio e fim.

BN: Qual o tipo de show que mais gostas de fazer, tipo banquinho e violão em teatro ou pra grandes platéias? E qual a diferença de fazer show no Brasil e no exterior?

O tamanho da platéia não importa. O que importa é a qualidade dessa platéia. Claro que fazer shows para platéias brasileiras é muito mais descontaído e fácil de comunicação, mas fazer show em inglês, espanhol ou francês não deixa de ser um desafio. Uma experiência diferente.

BN: Como você vê essa reinvenção da Bossa Nova, que vem acontecendo nos últimos dez anos, com a fusão da música eletrônica que o Bossa Cuca Nova e a Bebel Gilberto estão fazendo?

Lyra: Não vejo nenhuma reinvenção na música eletrônica, mas sim uma nova maneira de interpretar onde a participação desses artistas mais jovens é muito bem vinda além de inevitável, onde a inquietude e a expressão das gerações mais novas se manifestam. A música eletrônica adiciona elementos dançantes que levam a Bossa Nova a novas platéias, despertando o interesse dos que não tinham acesso a ela. Esses mesmos jovens vão à procura da Bossa Nova tradicional. É uma renovação de público.

BN: Qual sua expectativa para o show no Barbican, próximo dia 26 de maio?

Lyra: Que seja o mesmo sucesso que foi em Paris onde lotamos o Cirque D’Hiver por três noites consecutivas com uma média de 1700 pagantes por dia apesar da capacidade ser só de 1400.

BN: E para a peça Pobre Menina Rica, como será sua participação nessa apresentação especial, do dia 27?

Lyra: Essa apresentação é uma espécie de homenagem a mim onde a minha participação deve ser muito pequena. Apenas uma curiosidade e uma cortesia ao público presente.

BN: Quando acabar todas essas comemorações, qual teu próximo projeto/trabalho? Promete incluir Londres no roteiro?

Lyra: Vou aonde sou convidado, com o maior prazer. Se não fui a Londres me apresentar até hoje é porque não devo ter causado interesse aos produtores londrinos, mas com certeza, se houver convite estarei aí. Meu próximo trabalho é o lançamento de meu livro de memórias musicais, pela Editora Casa da Palavra, onde conto a história da Bossa Nova, e que virá com dois CDs com 48 faixas. O livro será bilingue (português e inglês) e espero que seja lançado no mundo todo.

(entrevista cedida ao iG – http://igpop.ig.com.br/bossanova/noticias/2008/08/18/entrevista_especial_de_carlos_lyra_1577038.html)

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